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Varandas e PdC.jpg

Excerto da capa do jornal "A Bola".

O Sporting emitiu ontem um comunicado à CMVM, a informar acerca das transacções de jogadores no mercado de Verão.

Ao consultar o comunicado, o mesmo despertou em mim dois sentimentos contraditórios: a felicidade por ver algo muito bem feito, e a revolta por o mesmo espelhar algo que para mim é inaceitável.

O muito bom

A comunicação acerca das transacções de jogadores foi algo implementado no Sporting em 2015 com o propósito de dar transparência acerca da principal actividade do Clube. Apesar da excelente medida, depressa se verificou que novos tempos (mais criativos nos negócios) exigem mais detalhe acerca do principal negócio do Clube e Frederico Varandas mostrou estar bem à altura para responder a essa exigência, não só continuando a divulgação das transferências, mas incluindo cada vez mais informação extra. Este ano não foi excepção e daí que o comunicado nos mostre bastantes detalhes acerca das diversas entradas e saídas, incluindo o nome dos empresários intervenientes no negócio, condições futuras, etc…

Note-se que a elaboração deste comunicado é fundamental para que os sócios e adeptos se possam informar acerca de cada negociação, mas também para trazer uma pressão extra à comunicação social que tanta vez vive de rumores, pois sabendo que os valores reais serão conhecidos, sentir-se-á menos tentada a fazer manchetes baseadas em nada e que tantas vezes prejudicam o futebol.

O assim-assim

Este comunicado em vários aspectos foi apenas “assim-assim”, logo a começar pela data de publicação, pois nunca havia sido publicado tão tarde o que me deixa com a inevitável ideia que se queria esconder algo antes da AG de sábado, pese embora os assuntos fossem completamente distintos.

Depois, e apesar de alguns negócios muito bem detalhados, outros há cuja informação é zero e nesses fica sempre aquele pensamento: “Será que estão a esconder alguma coisa? Ou é tão lesivo para o Sporting que nem divulgam?”

Há ainda algumas situações que clarificaram comunicações anteriores, como por exemplo o empréstimo de Sarabia, que, afinal, incorreu em elevados custos até aqui omitidos.

Por fim, verifica-se que apesar das comissões a empresários muito baixas que o Sporting pagou (redução gigantesca), há ainda ocorrências curiosas, como o pagar comissões quer em compras quer em vendas e ainda em empréstimos, bem como ainda o caso curioso de Domingos Andrade onde o Sporting pagou mais de comissões a empresários que pelo passe do próprio jogador.

O inaceitável  

A divulgação do comunicado veio confirmar os rumores de alguns jornais que diziam que Sporting e FC Porto tinham-se juntado num negócio “fictício”, de troca de jogadores secundários, supra inflacionados, ao estilo do que o Porto já tinha feito com Guimarães.

O silêncio do Sporting acerca deste assunto é ensurdecedor e sem qualquer clarificação por parte da Direcção sobre o mesmo e vendo agora com este comunicado a real dimensão do que foi feito (troca valorizada em 11M em cada jogador), a mim pessoalmente, deixa-me muito, mas mesmo muito desconfortável.

Note-se que sem outros detalhes e justificações (e parece mesmo que não existem), este é um negócio que além das potenciais ilegalidades, não trás qualquer vantagem visível e imediata ao Sporting, tendo apenas e aparentemente ajudado o nosso rival (FC Porto) a livrar-se das amarras do fair-play financeiro da UEFA… e mesmo que este fosse um negócio vantajoso para o Sporting, a total falta de ética e o “chico-espertismo” do mesmo, seriam mais do que suficientes para me manifestar, pois não posso ser um acérrimo critico à “negociata” que o FC Porto fez com o Guimarães e depois assobiar para o lado quando o Sporting faz o mesmo.

Ainda para mais, existe a agravante desta inenarrável acção, ter sido feita com um rival a quém o nosso Presidente chamou “bandido” e que “estaria a mais no futebol”.

