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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Estaremos próximos de ganhar. Em Campo.
Aproxima-se a época 2016/2017. A ilusão dos adeptos encontra-se neste momento num patamar de elevada confiança, não directamente pelos resultados expectáveis em relação à época transacta, mas essencialmente pelo novo “estado de alma” no qual se posiciona o “casamento” entre os aficionados e Clube. Um Sporting essencialmente aportado à ânsia de vencer, numa corrente de ligação extremamente emocional: uma dialéctica popular, directa ao coração, apela-nos a uma devoção sem limites assim como a uma confiança inabalável de quem dirige, de quem comanda, de quem joga.
Se o campeonato começasse já hoje, sem mais possibilidade de perdermos qualquer peça importante no plantel, acreditaria – quase garantidamente – que os próximos vencedores seríamos nós. O Treinador ficou, os modelos de jogo mantêm-se, os jovens jogadores estão empenhados em demonstrar "o que valem", enquanto os mais experientes reconhecem a montra da Champions que garante memórias futuras inesquecíveis. Deseja-se igualmente personalidade, rigor, ambição e principalmente menos exposição e mais introspecção. E no final naturalmente, o nosso Sporting campeão.
Estaremos próximos de perder. Em Contas.
Deixando para trás as emoções que a nossa equipa nos oferece, mensagens positivas de resultados financeiros nos foram transmitidas a jusante. Conotada a “tal” restruturação económica” ao bom desempenho directivo, alguém diz que hoje o Sporting “respira” saúde nas suas contas. Supomos nós que falará quem sabe, apresentando Carlos Vieira uma inegável auto-confiança nesta independência em relação ao passado sombrio das finanças do Clube. Os argumentos são válidos? Depende. O sucesso de um filme depende do actor, do realizador, ou do budget que os estúdios cinematográficos proporcionam à qualidade de produção da obra ou ao pagamento de honorários dos referidos intervenientes?
Minuto de silêncio e reflexão pelo argumento “emoldurado” em 2014 no R&C:
“Irão ser feitos esforços da SAD em aumentar as receitas “clássicas”, assim como a criação de outras actividades geradoras de retorno, como por exemplo ao nível de apostas desportivas e transferência de know-how a nível das Academias Sporting”.
Sejamos honestos: se estes são o melhor exemplo de “Actividades Geradoras de Retorno, então estamos perante uma gestão sem ideias. Para os mais cépticos, iremos ver porquê:
Recordando os Proveitos Operacionais de 2014 (35.344M€) perante os valores de 2016 (54.747M€), assistimos a um aumento de 19,4 Milhões de Euros. Bravo, Carlos Vieira. Mas se retirarmos os proveitos extraordinários de Bilheteira (+3,9M€), Direitos TV (+3,5M€), as Quotizações (+2.1M€) participação em competições europeias (+8,5M€), Publicidade (+1,4M€) – num total de… 19,4 Milhões de Euros! – verificamos que a “genialidade” das referidas AGR proporcionam 0 (zero) euros de retorno! O clube limitou-se a acompanhar a evolução da taxa de inflação aplicada aos proveitos "clássicos", uma não-presença em competição europeia no relatório anterior, assim como recolher os frutos da mobilização dos adeptos. Se compararmos o ano de 2015, em 2016 o Sporting perdeu mesmo 5,9M€ em receitas acumuladas de competições europeias e Publicidade.
Esta é a realidade. Em 2016 o Clube apresenta um Cash-Flow de quase -1M€ (negativo), Resultados Operacionais de -13.754M€ (negativos) e um valor de -17.106M€ (negativos) em Resultados Líquidos do Exercício. Um Passivo Corrente e Não-corrente de -245.547M€ (negativos) com Capital Próprio de -10.133M€ (negativos). Mais o “descoberto” bancário de -23.039M€ (negativos). Ou seja:
- Balanço Contabilístico Anual: Negativo
- Income Statement: Negativo
- Cash-Flow Statement: Negativo
Não consigo compreender a mensagem desta Direcção, muito sinceramente. Nada de novo, nada de proveitoso. Só se aproveita mesmo é o folclore dos recebimentos por parte dos adeptos ao “Moisés de Alvalade” na caminhada ao McDonald’s.
