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Darwin é do Sporting

Drake Wilson, em 25.05.18

 

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Existe uma circunstancial expressão embrionada na década de 90, que tão cruamente expõe a falsa moralidade que rodeia o Futebol português – diz-se por outras palavras, que a Verdade nada mais é do que uma virtuosa Mentira consentida, delimitada ao seu prazo de validade. Foi Pimenta Machado que reconheceu, com ou sem noção, uma distopia que compreensivamente se perpetuou, porque no Futebol – como na Vida – vigora uma ténue fronteira entre a integridade e o sadismo.

 

Após a barbaridade que ocorreu em Alcochete – grave, mas natural consequência de um modelo de liderança reaccionário aceite por muitos e que se estendeu demasiado no tempo, acabando em auto-flagelação expontânea – a reacção dos Adeptos priorizou persistentemente a palavra “Sporting” como grito de guerra, penitenciando-se ao Mundo em discursos e lições homéricas de sportinguismo, típico de pessoas que não entendem o desnorte onde vivem. Qualquer semelhança entre o fim do Mundo e o fim do Sporting é apenas pura coincidência, mas a colectiva histeria lá está, faz o Adepto viver assim, não entendendo a verdade.

 

Talvez a culpa seja da sua natureza. Orgulhosamente monoteísta e sem resposta para o que o transtorna, o Adepto invariavelmente domicilia a sua servidão ao Ser sebastianista cujas aptidões retóricas o deslumbram, sem as quais se sente confuso e desintegrado. O Adepto permite que entidades tão díspares como Sporting, Juve Leo, Banca, João Rocha, Mustafá, Santana Lopes, “Bigodes”, Yazalde, Jorge Sampaio, Mister do Café, José Roquette, Bruno de Carvalho, Marco Ficini e Rogério Alves ocupem de igual modo, embora em diferente espaço temporal, a mesma esfera biológica sob sua protecção. No fundo, o Adepto tal como o Homem, dispõe de uma génese orgânica que por vezes o impede de separar o bem do mal, como o belo do grotesco. O Homem Bom, é bom demais para ser verdade, e por consequência, um Mentiroso. Logo, o Homem Mau é solução.

 

O Senhor da Guerra nunca vive em Paz.

 

O assalto ao poder protagonizado por Luís Duque há cerca de 20 anos, recorrendo a um esquema de terrorismo em todo semelhante ao recentemente verificado na Academia, levou à queda de José Roquette, e ao único projecto verdadeiramente eficaz que o Sporting teve, posterior a João Rocha. Aos filhos deste, fundadores da Juventude Leonina, coube a instrumentalização de um motim dentro do próprio Estádio de Alvalade, superiormente aproveitado não apenas pelas pretensões do Solicitador-Duque, como por retaliação de quezílias pessoais entre Roquette e Rocha.

 

Algo me convence que, pelo seu carácter impulsivo e por vezes egocêntrico (defeitos, entre muitas virtudes), Rocha dificilmente aceitaria, em termos pessoais, presidente algum no Sporting que lhe conseguisse superiorizar um feito. Roquette, não em termos de títulos mas estruturalmente e organizativamente, conseguiu-o. O Projecto Roquette durou 5 anos, culminando num golpe palaciano. Ao contrário do que sucede com Bruno de Carvalho, ninguém lhe "pediu" para sair. Roquette, simplesmente fartou-se da presença do grupo de pressão organizado.

 

Avancemos alguns anos. Se recorrermos à imagem que testemunha Bettencourt servil a um ex-líder de Claque, ou recordarmos mais tarde, a invasão a Alcochete por parte de um grupo liderado por Mustafá em 2016, passando ainda pela recente advertência de Bruno de Carvalho aos seus Atletas na perigosidade de uma confrontação com o líder do maior grupo de apoio – 1 dia antes das agressões, com efeito – percebemos de quem o Sporting e os seus Presidentes se tornaram, efectivamente, reféns ao longo de 20 anos.