Como nota final sobre este assunto, desejo e espero que Varandas venha urgentemente a público explicar esta aparente “negociata”, pois ele mesmo disse uma vez que “cortaria a sua mão se o Sporting se visse envolvido em investigações a transferências…”… é que, depois de deixar o Sporting, a mão far-lhe-á com certeza muita falta para continuar a sua actividade enquanto médico.

publicado às 12:45

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6 comentários

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De Jorge Silva a 26.10.2021 às 13:47

Trata-se de uma mera engenharia financeira que permite melhorar os resultados. Com a venda, os 11 ME são considerados mais-valias do exercício (pois os jogadores oriundos da formação valem zero no activo). Com a compra, aumenta-se o activo e só uma parte vai a gastos (% do valor do passe amortizado pelo número de anos do contrato). Não é ilegal, desde que o valor em que os jogadores são avaliados não seja escandaloso. Com certeza, que este valor de 11 ME foi avaliado por um empresário (Jorge Mendes) e uma vez que os jogadores são jovens e têm potencial não é nenhum valor absurdo. Claro, que se avaliassem cada jogador em 100 ME iriam ter problemas.
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De Elsa a 26.10.2021 às 14:03

Caro Jorge Silva,

"mera engenharia financeira"?

Eu sou benfiquista, mas este negócio entre o SCP e o FCP, é exactamente igual ao do FCP e o VSC e como o negócio do João Mário com o Milan e o Benfica à mistura.

Tudo legal mas todos sem excepção muito, mesmo muito questionáveis. Além do efeito boomerang que acabam por ter nas contas dos clubes.
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De Rui Gomes a 26.10.2021 às 15:36

Cara Elsa,

Primeiro e sobretudo, é benfiquista e quer queira quer não a sua objectividade é sempre influenciada por esse factor.

Desculpe que lhe diga, mas faz comparações SEM NEXO!!!

Este caso, que na realidade não é um "caso", salvo pelos exageros de alguns, não se compara minimamente com o CASO João Mário, Benfica e o Inter, onde houve fraude descarada. Está para ver, ainda, a interpretação das entidades superiores.

Neste negócio entre Sporting e FC Porto não há nada de ilegal, nem sequer questionável.

O único aspecto discutível, por ser muito subjectivo, é o valor atribuído aos dois jogadores.

De resto, o leitor Jorge Silva já aqui explicou os contornos mais técnicos da questão, a explicação essa que a Elsa tentou contrariar, em vão, com demagogia.

Deve-se informar melhor da total realidade das coisas antes de vir criticar!!!
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De Elsa a 26.10.2021 às 15:54

Boa Tarde Rui,

Vá lá, não se zangue comigo :).

Tenho noção que o caso João Mário é sensível para os sportinguistas mas, peço-lhe que faça um esforço por tentar entender o meu comentário.

Não pretendi criticar um clube em particular nem dizer que um é pior ou melhor que outro. E compreendo muito bem a explicação que foi dada pelo Jorge Silva mas, se tentarmos deixar de lado o nosso coração, a verdade é que o negócio João Mário não tem nada de ilegal, o jogador rescinde com o clube e assina por outro. Da mesma forma que estes negócios dos miúdos também não são ilegais. Outra coisa muito diferente é o que os motiva, seja mascarar contas em função do fair play financeiro ou contratar um jogador evitando as consequências uma clausula, e que os torna altamente altamente questionáveis.

Aliás, o Rampante na resposta que dá ao Caro Jorge Silva, acaba por explanar muito melhor do que eu aquilo que pretendi dizer.
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De Rui Gomes a 26.10.2021 às 16:23

Boa tarde Elsa,

Não estou zangado com ninguém, mas não aprecio certas coisas, tal como a comparação sem nexo que a Elsa fez ao caso do João Mário, em que houve FRAUDE, quer se venha a provar ou não.

Este caso entre SCP e FCP em nada se relaciona. Podemos discutir o valor atribuído aos jogadores, até com proveito muito relativo, e não mais do que isso.

O meu colega Rampante tem direito à sua opinião e eu à minha.
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De Elsa a 26.10.2021 às 16:51

Eu sei que não se zangou comigo, eu até sou simpática :).

Naturalmente que tem a sua opinião e não pretendi desvalorizá-la, de todo, só que neste caso acho que não temos forma de chegar a um consenso.

Aquilo que eu pretendi relevar são as práticas, por sinal, manhosas, e não os valores, o jogador ou o clube x ou y.

No entanto o Rui toca num aspecto importante que o da prova. Só que a prova é válida para ambos os casos. Provar intenções é tremendamente difícil quando no papel, contabilisticamente entenda-se, está tudo certo e a lei permite ou existe um vazio que inteligentemente é identificado e aproveitado, contudo não deixa de ser clarinho como água para todos, até para um leigo, que não passam de artimanhas que urge contrariar. Como é que eu não sei sinceramente.

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