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Ditadura ou democracia, no futebol?

Naçao Valente, em 03.02.21

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Quem não viveu numa ditadura, pode imaginá-la mas nunca vai conhecê-la. A experiência é a mãe de todas as coisas. Vivi numa ditadura e sei bem o que é. Por isso, quando em 25 de Abril de 1974, se iniciou o processo que levaria à construção de uma democracia em Portugal, pude ver qual a real diferença.

Ao fim de quarenta anos, temos um país melhor, mais desenvolvido, mais justo e livre. Mas os resquícios do poder ditatorial continuam a viver na mente de muita gente. No seu dia a dia, nos seus comportamentos, vêm muitas à superfície tiques ditatoriais. Digamos que a ditadura não está na Lei, mas continua nas mentalidades.

No desporto em geral, e no futebol muito em particular, os tiques de poder totalitário são constantes. Atrevo-me até a dizer, que as diversas formas de poder ditatorial ainda se encontram plasmadas na própria lei que rege o sector desportivo. Pergunto: haverá algum clube desportivo, onde se pratica, em pleno, uma verdadeira democracia?

Mas muito do que se passa nos diversos órgãos que regem o futebol, leva a questionar se ali se pratica autêntica democracia. Qual o processo que leva à composição desses órgãos? Arranjinhos, compadrios, pressões, influências? 

Vem isto a propósito, mais especificamente, dos órgãos que dirigem a arbitragem. Não se parecem com corporações próprias de um poder totalitário? E os árbitros na sua actuação, que limites têm eles ao poder discricionário? Não será mais um sector onde o erro não tem consequências? Ou faz de conta que tem?

Os árbitros são necessários, como juízes, claro, para a realização do jogo. Mas será que não confundem arbitrar com tornar-se os artistas do espectáculo? Os artistas não têm que ser exclusivamente os atletas no campo? Será que sem estes, os homens do apito teriam razão para existir? Pergunta retórica.

No entanto, analisando o problema por outra perspectiva, não terão os clubes também responsabilidade, por muito do que acontece, ao aprovarem os regulamentos, que o sector da arbitragem aplica, a seu belo prazer? Ou de uma forma dogmática? Não serão os clubes que lhes dão o excesso de poder de que se queixam?  

Em jeito de conclusão, pergunto simplesmente: não estará o mundo do futebol a precisar de uma revolução? Não estará o sector da arbitragem a precisar do 25 de Abril que nunca teve?

publicado às 03:34

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2 comentários

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De Leão Zargo a 03.02.2021 às 10:49

Caro Nação Valente

Há já bastante tempo, o Benfica e o Porto estabeleceram um meridiano de Tordesilhas no futebol português. Arregimentaram clubes aliados e passaram a partilhar os lugares decisivos na cúpula dos organismos decisórios. Por vezes parecem muito conflituantes entre si, outras até serão, mas ambos pretendem que o essencial se mantenha como está, garantindo-lhes o controlo do que de facto se decide e acontece.

O Sporting é um dos clubes fundadores do futebol português e deve (e tem o direito) intervir na constante reforma e adequação do edifício regulamentar que determina o desporto-rei. Compete aos dirigentes do Clube levarem a cabo acções nesse sentido promovendo decisões que, paulatinamente tornem o futebol mais higiénico e saudável. Para isso, exige-se conhecimento, firmeza e pragmatismo.

Na verdade, na sociedade portuguesa, à volta do futebol, muita coisa mudou e adaptou-se aos novos tempos e circunstâncias, mas nas instituições decisivas da Federação e da Liga prevalece o tal meridiano de Tordesilhas de partilha do poder nos respectivos órgãos. Exige-se mudança e democraticidade no nosso futebol e o Sporting deve ser protagonista desse movimento de adequação e de correcção.
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De Naçao Valente a 03.02.2021 às 13:09

Concordo com a sua análise, caro Leão Zargo. Faz o diagnóstico correcto. Não sei é qual será a terapia, de uma "doença" que se tornou crónica.

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