Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Não era minha intenção voltar a comentar o caso envolvente de Paulo Pereira Cristóvão. Salvo a recém-pronunciada sentença, praticamente tudo já foi dito sobre o processo do ex-vice-presidente do Sporting. Para encerrar o assunto, citamos aqui os principais factos e algumas considerações.
Reiteramos, sem hesitação, contudo, que Paulo Pereira Cristóvão teve a ideia certa que pretendeu realizar pelos meios errados e, diga-se, de forma muito ingénua, especialmente considerando que foi um agente da polícia. As então suspeitas sobre o antigo árbitro José Cardinal não desapareceram apenas pelo surgimento deste processo, e tanto assim é, que nunca mais se viu ou ouviu falar da pessoa. Que a Federação Portuguesa de Futebol não se tenha dado a uma investigação profunda das suas actividades, é uma questão que fica por explicar.
De qualquer modo, Paulo Pereira Cristóvão foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão com pena suspensa no âmbito do processo Cardinal, pelos crimes de peculato, denúncia caluniosa agravada e acesso ilícito informático, o que deu o cúmulo jurídico de quatro anos e seis meses com pena suspensa.
Na leitura do acórdão, não foram dados como comprovados os crimes de danos patrimoniais, uma vez que foram considerados improcedentes. No caso dos danos não patrimoniais, que José Cardinal havia reclamado, o árbitro assistente vai receber 40 mil euros de indemnização.
Quanto aos 35 árbitros também envolvidos no processo, com queixas apresentadas, Paulo Pereira Cristóvão foi condenado a pagar 500 euros a cada um, o que perfaz um total de 17.550 euros. No global, o ex-dirigente dos leões vai ter de desembolsar 57.500 para indemnizar os árbitros. E, mediante esta decisão, ficou determinado que Pereira Cristóvão fica obrigado a fazer uma transferência anual de 13 mil euros e de 5.500 euros até ao último ano da pena.
Nas alegações finais, a 25 de Janeiro, Paulo Farinha Alves, o advogado do antigo vice-presidente do Sporting, pediu a absolvição de todos os crimes. Na parte do processo que deu nome ao caso e que se relaciona com um depósito de 2.000 euros na conta do árbitro assistente José Cardinal, para posteriormente o acusar de suborno, o advogado Paulo Farinha Alves entendia que o seu cliente devia ser ilibado.
De acordo com a acusação, Paulo Pereira Cristóvão terá pedido ao seu colaborador Rui Martins para ir ao Funchal efectuar um depósito de 2.000 euros na conta de Cardinal, para posteriormente o acusar de ter sido subornado antes de um jogo entre o Sporting e o Marítimo.
Paulo Pereira Cristóvão era também acusado de ter criado uma lista com dados pessoais de árbitros, 35 dos quais reclamaram o pagamento de indemnizações cíveis, por se sentirem intimidados com a divulgação da mesma, tendo o antigo dirigente sido condenado então ao referido pagamento de 500 euros a cada.
O Sporting, que foi testemunha no processo, garantiu ter dado imediato conhecimento à Federação Portuguesa de Futebol, da recepção de uma carta que denunciava um alegado suborno ao árbitro assistente que deveria ter integrado a equipa de arbitragem de um jogo seu e o Marítimo.
Em tribunal, Godinho Lopes, à data presidente do clube, reconheceu que sabia que era feita vigilância aos jogadores, admitindo ter sido "demasiado 'naif'" em certos aspectos, nomeadamente na delegação de competências em Paulo Pereira Cristóvão.
Acredito que Godinho Lopes não tenha tido prévio conhecimento da operação Cardinal, no entanto, o todo da sua óbvia ingenuidade recai inteiramente sobre a escolha de pessoas para o então elenco directivo do Sporting, neste caso concreto, Paulo Pereira Cristóvão.
Isto não obstante, já aqui o afirmei, logo no primeiro dia, e volto a reiterar, que nem sequer começo por compreender o que de errado ocorreu com a vigilância aos jogadores - uma das práticas mais velhas do futebol - e muito menos ainda como foi parar ao foro jurídico.
Um episódio lamentável que chega agora ao seu termo.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.