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É a cabeça que faz o homem

Rui Gomes, em 06.07.20

Descobridores de pérolas que somos, tecemos agora loas a Rúben Amorim com a mesma cega certeza que tínhamos no futuro grandioso de Bruno Lage na Luz. Ignorando, vá lá saber-se porquê, que tudo dando aos audazes, nada o futebol lhes garante.

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Não é preciso ir muito mais longe, basta ver o caso de José Mourinho, o melhor treinador português pelos títulos que conquistou, e que ainda conseguiu um grandioso feito que dificilmente outro técnico lograria: interromper, em Espanha, a hegemonia absoluta do Barcelona, numa altura em que os catalães dispunham daquela que foi, talvez, a mais fabulosa equipa da história do futebol.

Certo é que após o insucesso no Chelsea, Mou foi despedido pelo Manchester United e sofre hoje as consequências de um regresso algo precipitado à ribalta – os "spurs" eram uma opção de alto risco – com o Tottenham a cair para a nona posição na Premier. E a poder ficar mesmo fora da Liga Europa e a complicar muito a vida de um treinador que, aos 57 anos, acumula um capital inigualável de experiência, conhecimento e mediatismo, que chegaria, numa actividade normal, para o manter no topo até à eternidade. Mas o futebol depende de demasiados imponderáveis para que se possa definir um objectivo e ter uma garantia mínima de o poder cumprir.

Rúben Amorim parece dispor de uma consciência da realidade diferente da que exibia o ex-treinador do Benfica, cuja postura misturava a afabilidade com o convencimento de quem viera para ficar. Declarações de Amorim como "é trabalho, sorte e tudo misturado" ou – sobre Lage – "um dia é ele, outro dia serei eu" são sinais de maturidade e sabedoria. E revelam a convicção plena, e nada artificial, que o futebol é o momento e que uma bola que bate na trave ou um erro do VAR podem precipitar uma crise que se abaterá sobre o que Carlos Carvalhal considera "a zona mais frágil" – a cabeça do chefe da equipa, claro.

Permanecendo a dúvida, vivamos então um dia de cada vez. E o de hoje mostra-nos um profissional preparado para liderar, um trabalhador paciente, um estratega sagaz e, especialmente, um hábil "colador de cacos". Amorim começou por pôr a nu uma evidência negada pela insensatez de gestores de aviário: vale mais – muito mais! – recuperar talentos "perdidos", como Jovane Cabral, ou lançar jovens promissores, como Eduardo Quaresma, fontes de receitas futuras, que gastar fortunas com barretes grotescos, como Jesé ou Bolasie. Parece simples? E é, mas houve necessidade de fazer descer de Braga à capital a inteligência capaz de explicar o óbvio aos entendidos zero.

Resta o que há de vir, que será o que for, mas a mentalidade de Rúben Amorim faz-me acreditar no seu êxito. Em Alvalade ou noutro sítio qualquer. Porque é a cabeça que faz o homem.

Um último parágrafo para uma simples pergunta: após 42 jogos em que consegue apenas 13 vitórias, um treinador deixa o clube porque "bate com a porta" ou porque quem lhe pagava o quis ver pelas costas? É isso, leitor, a sua resposta é igual à minha.

Texto de Alexandre Pais, em Record

publicado às 02:18

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23 comentários

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De Bento a 06.07.2020 às 10:33

"Certo é que após o insucesso no Chelsea, Mou foi despedido pelo Manchester United e sofre hoje as consequências de um regresso algo precipitado à ribalta – os "spurs" eram uma opção de alto risco – com o Tottenham"

O Mou já não é o que era, as suas equipas praticam um futebol "sem chama", medíocre, apesar dos muitos milhões que gastou em contratações.
Não considero o Tottenham uma opção de alto risco, antes pelo contrário, tinham um dos melhores plantéis da Premier League.
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De LeaoCovilha a 06.07.2020 às 10:43

Também teve algum azar, entra no Tottenham e lesiona-se o Kane, o Son, Sissoko e o Steven Bergwyn, todos habituais titulares. E o ataque, privado de Kane e Son, vivia do Delle Alli.
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De Indiana Julio a 06.07.2020 às 12:02

O Mou ou que lhe quiserem chamar acabou por bloquear a entrada do Bruno no Tottenham agora mesmo que nao queira dar a parte de fraco torce a orelha , a sua sociedade Mendes &Mou &orelhas LDA anti Sporting , fazem dele persona no grata para mim.
Cada um tem o que merece.
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De LeaoCovilha a 06.07.2020 às 12:26

Para as zonas onde o Bruno Fernandes joga ele tem o Delle Ali que também é muito bom jogador. Provavelmente achou que não poderiam coexistir na mesma equipa.
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De Bento a 06.07.2020 às 14:14

O Dele Ali é uma máquina, mas joga um pouco mais á frente.
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De Greenlight a 06.07.2020 às 12:36

Mourinho perdeu ( aparentemente) a sua mestria como treinador, mas não perdeu a sua arrogância e desenvolveu, até, alguma estupidez. Já tinha desvalorizado Cristiano Ronaldo, quando disse que tinha conhecido Ronaldo, o verdadeiro e agora desvaloriza Bruno Fernandes. Não percebe que quando desvaloriza, no estrangeiro, portugueses, se desvaloriza a ele próprio.
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De Paulo Salcedas a 06.07.2020 às 12:50

Como diria Manuel Machado: "Um cretino será sempre um cretino", não me ocorre nenhuma frase melhor para definir melhor Mourinho. Já teve o seu tempo, está agora condenado a treinar equipas de média dimensão, comparado com ele, Guardiola começa a ter um percurso muito mais sólido.
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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 14:07

Treinadores diferentes com personalidades distintas.