 

O paramilitarismo correctivo do referido grupo de adeptos junto de Sócios, Presidentes e até Atletas, brotou um clima grotesco dentro do Clube, do qual Bruno de Carvalho ou algo semelhante, resultaria com toda a naturalidade em Presidente. Poderá demorar 3 horas a declamar o que se conclui em 10 minutos, mas Bruno de Carvalho, versão Tallon Made, sempre terá uma apresentação mais digna que o líder de claque. 

 

Temos um inegável problema que poderá ser resolvido hoje, como resultado da reunião entre Jaime Marta Soares e Bruno de Carvalho, ou poderá esta questão nunca ter um fim, se olharmos exclusivamente para o Presidente como a génese dos problemas.

 

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publicado às 03:46

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22 comentários

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De Bento de Jesus Carvalho a 24.05.2018 às 20:31

É sempre com prazer que leio os seus posts! Parabéns
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 20:50

Obrigado Bento.
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De Luís Silva a 24.05.2018 às 20:31

Excelente post. Os meus parabéns ao autor.
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 20:50

Obrigado Luís.
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De JAntunes a 24.05.2018 às 20:34

Um nível de excelência nos seus escritos que faz com que seja um duplo prazer visitar este blog.
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 20:51

Obrigado JAntunes.
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De de Vigia a 24.05.2018 às 20:37

Drake Wilson, clarividente como sempre!!

Como já antes por aqui afirmei, a minha percepção das circunstâncias mudou. Aguardo agora pelos novos eventos que, circunstancialmente, me permitam apoiar uma solução que eu percepcione sólida, credível e duradoura que se divorcie de uma vez por todas do tipo de presidentes que acabou de caracterizar, para bem o nosso Sporting e da nossa sanidade.

SL
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 20:46

Boa noite de Vigia.

Essencialmente, se me permite, um Presidente que se preocupe menos com os Adeptos e mais com o Clube. Porque no fundo – e porque me parece essa a sua posição – pelo bem e pelo mal os Adeptos estão lá pelo Sporting, e não pelo A ou B.
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De de Vigia a 24.05.2018 às 21:26

Boa noite DW

Não sei se menos com os Adeptos e mais com o Clube será a solução. Os Adeptos são o Clube, que o é apenas por ter Adeptos, acho que éincontornável!

Se agora me permitir, penso que o que me quis dizer é que o Presidente para o ser não precisa de andar na "caixa", ao contrário deverá ter um comportamento cultural/publico/institucional estudadamente equilibrado no Racional do Gestor com a Emotividade (controlada!) do adepto que existe em cada um de nós.

Será difícil mas esperemos que apareça pelo menos um!!

SL
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 21:48

De Vigia, com algum humor...

Eu diria que, se os Adeptos querem amor correspondido, que paguem por ele de modo consentâneo entre duas partes, ou deixem-no simplesmente acontecer pela ordem natural que qualquer vida com dignidade, organização e paciência irá invariavelmente lhes trazer.

O Sporting não pode ser o Country Club dos mal-amados, se me compreende. Lembre-se que o Adepto oscila ténuamente o seu monoteísmo entre o 11 de Setembro e o 25 de Dezembro. O Adepto cede demais à intolerância, limita-se a seguir linhas de raciocínio. Se o Adepto quiser, que se torne accionista, ou perdoe-me a expressão, que se cale para sempre.

Olhemos para o Sporting sim, essencialmente para as suas necessidades e falências, e procuremos soluções em pessoas e projectos competentes. Desconfie quando alguém promete algo que nunca ninguém viu.
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De de Vigia a 24.05.2018 às 22:03

Caro Drake Wilson, longe de mim querer ou defender as relações amorosas desse tipo e ainda por cima pagando-as!! Isso tem um um nome.....
Também a comparação do "ópio do povo" com com Adeptos do Sporting não me parece adequado e considero ser abusivo no que a mim diz respeito.

Tenho ainda a dúvida se estou a ler mal ou posso interpretar que o DW defende para o Sporting uma solução semelhante aos Clubes ingleses que venderam a maioria das sua acções a investidores independentes e sem raízes no Clube ou no País e passar a ter um CEO contratado?

