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Foto Filipe Amorim.jpg

 

Assim que terminou o jogo com o Belenenses em Alvalade, Bruno de Carvalho apressou-se para o seu bilionésimo post no Facebook. Escrito a quente, procurando aliviar as costas de responsabilidades, colocou-se na pele do adepto desiludido e atirou-se ao treinador e aos jogadores. Nem o futsal escapou. Como se não fosse ele o presidente do Clube, pediu desculpa aos sportinguistas, ao mesmo tempo que sacudiu a água do capote. Os erros são dos outros.

 

Depois de quatro anos de “cultura de exigência”, de muitas voltas olímpicas aos estádios e de variadas entrevistas aos jornais, ocorreu a Bruno de Carvalho que pode ficar com a carne, enquanto os outros roem os ossos. Não pode, porque, no regime que instituiu no Sporting, é ele o primeiro responsável. Isto consta nos seus programas eleitorais e em inúmeras dissertações suas sobre o funcionamento do Clube. É ele que tem de dar a cara se a época foi mal preparada, se houve fracasso na generalidade das contratações e se as promessas de vitórias ficaram todas pelo caminho.

 

No Sporting não existe alguém com autonomia de funções e pensamento próprio que faça a ligação entre o presidente e o treinador. Que tenha autoridade e conhecimento, simultaneamente. Por exemplo, não há um director desportivo de facto, com competência funcional, que apoie a Direcção na análise e na responsabilização de decisões. Não é necessariamente mau, muitos clubes funcionam assim, mas isso coloca Bruno de Carvalho no topo da cadeia de responsabilidades pois é a figura omnipresente e omnipotente.

 

Tudo se complica quando se sabe que ele é absolutamente desconhecedor da realidade e dos meandros do futebol. Que esse desconhecimento é agravado pelo deslumbramento e pelo convencimento pessoal. Mas, ainda fica pior, quando nele há um invulgar sentido de irresponsabilidade e de ausência de capacidade de autocrítica. Ao fim deste tempo todo, o presidente ainda não percebeu que tem de organizar o futebol do Sporting. Nem percebeu aquilo que correu mal e que tem de ser corrigido. Ninguém consegue tapar o sol com uma peneira.

 

Mais uma vez, Bruno de Carvalho vem para a rua gritar que “tudo tem de ser diferente na próxima época”. Na verdade, nada adianta gritar muito alto, se não preparar o Clube para vencer. Ainda vai ser pior do que aquilo a que estamos a assistir este ano. No Sporting, percebe-se que é volátil tudo o que foi feito nestes quatro anos, que nada resiste a um abanão. Não há estrutura, não há resiliência. Não há estratégia, não há projecto. Tudo é efémero, tudo muda à velocidade da luz, apenas permanece a “luta contra tudo e contra todos”.

 

Em casos assim, quando as coisas correm mal, cada um procura salvar a pele e fugir para longe dos problemas. Continuando desta forma, como tem acontecido até agora, no próximo ano, por esta altura, os sportinguistas estarão confrontados com o espectro de eleições antecipadas. Ou porque já foram marcadas. Ou porque terão de ser marcadas. É que esta rotina de gabarolice e de prosápia, seguida de fracasso e de pedido de desculpas, conduz sempre inevitavelmente ao desastre.

 

publicado às 12:36

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42 comentários

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De Rui Gomes a 09.05.2017 às 14:24

Excelente texto caro Leão Zargo. Subscrevo tudo, salvo um ponto que considero crucial no que à estrutura de futebol diz respeito.

Mesmo na actualidade da modalidade, não concordo, nunca concordei, com o presidente do clube assumir por inerência a liderança do futebol como presidente da SAD. É óbvio que é a figura máxima e que decisões de cariz superior, nomeadamente do foro financeiro, têm de passar por ele, mas como a vasta maioria destas pessoas - a exemplo de Bruno de Carvalho - carecem de experiência e identificação com a gestão de dia-a-dia de futebol, é imperativo que haja um "manager" OU "director desportivo", como queira, por cima do treinador e como elo de ligação à administração. Será sobre esta pessoa, neste cargo, que recairá a responsabilidade do planeamento da época e do plantel, num trabalho conjunto com a equipa técnica e outros colaboradores. E aqui, na minha opinião, reside o grande problema do Sporting, que se arrasta ano após ano.

Nunca o fiz, enquanto activo, e não aprovo de modo algum dar autoridade a um treinador como Jorge Jesus goza neste momento. É excessivo e contraproducente no curto e no longo prazo. Até no futebol inglês, onde o treinador assume poderes extras, existe um superior, muito antes de se chegar ao conselho administrativo.

Isto é uma realidade inegável para quem sabe o que é a chamada estrutura de futebol, aquela que não existe no Sporting, especialmente com Bruno de Carvalho ao leme.
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De Leão Zargo a 09.05.2017 às 15:32

Caro Rui Gomes

Pretendi referir-me à situação do presidente e do director desportivo em termos teóricos. Aceito que seja possível que o director desportivo tenha um perfil baixo, mas isso tem um preço. E o preço é o presidente surgir como o primeiro responsável.

No caso de Bruno de Carvalho temos um caso único: presidente do clube e da SAD, mas que faz as vezes de director desportivo, delegado aos jogos e director de comunicação. É obra!

Percebe-se a importância de um director desportivo com um perfil adequado se olharmos à nossa volta, para outros clubes em Portugal e no estrangeiro. Identificam-se imediatamente vários casos.

Um grande abraço


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De Rui Gomes a 09.05.2017 às 22:20

Muito por esta nossa conversa, apoiei José Couceiro nas eleições de 2013. Sentia algumas dúvidas quanto à gestão geral do Clube mas nunca duvidei na estrutura de futebol que seria por si criada e muito provavelmente liderada. Claro, se tivesse acontecido, teria sido um presidente com vastos conhecimentos de futebol, o que poderia ter feito toda a diferença.

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