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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Finalmente, o mercado de transferências encerrou. Foi um longo período de negócios de compra e venda de jogadores de futebol. O que mais ressalta deste período é que os valores dos atletas, cada vez mais inflacionados, atingiram números escandalosos.

No mercado nacional não me lembro de tão grande frenesim. Depois do SCP ter ganho dois campeonatos seguidos, os concorrentes directos entraram numa corrida desenfreada para adquirir activos, por preços deveras invulgares para a nossa realidade. Os da Luz impulsionados por uma corrida desefreada à presidência do Clube estão a gastar como se não houvesse amanhã. Os das Antas, quase falidos, fizeram das tripas coração e gastaram à tripa forra. Em Alvalade houve mais contenção. Mas também se procurou suprir lacunas, com a aquisição de jogadores de vários milhões.
A verdade mesmo incontornável é que nem todos podem ganhar e quando os resultados desportivos não corresponderem ao investimento, correm sério risco de criar problemas financeiros, pelo menos a médio prazo. Por outro lado, a pressão dos adeptos, que ligam pouco ou nada a sustentabilidade institucional, e apenas querem títulos, levam a este desvario, pressionados por alguma hegemonia do SCP. Digamos que começou a caça aos leões.
Aparentemente, os adversários, parecem estar muito mais fortes, e pelo que se passou até agora é mesmo provável que estejam. Isso significa que a nossa equipa, que fez aquisições selectivas mantendo o núcleo original, tem que ser muito mais competente, unindo-se na crença que o “tri” é possível. Mas os adeptos também têm que apoiar a equipa, nos bons e nos menos bons momentos. O que de pior pode acontecer é que logo ao primeiro desaire começar-se a pôr tudo em causa, desde tácticas a sistemas, a técnicos e a atletas, como começou a acontecer
As críticas são aceitáveis desde que sejam construtivas. Mas há quem confunda crítica com bota-abaixismo, como se começa a ver aqui e ali. O Sporting somos todos desde a Direcção até aos adeptos. Sem união, sem crença, sem estabilidade não se ganha nada. Se queremos manter o trajecto vitorioso temos que deixar dirigir quem dirige, treinar quem treina, jogar quem joga, com a consciência que haverá erros. Quem não erra são os “doutores da mula ruça” como os apelidou um leitor, num comentário, que sem saberem o que se passa de concreto, acham que sabem tudo.
P.S.: Durante este mercado ficou a percepção que os adversários fizeram negócios mais assertivos e mais rápidos que o Sporting. Tenho alguma dificuldade em explicar porque se arrastaram algumas aquisições, dando origem a certas novelas. Tema que só por si merece análise, mas numa abordagem linear, fica-se com a ideia que nalgumas escolhas se perdeu demasiado tempo, insistindo porventura em atletas que estavam praticamente blindados contra vendas.
NOTA
Os dois rivais, em conjunto, gastaram 216,9 milhões de euros na janela de transferências de verão, com os dragões a baterem mesmo o recorde de investimento em Portugal, com 111,35 ME.
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