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Contextos, atitudes e resultados

Naçao Valente, em 11.10.22

O nosso redactor Leão Zargo, com uma grande capacidade de síntese,  faz a comparação entre a equipa actual e a que ganhou o campeonato, escrevendo num comentário, que esta não mostra a mesma capacidade mental e emocional, para sofrer em campo, e interroga-se, se não haverá também falta de disponibilidade. Tenho vindo a interrogar-me sobre essa diferença relativamente à atitude competitiva e chego à mesma conclusão. No entanto, e sem querer menosprezar essa evidência, penso que há outras diferenças que vou procurar especificar, para servir de base a uma reflexão mais desenvolvida.

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A equipa que conquistou o título, de forma imprevisível, começou esse campeonato com expectativas muito baixas. Apenas alguns adeptos, dos mais optimistas, apostariam nessa conquista, com base mais na fé clubística do que em dados objectivos. Era uma equipa nova que contava com João Palhinha e João Mário, e onde entraram  jogadores como Pedro Porro (desconhecido), o veterano Antonio Adán (suplente de onde veio), duas promessas Pote e Nuno Santos, e vindos da formação,  Nuno Mendes e Salomão, além de Matheus Nunes.

Esta equipa começou bem o campeonato ao mostrar personalidade, enfrentado sem medo o poderoso clube das Antas, e que chegou ao primeiro lugar, com uma atitude altamente competitiva, e que surpreendeu. Contudo, sempre manteve um comportamento humilde, acompanhado da estratégia definida como jogo a jogo. O que chamamos de estrelinha também a acompanhou.

Lembro-me, como exemplo, da vitória contra o FC das Antas, na Taça da Liga, dando a volta ao marcador mesmo ao cair do pano. Também em Braga, com dez jogadores em campo, desde muito cedo, conseguiu-se triunfar. Em consequência, a equipa começou a ganhar confiança e motivação, jogo após jogo. Por outro lado, os nossos adversários directos, com um início algo mais irregular, e certamente desvalorizando a nossa equipa, permitiram que se conseguisse um avanço considerável. Quando se aperceberam já era tarde, o que até permitiu, na recta final, desperdiçar alguns pontos.

A equipa da época seguinte, sem grandes alterações, manteve o mesmo ritmo competitivo, jogando até com mais proficiência, e assumindo-se claramente como candidata a todos os títulos, acabando por fazer os mesmos pontos. Perdemos esse campeonato pela maior  regularidade do nosso adversário, e por dois deslizes, que podem acontecer a qualquer equipa. Em suma, na minha perspectiva, uma equipa com mais qualidade, e com a mesma atitude de “fato macaco”.

Nesta época, partimos de um patamar mais elevado, mas com contratempos inesperados. Lesões de jogadores importantes, saída do plantel, do médio Matheus Nunes, com o qual o treinador contava. Pode parecer de somenos mas não foi. Implicou adaptações que não estavam previstas, com reflexo no jogo colectivo. Ao mesmo tempo tivemos, por caprichos do calendário um início muito exigente. Essa situação que gerou perda significativa de pontos, não pôde deixar de ter reflexos no comportamento anímico dos jogadores, sendo ainda agravado com derrotas não esperadas e injustas.

De acordo com o historial que tracei penso que a diferença na estrutura da equipa, e nos resultados negativos, conduziram do ponto de vista psicológico a alguma descrença. Ao contrário do que se verificou no ano do título, essa descrença levou, possivelmente, a uma menor disponibilidade física e mental. Contextos diferentes geram situações diferentes. Vitórias com regularidade, justas ou injustas, melhorarão os níveis mentais e emocionais, com reflexos na atitude.

publicado às 03:04

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43 comentários

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De Luis Carvalho a 11.10.2022 às 16:33

O que mudou de 20/21 para 22/23.

Rúben Amorim: O factor surpresa do seu modelo de jogo desapareceu, também o seu discurso perdeu atractividade, apesar de continuar a ser um muito bom comunicador. Onde anda o “ onde vai um, vão todos”?

