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Como a DGS cria o caos na Liga

Rui Gomes, em 17.09.20

DGS fala em adiar jogos, mas o plano do futebol profissional fala em jogar desde que haja sete inscritos para pôr em campo. Em que ficamos?

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A Direcção Geral de Saúde tem em mente adiar jogos e não parar o campeonato. Dito assim, soa simpático. Se lermos antes o protocolo da Liga, nem tanto. Como o calendário está esganado, o que se contemplou não foram adiamentos: o Covid-19 é equiparado a uma gastroenterite; quem está infectado não joga e por aí adiante até haver menos de sete jogadores para pôr em campo, conforme estipula a Lei 3. Mas a DGS, e as delegações regionais, não só parecem pensar de outra maneira como podem ter direito a impô-lo.

Isto significa, imaginemos, que uma equipa com três baixas importantes por Covid-19 é obrigada a jogar e que outra, com 15, pode ser beneficiada com um adiamento, se a DGS entender. Ainda pode insinuar-se nesta dança um terceiro factor, que são os adiamentos por mútuo acordo.

Excerto da crónica de José Manuel Ribeiro, Director O Jogo

ADENDA

O jogo de sábado entre Sporting e Gil Vicente, da primeira jornada da Liga NOS, está em sério risco de realização e poderá ser adiado a qualquer momento. Nesta fase, prosseguem as conversações entre Liga, Direção-Geral da Saúde e ambos os clubes e a qualquer instante poderá ser anunciado o adiamento da partida.

O delegado de saúde de Barcelos estará a dificultar a saída da equipa gilista rumo a Lisboa, cidade do encontro referente à 1.ª jornada do campeonato. Nesta fase, o Sporting não tem ainda qualquer confirmação oficial do adiamento do jogo.

ADENDA #2

O Sporting-Gil Vicente está oficialmente adiado. Administração Regional de Saúde do Norte (ARS) entende que não estão reunidas as condições para a realização do jogo:

"Na sequência da informação que nos foi facultada e da avaliação de risco face aos resultados que foram obtidos em teste de pesquisa de SARS-CoV-2, no cumprimento das competências atribuídas às Autoridades de Saúde, foi decidido pelas Autoridades de Saúde tanto a nível nacional, como regional e local, não estarem reunidas as condições necessárias para a realização do jogo do dia 19/09/2020".

Fica-se a reflectir como é que a delegação de Saúde do Norte tem jurisdição para decidir sobre um jogo que estava agendado para ser realizado em Lisboa. O primeiro adiamento - o primeiro de muitos, porventura - que eventualmente poderá por em risco o campeonato desta época.

publicado às 19:26

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13 comentários

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De João Gil a 17.09.2020 às 21:52

Esperado e inevitável. Os jogadores do Gil Vicente nem sequer autorização para treinar tiveram, pelo que era evidente desde há dias que não haveria jogo. O Sporting-Nápoles foi cancelado por três casos positivos diagnosticados no Sporting. Imaginar que com 26 casos entre os dois clubes se ia jogar a partida com o Gil Vicente só mesmo por distração.
Não há volta a dar a esta situação.
Para haver competição os clubes têm de isolar totalmente as equipas e adoptar uma logística 100% separada de uma multidão de pessoas. A alternativa é sujeitarem acelerada e conscientemente todos os jogadores, técnicos, etc, ao contágio e a imunização, correndo o risco e arcando com as consequências.
Se pensarmos um bocadinho, percebemos logo que a segunda é inexequível. Imagine-se que morre alguém por causa da brincadeira...
Quem arca com as culpas e paga as indemnizações, o director do jornal “o jogo”?
Agora é um pouco difícil voltar atrás no discurso oficial dos últimos 6 meses e fazer como fez a Suécia.
A situação de pandemia declarada e criada e em que o mundo foi mergulhado é de uma complexidade enorme.
No Benfica suspenderam o basketball, pura e simplesmente.
Que volte tudo à normalidade, depressa.
SL

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De Rui Gomes a 17.09.2020 às 21:58

Uma simples pergunta: os jogadores infectados eram para jogar?
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De Anónimo a 17.09.2020 às 22:10

A questão não é se os infectados iam jogar. É saber com segurança se não haverá outros infectados. Perante tão elevado número e a evolucao dos últimos dias em ambos os lados, não creio que seja criticável o adiamento do jogo. Para não falar nos riscos derivados da deslocação de várias dezenas de pessoas para Lisboa, com possíveis assintomáticos, etc...

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De HY a 17.09.2020 às 22:11

Perdão, o comentário era meu
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De Rui Gomes a 17.09.2020 às 22:46

Não vou afirmar que essa sua visão das coisas está errada, mas se eles fazem testes praticamente todos os dias - o Sporting fez hoje novamente depois do treino - qual é a garantia que existe de absoluta segurança?

O jogo do Nápoles foi cancelado por surgirem 3 infectados. O Benfica teve um jogador infectado e jogou na Grécia.

Quando diz "várias dezenas de pessoas", também não é bem assim. Uma comitiva normal é composta por sensivelmente 25, máximo 30 pessoas. Atendendo às circunstâncias, até pode ser um número muito mais reduzido.