Acha que os portugueses estão capazes de colher essas possibilidades para os seus Clubes ?

Por mim estou céptico.

SL
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 22:35

De Vigia, procurei jogar com humor num assunto naturalmente sério. Não se sinta ofendido, embora acredito que reconheça a "libertinagem" intelectual que, infelizmente, tomou conta do nosso Futebol.

Não leu mal. Eu defendo totalmente a privatização da Indústria, de A a Z. Não vejo modo de contrariar esse destino, tendo em conta que a emissão de títulos de dívida para competir só empobrece as instituições, nomeadamente numa Economia como a nossa. Por outro lado, não faz sentido centralizar receitas de 10 épocas para investir numa, como sucede.

Talvez um assunto para outro momento.
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De de Vigia a 25.05.2018 às 11:13

Não estou ofendido!!! Digo até que o acompanho na ideia da privatização dos Clubes. No entanto somos latinos (com tudo o que isso tem de bom e mau), não somos anglo-saxónicos (mais frios e não tão dados a paixões) e isso pode fazer toda a diferença.

Um abç e Saudações Leoninas
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De Pedro Santos a 24.05.2018 às 20:48


Tenho as minhas dúvidas sobre um resultado positivo da reunião de hoje, mas acho importante tomar nota destas palavras de Marta Soares:

"Vamos reunir com o Conselho Diretivo para vermos se conseguimos consensualizar o que importa fazer, que é criar estabilidade no clube. Nada ficará como dantes e hoje será uma reunião decisiva. A mesa da AG não queria utilizar o recurso de uma AG de destituição. Se isso tiver de acontecer a responsabilidade não é da AG, que tem feito tudo o que está ao seu alcance para ultrapassar esta dificuldade. Há sócios a pedir AG de destituição que temos vindo a evitar, mas não vou ignorar a vontade dos sócios."

Excelente post, parabéns!
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De Pimenta a 24.05.2018 às 21:16

Para BdC nada que não o favoreca é decisivo.
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 21:18

Boa noite Pedro.

Uma frase contendo "consensualizar" e "estabilidade", demarcando a intenção da destituição do Presidente por acção directa da Mesa de AG, só me parece ter um sentido:

– Dissimular uma intenção de mudança em jogos de palavras patéticos.
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De Maria Belen a 24.05.2018 às 21:44

Bruno de Carvalho não estará na génese dos problemas. Ele é O problema. Ele está no início de problemas que nunca existiram. Está no perpetuar de outros.É o criador/instigador do que ainda não se viu e viveu no, e pelo, Sporting Clube de Portugal.
É o menino que arranja briga e quando chamado "à pedra" e é repreendido, a mãe pergunta logo quem o levou a fazer aquilo. É o presidente do Sporting Clube de Portugal que sabendo que os tais - amigos, protegidos e sabe-se lá mais o quê dele - afirmam que vão às instalações profissionais do Clube dar um apertão - ou pregar um susto - ao Plantel PROFISSIONAL (na véspera da última prova derradeira passível de vitória) e diz "olha, façam como entenderem". É o presidente de uma instituição que tem o seu melhor marcador agredido com um cinto, o preparador agredido com um bidão de água e o que diz?! Que é chato. Mas normal...

Eu desisto. Mesmo. Com medo de fantasmas e fantasminhas vivem sempre as pessoas com Bruno de Carvalho. Do que ele pode dizer, do que as pessoas suas inimigas podem fazer ou dizer, do que os amigos dele podem fazer... viver de mãos e pés atados a um megalómano que sempre soube tudo o que Drake fala, aliás conhece os mecanismos e poder dos mesmos como ninguém, e se aproveitou disso até há uma semana ficar completamente refém desse mesmo aproveitamento.