Plantel: Mais fraco o desta época, sem dúvida, saíram jogadores muito importantes, Feddal, João Mário, Palhinha, Matheus Nunes e TT. Hoje jogamos com um central adaptado( Matheus Reis), Coates não vai para novo, não repetirá a época fantástica que fez em 20/21, os 3 do meio de agora são inferiores aos de 20/21 e mesmo na esquerda, Nuno Mendes proporcionava outro andamento, apesar de Nuno Santos estar bem.

Lesões: Uma praga esta época, o que levanta a questão da metodologia de treino e do tempo de recuperação das mesmas. P.S. No passado sábado, referi que St. Juste tinha sido substituído por questões físicas, um tal de músculo cansado ou carregado. O Rui Gomes na sua imensa sabedoria, quase me “ batia”, dizendo que era gestão, assim realmente o disse RA na flash interview, mas depois na entrevista pós jogo, referiu-se ao músculo carregado. Hoje sabemos que St. Juste vai outra vez parar, ninguém faz gestão de um jogador com substituições 6 minutos após o intervalo.

UEFA: Não devemos esquecer que em 20/21 praticamente não se jogou, a equipa não se desgastou em jogos muito difíceis como os da Champions.

Atitude: Não crítico muito os jogadores no global, vejo vontade de ganhar, mas há um jogador que ganhou alguns tiques de vedeta, refiro-me a Pote, muito menos batalhador que no passado.

Arbitragem: O Sporting não é do sistema, está tudo dito, mas em 20/21 também não era.

Em conclusão, com piores ovos, não se fazem omeletas tão boas, sobretudo quando os melhores ovos estão indisponíveis. Têm a palavra RA e os jogadores, a equipa, os adeptos têm no essencial feito o que lhes compete, apoiar.

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De Naçao Valente a 11.10.2022 às 17:19

Luís Carvalho,

Não posso deixar de concordar com a sua análise. Acrescentou um factor que não abordei, mas que está implícito: Em 2020/2021 não thavia a mesma sobrecarga de jogos. A propósito lembrei-me que nessa época jogámos, sem espectadores e com menos pressão. Não estou a pôr em causa a presença do público, mas em boa verdade, podem ser uma arma de dois gumes .Por fim, e em relação a Pote também o vejo sem as mesmas "ganas", como diria o amigo Julius, do que nessa época.
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De Manuel a 11.10.2022 às 18:05

E a capacidade, eficácia da mensagem ser transmitida, recebida e aplicada adequadamente está pior. Razões de todo o lado, mas em Amorim principalmente, pois é o responsável. Espero que ele perceba e saiba dar a volta. Afinal, por muito bom que seja (e é) ainda não sabe tudo.
Saudações Leoninas
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De Naçao Valente a 11.10.2022 às 18:32

Manuel,

Amorim nunca disse que sabia tudo, antes pelo contrário, e muito menos fugiu a responsabilidades. Peço desculpa mas não percebi o que queria dizer com a questão da eficácia.
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De Manuel a 12.10.2022 às 05:26

Caro Nação Valente. Expliquei mal. Amorim nunca disse isso, de facto. Eu é q chego a essa conclusão. Sempre achei q apesar da juventude e, consequentemente, inexperiência ele tinha uma intuição extraordinária q lhe permitiu ter o sucesso que teve, tem e vai ter. À medida que vai acumulando experiência e conhecimento vai melhorando. Para mim, o mais notável era que os jogadores captavam e depois aplicavam a mensagem do treinador corretamente com eficácia. Ora, isso perdeu-se um pouco em comparação com os anos anteriores. Esta falta de intensidade, foco, concentração q tantos referem tem a ver com isso. Dá a sensação que era mais fácil ao princípio que agora. É neste ponto q eu acho q há margem para Amorim melhorar. Recuperar aquela eficácia na transmissão da mensagem. Continuo a gostar muito do Ruben Amorim e acho q vai melhorar. Depois há inúmeros factores q influenciam, como a personalidade dos jogadores q vai evoluindo (não necessariamente no sentido dos interesses da equipa) entre muito outros q não vou enumerar (mas q seria interessante fazer). E Amorim tem de navegar no meio disso tudo e chegar a bom porto. Desejo-lhe a maior sorte.
Obrigado por me ter respondido.
Saudações Leoninas.
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De Leão do Norte a 11.10.2022 às 18:29

