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Excesso de faltas

Rui Gomes, em 03.09.20

A Liga publicou recentemente o balanço da temporada ora finda e forneceu estatísticas deveras interessantes, que, de algum modo, ajudam a situar o nível de competitividade do nosso futebol face aos restantes campeonatos.

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A internacionalização das ligas, ou seja, a vendagem dos direitos de transmissão dos jogos para o mercado internacional é cada vez mais uma importante fonte de receita, seguindo o exemplo precursor da liga inglesa. E, aqui, não há fórmulas mágicas; o público só consome jogos onde evoluam as grandes estrelas, ou que sejam competitivos.

Ora, constata-se que, em média de golos, remates, cantos e goleadas, o nosso futebol não desmerece e até está em linha com as ‘big four’, ou seja as ligas espanhola, inglesa, alemã e italiana. Onde é que descolamos? No número de faltas. Em 2019/20, a Liga teve uma média de 32,3 faltas por jogo, bastante acima das supracitadas; a inglesa teve uma média de 21,4, veja-se a distância…

É desnecessário lembrar que as faltas assinaladas mais vezes do que não empastelam a fluidez do jogo, transformando o espetáculo, muitas vezes, num penoso festival do apito. E aqui reside a magna questão. Há faltas em excesso porque os jogadores as cometem ou porque os árbitros as marcam? Sem querer entrar em polémicas do ovo e da galinha, direi que é um misto dos dois.

Há árbitros ‘miudinhos’, que assinalam falta ao mínimo contacto físico, e que acham que a sua autoridade se mede pela frequência com que intervêm. É a prática muito nacional de ‘segurar o jogo’, frequentemente acompanhada com a amostragem extemporânea de cartões.

Mas também há o mau hábito de jogadores cometerem faltas ditas ‘cirúrgicas’, ‘cavarem’ as mesmas, ou teatralizar os respectivos efeitos. Chama-se a isso ‘quebrar o ritmo do adversário’, costume muito arreigado entre nós.

Em 2018, um extenso estudo promovido pelo Observatório do CIES, relativamente a 37 ligas europeias, dava à nossa a dispensável lanterna-vermelha, ou seja, Portugal é o país onde menos tempo útil se joga.

Com este perfil, o nosso futebol não pode ter grandes argumentos de comercialização, por muito que se queira convencer o mercado de que há – porque efectivamente há – jogos interessantes.

Como todos os defeitos estruturais, é um assunto que não pode ser resolvido nem sozinho, nem rápido. Mas, para o qual os intervenientes deviam olhar com preocupação. Porque há remédios.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, Record

publicado às 03:48

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