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Das obscenidades

Rui Gomes, em 08.04.20

Obsceno é o número de clubes que precisam mesmo de ajuda em tão pouco tempo.

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É claro que toda a gente acha obscenas as cifras do futebol, mas temos verdadeira noção? Vou citar algumas... A receita conjunta das dez maiores ligas da Europa chegou, em 2018/19, aos 18 mil e 300 milhões de euros. Repartido esse valor pelos 182 clubes desses campeonatos, ficamos com um parcela de 100 milhões de euros para cada um, ou seja, teríamos 182 clubes com orçamentos semelhantes aos de Benfica e FC Porto. Respeitando o fair play financeiro da UEFA, afectamos 70% desse valor (70 milhões) para salários, dividimos por um plantel de 25 e sobra-nos um vencimento anual bruto de 2,8 milhões de euros para cada um dos 4550 jogadores.

O futebol europeu está submerso em dinheiro. Se pensarmos que a maior parte dele se concentra em cerca de 10% daqueles 182 clubes, a obscenidade ainda consegue crescer, mas nada nos prepara para a maior de todas: apenas uma mão-cheia daquelas quase duas centenas de empresas não está, neste momento, em pré-falência, sem meios para garantir mais do que dois meses de hibernação, e talvez eu esteja a exagerar quando falo em dois meses. O futebol não é uma máquina de fazer dinheiro; é uma máquina optimizada para garantir que não fica lá um cêntimo.

O presidente do Sindicato dos Jogadores acerta quando ataca a moralidade do bicho, mas não quando dá a entender que os clubes só têm uma dorzita de barriga. Não, estão mesmo nas últimas e alguns precisam mesmo de ajudas do Estado, por culpa deles, primeiro, por culpa da UEFA, por culpa da União Europeia e também muito por culpa das organizações sindicais de jogadores que combatem tectos salariais, que ajudaram a desregular o futebol na UE chegando a exigir o fim das janelas de transferências, para que o negócio durasse o ano inteiro. Não há santos aqui. Mas há falidos, sem dúvida nenhuma, e às mãos-cheias.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 11:30

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