Caro amigo Nação Valente,
Aquando do comentário no nosso amigo Leão Zargo abordei a pertinência do tema.
Apesar de válidas, algumas comparações acabam por ser um exercício difícil, até injusto, dado que as realidades são únicas e irrepetíveis.
Aos diversos aspectos apresentados e a outros já debatidos, gostaria de acrescentar um que me parece relevante, e deferenciador, na génese da capacidade mental e emocional de ambas as equipas. A presença de público.
O público, para o bem ou para o mal, é um forte influenciador do aspecto mental e emocional dos jogadores. E não me custa admitir que a capacidade de resposta que a equipa campeã apresentava, para dar a volta a resultados adversos nos minutos finais, poderia ter sido afectada pela impaciência externa que previamente ocorreria.
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De Naçao Valente a 11.10.2022 às 18:47

Caro amigo Leão do Norte,

As comparações em realidades diferentes, são sempre relativas, o que não implica que não se abordem, com exercício algo especulativo e com intuito de perceber o presente.

No meu texto não abordei a questão do público. No entanto, na resposta a um comentário, veio-me à memória esse facto, acabando por o inserir na discussão. Como lembra, e bem, no seu texto a não presença do público foi importante para o êxito, pelas razões que invoca. Mas como escrevi na referida resposta, essa presença, "é uma arma de dois gumes".
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De Leão do Norte a 11.10.2022 às 20:26

Amigo Nação Valente,
A minha nota introdutória sobre as comparações em realidades diferentes não procurou limitar ou impedir o debate e uma possível compreensão de determinada realidade. Antes foi uma forma de enquadrar as explicações no difícil que é comparar estas realidades.
De todo não me apercebi que o caro amigo já tinha, previamente, abordado a questão do público. Peço desculpa pela forma como dei a entender que tomei a iniciativa de trazer o tema do público a debate.
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De Naçao Valente a 11.10.2022 às 22:20

Amigo Leão do Norte

É natural que não se tenha apercebido da resposta em que abordei a questão do público. Eu também, quando comento, não leio todos os comentários. Teve a vontade e a amabilidade de comentar o meu texto, no qual não referi esse facto. Nunca me passou pela cabeça que pretendesse ter a pretensão de tomar a iniciativa. Limitou-se, na minha perspetiva, a acrescentar um factor importante, senão decisivo no caminho para o título. Quem o referiu primeiro, não é significativo.
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De Rui Gomes a 11.10.2022 às 23:15

Não é fácil ler constantemente todos os comentários.

Também me acontece!
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De Leão do Norte a 12.10.2022 às 00:21

Principalmente quando temos de conjugar diversas tarefas.
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De Rui Gomes a 12.10.2022 às 00:32

Sim, pior para si, obviamente!
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De mike1906 a 11.10.2022 às 18:47

Na minha opinião e resumindo, acho que o falta a esta equipa é mais jogadores de qualidade. Estamos demasiado dependentes de 4 ou 5 bons jogadores que temos e os restantes, quando as coisas vão correndo bem, conseguem acompanhar, quando não correm bem, são os primeiros a abanar. Quando Coates se lesiona, Porro se lesiona, Pote está uma sombra do que já foi, Ugarte desgastado, sobra quem? Uns fogachos de Edwards, Trincão e N Santos... muito pouco para se manter uma regularidade competitiva suficiente.
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De Naçao Valente a 11.10.2022 às 18:52

Mike 1906,

Boa síntese da situação. Temos além de um plantel curto, algum desnível na sua qualidade, não havendo substitutos à sua altura. É difícil fazer omeletas sem ovos.
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De mike1906 a 11.10.2022 às 19:18

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