Da reunião não sai nada. Bruno continua. Até poderá vir dizer que se somos mais felizes assim, ele vai passar a calar, a não falar, a não reagir. Já o fez. Em relação a tudo. Para voltar atrás e voltar ainda pior. Até poderá, desta vez, durar um pouco mais a promessa porque primeiro já ninguém o leva e ao Sporting a sério ao ponto de querer saber, segundo vai entrar o defeso, terceiro o Bruninho vai ter muito que negociar em bastidores com todos os que se podem sentir orfãos da sua técnica que lhes dá combustível. E se Bruno respeitar a promessa... bom, é como aquela anedota do homem que vai ao médico dizer que corre 20 km por dia, não bebe, não fuma, não come doces, gorduras, se abstém de sexo... e pergunta ao médico se acha que ele tem hipóteses de viver até aos 100 anos. Ao que o médico responde: "de certeza, não estou bem a ver é para quê."

E pensar que com educação de base tudo isto poderia ser evitado...
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De João Paulo Gonçalves a 24.05.2018 às 21:53

Excelente, como é costume
Óbvio que os clubes vivem reféns das claques. Claques que podiam ser um belo complemento ao futebol fora do campo, mas que são exactamente o contrário.
Nunca percebi a subserviência de tanta gente às claques. Acredito que seja por medo.
Não faço grandes distinções entre as claques dos clubes, mas as visitas da Juve Leo a Alcochete, ou na garagem de Alvalade, não podem ser encaradas como normais. Isto sem falar sequer do que se passou na terça feira da semana anterior...
Ver Fernando Madureira, autor de um livro em que relata o comportamento criminoso da sua claque, aos abraços ao Presidente da Liga, a ser convidado para palestras sobre a violência ou a liderar uma claque de apoio à Selecção Nacional, é surreal.
Os No Name, nunca legalizados e com elementos responsáveis por duas mortes, ou as claques do Guimarães que invadem os treinos do clube idem, idem, aspas, aspas...
O Presidente do SCP é oriundo da claque. Não se vira contra ela. Promessas de fim dos privilégios passam depressa. Para o próximo jogo de futsal, os sócios da Juve Leo não pagam bilhete, por exemplo... Privilégios que nem deviam existir.
A única solução para este problema, para mim, é legislação que proíba as claques. Em Inglaterra conseguiram limpar o futebol. Houvesse essa coragem no nosso país...
(peço desculpa pela extensão do comentário)

Saudações desportivas.
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De Drake Wilson a 24.05.2018 às 22:10

Boa noite João Paulo Gonçalves.

O fim das Claques, concordando invariavelmente consigo, será a primeira solução de todas.

Porém, uma medida dessa natureza obrigaria formalmente o Estado a tutelar uma supervisão sobre o fenómeno desportivo português. Com humor, não seria nada de mais, se considerarmos o investimento a fundo perdido que o mesmo tem feito na edificação de infra-estruturas, valor consideravelmente superior ao investimento que faz na Cultura e Ensino.

Margareth Tatcher tocou na ferida, num país onde o Futebol e a Sociedade viviam a ferro e fogo. Tornou-se impopular, mas permitiu a viabilização para a seriedade – como base, anos mais tarde, à Premier League.

Em Portugal, temos uma Política de Club Med, se me compreende.
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De JCR a 24.05.2018 às 22:02

De facto, nós, como clube, estamos prestes a acabar, e digo isto, após o que agora vi nas várias TVs, quando JMS, veio marcar, para 23 de Junho, uma AG Extraordinária, para destituição de BdC, e foi ver os vários histéricos e histéricas, a gritarem Bruno, Bruno, e a chamar traidor, a JMS, inacreditável o que ouvi e vi...

Uma limpeza é necessária, em Alvalade, e se não for feita, como clube, estamos a terminar, porque os TERRORISTAS de Alcochete, ainda estão ao monte, e bem activos!
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De Francisco Esquina a 24.05.2018 às 22:05

Porque me picaste, escorpião? Assim, morremos.
“É a minha natureza, sou assim”
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De Pastor a 25.05.2018 às 15:10

Na mouche. Excelente texto.

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