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Dualidades e outras coisas

Rui Gomes, em 24.10.20

Screenshot (260).pngO terramoto provocado pela dualidade de critérios do primeiro clássico da época, teve réplicas ao longo de toda a semana. A presença do árbitro Pedro Azevedo na Sporting TV   contribuiu para esclarecer algumas almas menos iluminadas e relembrar a outros que as regras existem e que devem ser iguais para todos. O FC Porto teve mesmo a particularidade de ter um jogador que deveria ter visto dois cartões vermelhos – primeiro por entrada grosseira e perigosa sobre Pedro Porro, depois por fazer penálti; o internacional sub-21 espanhol teve, inclusivamente, de fazer tratamentos nos dias seguintes – e que, mesmo assim, acabou por fazer a totalidade do jogo. É obra.

O mantra repetido até à exaustão que uns jogam nos limites mina a capacidade de decisão sobre lances que não podem ser considerados normais no futebol, sobre atitudes que confundem propositadamente agressividade com violência. É, por vezes, uma linha ténue que separa os conceitos, mas é uma linha que existe e que não deve, nem deveria, ser menosprezada. Como a linha da decência, ultrapassada por um ou outro comentador azul e branco, que chegaram mesmo a dizer que Pedro Gonçalves deveria ter visto o cartão amarelo no famigerado lance com Zaidu, por simulação. Só mesmo a falta de vergonha permite comentários públicos assim.

Para meditar sobre estas dualidades que têm marcado a história do Futebol português nos últimos anos, recordo a entrevista de Tomislav Ivković à Tribuna do Expresso, guarda-redes que defendeu as nossas balizas – e dois penáltis do Maradona – nos finais dos anos 80 e princípio dos anos 90. À pergunta se se sentia o domínio do FC Porto, Ivković foi peremptório: “Ohhh, naqueles tempos… Era na Europa toda: cada país tinha o seu FC Porto. O comportamento dos árbitros e dos dirigentes era diferente quando se tratava do FC Porto”. Continuando: “posso dizer que o Pinto da Costa e o Reinaldo Teles eram as pessoas a que toda a gente queria agradar. Porquê? Porque havia a ideia de que eles podiam ajudar quando fosse preciso. Faziam-se bonzinhos, queriam ficar perante eles”.

Heródoto afirmou ser necessário “pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”. Continuar a fingir que nada se passou no passado servirá o presente de alguns, mas não ajudará o futuro do futebol português. A introdução do videoárbitro (VAR) foi uma medida benéfica na luta pela transparência do futebol nacional e como tal precisamos de proteger a figura do VAR e apetrechá-la de mais instrumentos que ajudem à compreensão de determinadas decisões e à clarificação dos processos. Não queremos regras diferentes, exigimos sim, critérios idênticos.

Texto da autoria de Miguel Braga, Director de Comunicação do SCP

publicado às 12:30

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7 comentários

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De Leão do Norte a 24.10.2020 às 16:15

Não foi só o Ivkovic que falou sobre esses tempos sombrios, de "roubalheira" à descarada.
Recordo-me de declarações do Juskowiak, Vujacic, Rui Jorge...

Ainda hoje sinto revolta quando me lembro de um jogo a que assisti no antigo estádio das Antas, no início da década de 90, em que o árbitro Carlos Valente parecia, não só estar a prejudicar, como a gozar com o Sporting. Literalnente não nos deixou jogar. Expulsou 3 jogadores do Sporting, permitiu tudo aos jogadores do Porto e sistematicamente arranjava algo para anular ataques perigosos do Sporting. Escusado será dizer que perdemos 2-0 (golos na segunda parte).
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De Carlos Gomes a 24.10.2020 às 18:51

Interessante falar nessa vergonhosa arbitragem do lampião Valente, creio que expulsou Valckx, Peixe e Vujacic, jogadores que ficaram impossibilitados de defrontar o Benfica nos famosos 3-6. Antes do jogo nas Antas o Sporting ia em primeiro, depois..... funcionou a Aliança Benfica/Porto, ontem como hoje....
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De Leão do Norte a 24.10.2020 às 19:10

E este jogo com o Porto, foi adiado para o inicio de maio, a meio da semana, bem perto do jogo do Benfica, só com um jogo de intervalo entre estes dois. Mesmo a calhar!
Em relação às expulsões eu penso que o Valckx não foi expulso pois lembro-me que o Juskowiak foi expulso ainda na primeira parte.
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De Carlos Antunes a 25.10.2020 às 15:24

Carlos Gomes e Leão do Norte
Têm ambos razão, um dos expulsos nesse jogo Porto/SPORTING por Carlos Valente - que só depois de deixar a arbitragem acabou por confessar ser benfiquista – foi o Juskowiak, conjuntamente com o Peixe e o Vujacic.
Mas os três, por força disso, ficaram efectivamente impossibilitados de defrontar o Benfica nos famigerados 3-6. No fundo, com o Porto fora da corrida para o título, o desígnio de Carlos Valente foi objectivamente o de afastar esses três jogadores do derby de Alvalade.
E se se lembrarem de como esse resultado foi obtido com o passeio do JP (sem o seu marcador directo que era, em princípio, o Peixe) pelo desguarnecido corredor direito do ataque (à guarda do robusto Vujacic), está tudo dito. Claro que o Carlos Queirós ajudou muito, quando teve a desdita ideia de colocar o Capucho a defesa-esquerdo, quando o Benfica se colocou a vencer por 2-1. Perante isto, o Toni perspicaz, encostou o JP no lado direito do ataque e foi o passeio que se viu.
Mas as vigarices desse tempo do Carlos Valente e quejandos, produto das alianças e desavenças Porto/Benfica perduram até hoje, e sempre tiveram como único objectivo prejudicar o SPORTING.
Se nos lembrarmos que por força principalmente da acção do ex-presidente Pimenta Machado (Guimarães) se conseguiu o sorteio dos árbitros, e foi enquanto este existiu, que o SPORTING conseguiu os dois últimos títulos de campeão nacional (2000 e 2002), e quando deixou de haver sorteio, nunca mais fomos campeões, parece-me claro o que tem sido a falsidade do futebol português nestas últimas duas décadas.
Cordiais SL


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De Mike Portugal a 24.10.2020 às 20:12

Eu lembro-me dum jogo famoso contra o FCP em que Martins dos Santos expulsou 3 jogadores do SCP, um deles Pedro Barbosa, por se rir duma decisão dele. O SCP conseguiu manter o empate com 8 contra 11, com grande trabalho de equipa, mas esse jogo serviu para mostrar o quanto corrupto era esse árbitro.
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De GreenHill a 25.10.2020 às 16:13

É, havia uns quantos artistas larápios sem vergonha nenhuma. E o Calheiros??.. fosgasse. Ou o Jorge Coroado num jogo com o chaves que dp veio dizer que tinha revisto o jogo e tinha ficado mal disposto.. fdp..
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De J.Oliveira a 24.10.2020 às 21:13

A melhor ferramenta que um VAR (que tem ao seu dispor 8/9 câmaras, visão de diversos ângulos, câmara lenta e visionamento do lance as vezes que quiser) tem que ter chama-se Honestidade e Hombridade!
Infelizmente não se compra numa loja, ou se nasce com as mesmas ou se adquire através da educação familiar e escolar em jovem. Em adulto, é raríssimo adquiri-las.
E quem tem deficiência na visão não pode ser VAR nem árbitro!...
SL

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