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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
O registo das claques Juventude Leonina e Directivo Ultras XXI, junto da APCDV, foi definitivamente cancelado, passado que foi um ano sobre a suspensão do mesmo.
Significa isto que tais claques já não são oficialmente consideradas GOA (Grupos Organizados de Adeptos) e, consequentemente, não podem beneficiar de qualquer apoio por parte do Clube.
Face ao comportamento recente destas claques – nunca esquecerei a tocha de fumo negro mandada para cima do coitado do Luís Maximiano, ou o ‘Varandas Out’ em Trondheim – esta decisão da direcção do Sporting foi mais do que justificada.
Com efeito, por força de diversas circunstâncias históricas, o papel de apoio que as claques era suposto desempenharem – e, reconheça-se, no Sporting, faziam-no bem – perverteu-se e transformou-se entretanto em centros de negócios ilícitos, agências de emprego, moços de recados, espaços de conspiração política, instrumentos de intimidação e poderes paralelos.
Deu no que deu.
A actual conjuntura sanitária, que excluiu as assistências no futebol, tem, de algum modo, marginalizado este problema.
Só que, quando voltarem os adeptos ao estádio, haverá que definir o papel destas claques, porque, GOA’s ou não, aquilo que andaram a fazer no passado recente, em Alvalade, é, pura e simplesmente, inadmissível e irrepetível.
Eu acho que compete a estas claques escolher de que lado é que querem ficar, à porta do recinto ou dentro dele. Se optarem pelo segundo, têm, inevitavelmente, de percorrer um longo caminho das pedras, qual seja o de convencer os sportinguistas que são capazes de se regenerar e voltar a ser aquilo para que foram criadas. E, claro, penitenciar-se pelos desmandos cometidos, de que Alcochete foi a página mais negra.
Eu não acredito em insubstituíveis, e se a Juve e o Directivo não quiserem mudar de rumo, outros virão para as substituir. Quem se lembra do que era o grande ambiente de festa, no Alvalade antigo, nos anos oitenta, com a música dos Vapores do Rego e a animação das bandeiras, não pode deixar de sentir muita mágoa por uma coisa tão bonita se ter deixado estragar.
Pessoalmente, gostava de ver a Juve Leo de volta a Alvalade, mas, para tal, tem de mudar de vida, de hábitos e excluir muita gente que se serve dela.
Serão capazes?
Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record
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