Ficamos agora à espera do próximo jogo a ser adiado, e eu creio que vão surgir muitos.
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De João Gil a 17.09.2020 às 22:38

Não. O problema não está nos infectados. Esses, quando diagnosticados, são isolados. Isolados os contagiados, isola-se o problema. Um dos problemas principais está na cadeia e tempo de contágio dos assintomáticos que, apesar dessa condição, infectam os outros. Não há como assegurar que os não diagnosticados e que estão no Algarve não possam entretanto ter sido igualmente infectados, apesar de estarem a testar negativo. Porque há esse risco e pessoas que testaram consecutivamente negativo de repente podem ter um teste positivo. Se esse risco não existisse quer no Sporting quer no Gil Vicente o jogo manter-se-ia.
SL
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De Rui Gomes a 17.09.2020 às 22:51

Por essa ordem de ideias - e não digo que esteja errado - o Benfica teve um infectado e foi jogar à Grécia. Qual era a garantia que não havia mais que ainda não tinham sido detectados?

O Sporting teve três, e o jogo com o Nápoles foi cancelado.

Quanto tempo é necessário passar para garantir que não existem infectados assintomáticos?
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De João Gil a 17.09.2020 às 23:11

Não sei. Provavelmente cumpriram os protocolos e as medidas impostas pelas autoridades daqui, gregas e da UEFA. Ainda há pouco ouvindo um médico português envolvido no processo de definição das regras com a liga e com a dgs pronunciar-se sobre o número de casos do Sporting e do Gil Vicente, uma hipótese levantada foi de que os clubes atrasaram a implementação de determinadas medidas pela chegada tardia de alguns jogadores, o que poderá ter propiciado o contágio tão disseminado. Mas que clubes e autoridades de saúde vão investigar o porquê, vão de certeza.
Mas uma coisa é garantida. Com 26 infectados é porque alguma coisa não correu como o estabelecido nem no Sporting nem no Gil Vicente. Como não aconteceu no Benfica, que suspendeu as equipas de basketball femininas e masculinas e mandou tudo para casa porque tem uma quantidade de infectados não divulgada. Os clubes provavelmente terão de apertar bastante mais os circuitos e a logística das suas várias equipas , senão arriscam-se à repetição destes cancelamentos. Isso sim, podia redundar no caos para as competições. No futebol e nas restantes modalidades.
SL
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De Eduardo a 17.09.2020 às 23:51

Vamos ver se esses argumentos pegam na Liga Europa.
Palpita-me que na próxima semana a eliminatória fica decidida, com jogo ou sem jogo!!!
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De Rui Gomes a 18.09.2020 às 00:00

Havendo jogo, a eliminatória será sempre decidida para a semana, uma vez que é só numa mão.

Não surgindo nada mais de extraordinário, o Sporting terá condições para ir a jogo e tem qualidade suficiente nos jogadores disponíveis para vencer.
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De Eduardo a 18.09.2020 às 10:50

Que a eliminatória é a um jogo já sabia, que o SCP tem condições para ir a jogo também estou certo!
E se não houver jogo?
E se a ARS, tal como agora, decidir que não pode haver jogo devido à proliferação de casos numa das equipas?
É neste caso que me palpita que a coisa fica decidida para a semana...

Imaginemos que na próxima jornada, em coerência, alguma ARS ou várias decidem proibir a realização de alguns jogos. Parece-me que vai ser uma bola de neve.

Qual é o numero de infectados para adiar um jogo? Fica ao critério das ARS?

Acredito que a UEFA não vai brincar em serviço e nos seus jogos vai resolver de imediato.

Aliás já há exemplos na Euroleague:

"Lincoln Red Imps venceu por falta de comparência Alguns jogadores do Prishtina acusaram positivo à Covid-19 e todo o plantel foi obrigado a fazer quarentena, pelo que a equipa não pôde comparecer ao jogo" no ZeroZero


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De João Gil a 18.09.2020 às 00:13

Na liga Europa o risco é de eliminação se não houver jogo. Não conheço as regras mas imagino que se há uma dúzia de infectados em cada clube é porque as regras não tenham sido completamente observadas. A outra explicação seria de que as regras são insuficientes, caso em que os clubes não seriam tidos nem achados sobre a responsabilidade pela disseminação dos casos.
Porque a verdade provável é que o risco não está suficientemente avaliado nem estudado a esta altura para que as autoridades, sem pleno conhecimento técnico e científico, queiram assumir a responsabilidade da decisão de permitir as competições numa situação como a que se lhes deparou no caso Sporting vs Gil Vicente.
Na dúvida, ou na não certeza dos riscos e das consequências, se quisermos, não permitiram o jogo.
SL
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De Leão do Norte a 18.09.2020 às 00:46

Não querendo entrar em pormenores técnicos, alerto para um ponto. Um teste negativo não garante segurança futura e pode ser "um falso alívio", a menos que o indivíduo permaneça em isolamento total. E já não estou a falar em possíveis falsos negativos ou períodos de incubação.
O que em rigor o teste indica (como na grande maioria dos exames médicos) é um resultado referente a um determinado momento e não ao futuro. Quando um jogador testa negativo à covid-19 nada nos garante que ele regressado ao ambiente familiar/social não contacte com alguém positivo e lá se vai a segurança do resultado. Isto só se contorna, como anteriormente disse, ficando em completo isolamento após realizar o teste.
É tendo em conta esta realidade que a abordagem dos clubes deve incidir no controlo o mais apertado e restrito possível dos contactos dos jogadores. Testar só por testar terá efeito diagnóstico, mas pouco preventivo.
Quanto ao período em que podemos garantir que não há infectados assintomáticos é muito difícil saber exactamente, mas podemos extrapolar usando aquela zona ainda muito cinzenta e discutível do tempo de incubação o qual é variável consoante o indivíduo. Sem existirem dados 100% seguros neste campo os estudos fidedignos mais recentes indicam que cerca de 10% pode atingir quase os 15dias. Só por aqui vemos a imprevisibilidade e a dificuldade da situação.
Claro que à medida que o tempo passa e a casuística aumenta o nosso conhecimento é maior e esta realidade pode ser alterada.

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