Acreditar que exista no organograma directivo do Sporting alguém responsável pelo bom momento do clube, é atirarmos areia para os olhos de quem saiba interpretar métrica financeira. O Clube promove o equilíbrio perante a vertigem. Jorge Jesus, “segundos lugares a dois pontos do primeiro” e holocausto de Facebook fazem o resto. O Sporting evoluiu em proveitos porque o “estado de graça” devolveu ao Clube os adeptos (estes gastaram mais em merchandising, quotizações, bilheteira,…) mas foram números insuficientes para pagar sequer os Custos Operacionais num trimestre! Sujou-se o bom nome do nosso clube nas diversas campanhas promovidas contra os moinhos de vento, desperdiçando ao mesmo tempo todo um aumento de investimento que os adeptos em massa fizeram. Pior? Os Custos Operacionais em 2 anos aumentaram 13.708 Milhões de Euros.
Em 2026 o Sporting muda de “dono”
Serei responsável se estiver enganado, mas em 2026 o clube perderá a maioria do seu Capital Social a benefício dos credores bancários. Porquê? Porque essa é uma das duas garantias que a Banca exigiu ao Sporting em 2014 nas fantásticas VMOC’s, onde é lido:
- “Não existência restrições à transmissibilidade das acções da Sociedade.”
- “Não existirem cláusulas com objectivo de constituírem medidas defensivas à alteração do controlo accionista por parte dos Credores.”
Tal só não será possível se entretanto não aparecer um "Angel" que adquira participação maioritária do Capital Social. O lado não visível da Reestruturação Financeira é o tal que Vieira assume quando formaliza que “Os nossos parceiros querem é que os seus créditos estejam sustentados por activos de valor superior”. Ou seja, a efectiva recuperação das percentagens dos passes dos jogadores ao parceiro Holdimo foi basicamente um resgate de uma apólice ao processo de financiamento da Banca, que se compromete assim a abrir uma Linha de Crédito ao Sporting em 2016 de 45.496M€ (em obrigação corrente de 7.366 M€) mais um Factoring de 29.66M€ (em obrigação corrente de 17.858M€). Então a verdade é esta:
- O Sporting sobrevive de financiamentos bancários, tem os passes dos jogadores hipotecados e terá mesmo já recebido parte de futuras vendas (Factoring). Nada que já não tivesse sido falado no Camarote Leonino.
Dirá o adepto comum: “Esse valor é facilmente coberto se vendermos o João Mário por 35/40 Milhões de Euros, certo?” Errado. O Sporting tem ainda 12.836M€ a pagar a Fornecedores, sem esquecer comissões e impostos imputados a vendas, numa soma global que nos diz que se tem de “fazer” 50M€ até Setembro. Portanto, o provável é a venda de dois jogadores – Slimani e João Mário podem ser o caso. Ou esperar pelo retorno das misteriosas “Actividades Geradoras de Retorno”...
Em Suma
91 Mil Euros anuais à PricewaterhouseCoopers & Associados afiançam a credibilidade das informações contidas no R&C de 2014/2015, embora o R&C de 2015/2016 não tenha sido ainda auditado, creio eu. O que significa que todos os valores que apresentei podem ser verificáveis por quem não acredite no que está escrito neste texto. Uma última palavra para a Holdimo. Não se prevê uma ordem de “Stop-Loss” a este investidor num futuro próximo (resgate do capital e encerramento de participação) sem recolher juros do que está investido – a Holdimo estará a aguardar pacientemente por 2026?
O que nos permite ficar aliviados, é o facto do Sporting nunca deixar de ser um Clube de futebol. Seja com a Banca, com a Holdimo ou um qualquer pateta a comandar os destinos financeiros do Clube.
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