Não simpatizo muito com Mourinho, mas menos ainda com o Guardiola, que eu considero um cínico.

O caro eleva o espanhol, mas na realidade ainda tem muito a pedalar para chegar ao nível do currículo do Mourinho. Guardiola fez o que fez no Barça, e pouco mais, e ainda por cima com o notório sistema de tiki-taka, que eu detestava e que considero um dos sistemas mais destrutivos que já surgiu no futebol, semelhante ao que os italianos andaram a fazer durante anos com o cantenaccio.

Podemos não simpatizar com Mourinho, muito pela sua arrogância, mas aquilo que ele fez no FC Porto e no Inter é espectacular.
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De Mike Portugal a 06.07.2020 às 14:43

Rui,

Apenas para corrigir: O que Mourinho fez no FCP e no Chelsea (da 1ª vez) foi espetacular. O que fez no Inter nem por isso pois não tinha concorrência interna devido aos castigos do Milan e da Juve.
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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 14:58

Mike,

E a Champions, também foi competição interna?

O que ele fez no Inter com uma equipa de veteranos foi espectacular.
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De Mike Portugal a 06.07.2020 às 17:17

É muito mais facil preparar a equipa para a champions quando não há competição interna. Não deixa de ser bom ganhar a champions, mas "espetacular" foram mesmo as épocas no FCP e Chelsea onde o plantel que tinha era GRANDEMENTE inferior aos adversários. O Inter tinha muito bons jogadores.
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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 18:02

Cada um tem a sua opinião.
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De Zacarias Castanho a 06.07.2020 às 17:21

Ele (Mourinho), Olegário Benquerença e o vulcão islandês.
Mourinho, o Inter venceram o jogo em Itália devido ao conjunto de factores que refiro acima.
Guardiola e a equipa do Barcelona viajaram de autocarro da Catalunha para Milão, equiparam-se e tinham à espera uma das piores arbitragens de sempre na Liga dos Campeões, uma equipa chefiada pelo árbitro de Leiria (Mourinho tinha sido treinador em Leiria).
Mesmo assim o Barcelona venceu o jogo em casa, um desafio quase sempre jogado no meio campo defensivo do Inter de Milão.
Para além disso, Mourinho herdou uma equipa trabalhada por Mancini que mais tarde seria campeão inglês em Manchester, coisa que Mourinho não conseguiu.
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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 18:01

Típico de portugueses... abaixo com os nossos. Que tristeza!!!
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De Zacarias Castanho a 06.07.2020 às 22:22

Tem razão.
Olegário Benquerença era uma espécie de Pierluigi Collina, temos de dar valor aos portugueses.
Mourinho, também, é muito bom, o jogo de hoje com o Everton demonstra-o bem.
Jogadores à da mesma equipa à porrada no intervalo (Lloris e Son) remates contra os adversários para os obrigar a fazer auto-golos. Tudo isto treinado por Mourinho para apouquinhar os adversários.
Que tristeza, pessoas que não vêem que Benquerença e Mourinho são respectivamente o melhor árbitro e o melhor treinador de sempre.
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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 23:04

Está à vista que o caro vê futebol em "castanho"!
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De Paulo Salcedas a 06.07.2020 às 12:51

Quanto a Ruben Amorim, creio que com trabalho, humildade e os pés bem assentes na terra poderá fazer coisas muito boas, espero que o Sporting lucre com isso.
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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 14:10

Veremos se vai ter tempo suficiente e os indispensáveis "apetrechos" para alcançar sucesso.
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De Paulo Salcedas a 07.07.2020 às 00:32

Pois, e nesse âmbito já entra a direção... que espero tenha aprendido com os erros grosseiros que fez.
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De MAV a 06.07.2020 às 20:00

Pensar que Mourinho é melhor que Guardiola é um exercício que nem consigo imaginar fazer...
Mourinho é um indivíduo rancoroso e de comentários e comportamentos de níveis muito abaixo do tolerável.
Ainda me lembro do episódio da camisola do Rui Jorge e comentários sobre Ronaldo
E havia tantas histórias para contar.. além de um anti sportiguismo primário

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De Rui Gomes a 06.07.2020 às 23:08

Exercícios de imaginação não são o seu forte. Compara-se a capacidade de treinadores e não personalidades.

E ainda lhe digo mais; Mourinho é o que é, há muito, mas Guardiola não fica atrás, por outros meios. Acima de tudo é um grande cínico.
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De MAV a 06.07.2020 às 23:23

Oiça quantos anos tem Guardiola de carreira? E quantos tem Mourinho? Em % de títulos tem a sua resposta ... sem exercícios de imaginação só factos.
Quanto a personalidade de Guardiola o pior dele é misturar política com futebol... quanto ao sr de Setúbal sei bem do que falo.
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De Paulo Salcedas a 07.07.2020 às 00:35

Mas foi o caro que começou por dizer que Guardiola é um cínico.... isso é o quê? Personalidade ou futebol?
Além disso, veja que Mourinho treina Totenham Guardiola treina o City... há aí uma ligeira diferença....
Os anos de glória de Mourinho já lá vão, por muito que isso lhe custe....

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