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Este é o meu terceiro artigo sobre a actividade dos fundos de investimento no futebol, o último dos quais intitulado "A problemática dos fundos".

 

A FIFA anunciou recentemente que vai avançar com a proibição de partilha de passes de jogadores entre clubes e fundos de investimento, medida esta, que se for concretizada, poderá colocar em sério risco a existência desses grupos e que, na óptica de alguns observadores, afectará o futebol português mais do que muitos outros.

 

Há já algum tempo que Michel Platini - presidente da UEFA - anda a exortar Joseph Blatter - presidente da FIFA - para ter a coragem política para lidar com o problema. Apesar do impacte mediático destas considerações, não podemos deixar de questionar a sinceridade de intenções e a praticabilidade da respectiva implementação. Ao fim e ao cabo, Blatter fez esta mesma promessa em Outubro de 2007 sem efeito algum, e o próprio também já admitiu que a anunciada proibição não será imediata, porque requer um período de transição ainda por definir. 

 

A modalidade é proibida em Inglaterra, França e Polónia, mas está significativamente em voga na América do Sul, nomeadamente na Argentina e no Brasil, e na Europa é particularmente comum em Portugal e Espanha, muito pela influência do empresário português Jorge Mendes.

 

No centro da contenda está a autonomia dos clubes que, sem recursos financeiros próprios, recorrem aos fundos de investimento para a contratação de atletas que lhes permita atingir alguma paridade competitiva com os galácticos do universo futebolista. Podemos evocar as bem conhecidas circunstâncias dos três grandes portugueses, mas, em Espanha, a situação é idêntica, a exemplo do Atlético de Madrid, que, sem os fundos, nunca poderia competir com o Real Madrid e o Barcelona.

 

A modalidade, no seu actual formato, ameaça igualmente a integridade do desporto, mancha a sua imagem e representa uma sombra muito negra quanto à sobrevivência financeira dos clubes. Cada vez com mais frequência, os passes de jogadores são propriedade de empresas opacas, geridas em paraísos fiscais e controladas por figuras anónimas, que garantem enormes margens de lucro a quem nelas investe.

 

Mas será mesmo que a proibição dos fundos de investimentos afastará os clubes de endividamento ?... Se um clube pretender comprar um determinado jogador e não tiver dinheiro, o que é que impede esse clube de se dirigir a uma instituição bancária ou a um investidor particular para financiar a operação, em parte ou na totalidade, comprometendo-se a pagar mediante determinados prazos e condições ?... Não é evidente, neste momento, que medidas a FIFA poderá tomar neste sentido, até porque poderemos argumentar que sem acesso a crédito, a vasta maioria de clubes de futebol desaparecerá do mapa.

 

Há quem entenda, com razão de ser, que a solução ideal recai sobre a implementação de um sistema regulador rigoroso que impedirá terceiras partes de exercer controlo sobre os atletas e influenciar as operações dos clubes, ou seja, que permita a estes preservar a sua total autonomia e, por consequência, a integridade do desporto, mas sem eliminar totalmente o mecanismo através do qual os clubes menos ricos têm acesso a meios para atingir um elevado nível de competitividade.

 

A realidade nua e crua é que a actual situação extrema por um exagero perigoso devido, exclusivamente, à inaptidão tanto da FIFA como da UEFA, que, ao longo dos anos, se mantiveram nas linhas laterais a observar o desenvolvimento do "monstro", e não obstante a actual exposição mediática, o futuro ainda tem muito, quase tudo, por esclarecer. Isto, sem desculpabilizar os próprios clubes, que foram imprudentes e irresponsáveis nas suas gestões, de certo modo a exemplo do consumidor comum que, com um cartão de crédito na mão, despende além das suas possibilidades e sem medir as inevitáveis potencialmente desastrosas consequências.

 

publicado às 02:50

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