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FIFA proíbe fundos de investimentos

Rui Gomes, em 20.12.14

 

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O Comité Executivo da FIFA anunciou esta sexta-feira que decidiu acabar com o direito de propriedade dos passes de futebolistas por parte de terceiros, nomeadamente fundos de investimento.

 

A interdição entrará em vigor no dia 1 de Maio de 2015, no entanto, os acordos já existentes serão mantidos até à data da sua expiração contratual, e os novos acordos assinados entre 1 de Janeiro e 30 de Abril de 2015, estarão limitados à duração máxima de um ano.

 

Na realidade, esta decisão foi tomada em Setembro de 2014 e era esperado um muito mais longo prazo para a sua implementação. As razões que levaram o organismo a agir mais cedo não foram explanadas.

 

Este é um assunto muito complexo e impossível de abordar, completamente, em um só post, no entanto, vou tentar ser breve e explicar as razões que me levam a opor esta medida.

 

Na minha opinião, a decisão da FIFA fundamenta-se muito menos na sua preocupação com o endividamento dos clubes que contratam jogadores em parceria com fundos de investimento, e muito mais com proteger a integridade do jogo. Como está a ter problemas graves nesse sentido em diversas frentes - basta analisar as candidaturas para os Mundiais - optou por esta medida como um dos meios que visa reduzir a influência obscura - ilegítima mesmo - de terceiros. Poderá eventualmente contribuir para esse fim, mas ficará longe do que é necessário e desejado.

 

Quem mais tem recorrido a fundos de investimento são clubes da América do Sul, Portugal e Espanha. No caso concreto do futebol português, verificam-se os três grandes: Sporting, FC Porto e Benfica, como os principais  protagonistas destas parcerias para reforçar os seus plantéis em termos desportivos e através da valorização dos activos, efectuar transferências muito lucrativas. Neste último contexto, é público que o Benfica e o FC Porto são os que mais têm beneficiado.

 

Sou e sempre fui apologista de novos e rigorosos regulamentos para gerir este processo e não a sua proibição total. Isto, porque vislumbro a dificuldade futura dos clubes portugueses em provas europeias, sem acesso a um certo nível de futebolistas que lhes só são acessíveis via a parceria com os fundos. Também terá impacte no quadro nacional, porque o tipo de jogador com a capacidade para fazer a diferença deixará de competir na Liga portuguesa. Em geral, o abismo entre os que têm e os que não têm, sofrerá um aumento considerável. É apenas lógico e inevitável.

 

A muito propagada visão da Direcção de Bruno de Carvalho peca por ser ingénua, e por se fundamentar principalmente nos maus e até irresponsáveis investimentos assumidos pelo Sporting em anos recentes. Estes exemplos apenas servem para ilustrar, esclarecidamente, os extremos negativos do processo, mas não justificam a sua extinção total.

 

Com tudo isto, é importante compreender que a medida da FIFA não obrigará os clubes a desistir de recorrer a parceiros ou a linhas de crédito para contratar jogadores, apenas proíbe os passes dos mesmos de servirem como garantia para o investimento feito. Não tenho quaisquer dúvidas, que quem é perito nesta matéria já terá em mente outros meios para contornar a interdição. 

 

publicado às 03:56

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18 comentários

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De Julius Coelho a 20.12.2014 às 13:11

Estou 100% de acordo com esta medida, estou surpreso sim por a decisão ter sido tão célere e com tão curto prazo de transição.
Uma tremenda machadada letal nos fundos do Futebol.
Muitos estão neste momento a fazer contas á vida e o estado de graça e arrogancia que alguns agentes destes fundos a passearem-se como reis e que tinham descoberto a galinha dos ovos de ouro acabou-se.
Haverá sempre prós e contras nesta decisão FIFA mas estou convicto que os contra superam largamente os prós.
Os jogadores devem e só pertencerem aos clubes, os clubes é que têm sempre que ficar com a maior fatia do lucro dos seus investimentos ´nao faz sentido de outra forma.
Com o estado actual os clubes são cobaias, são usados como "transporte" como corpo para os parasitas fazerem os seus chorudos negócios.
Os agentes colocam jogadores estratégicamente em certos clubes para promoçao e ponte para os venderem por 10 vezes mais para outros clubes , e na sombra são eles que manejam tudo inclusive o catálogo de oferta aos clubes ricos.
Cada vez mais os clubes são "uasados".
Estou feliz por finalmente acabarem com essa corja , apartir de agora teremos mais verdade desportiva e mais aproximação de capacidade financeira entre clubes aqui do burgo no que toca aos 3 grandes. Os tempos das vacas gordas está a esfumar-se por isso o desespero de alguns como temos presenciado.
O fim do esquema que envolvia o objectivo final do manejo das apostas desportivas
uma economia paralela dos responsáveis desconhecidos que estão por trás desses fundos.
Uma descida á terra , á realidade, um novo ...começo!!
Não á que ter medo, Portugal tem muitos valores sempre a emergirem , com clara aptidão para o futebol, á que trabalhar com a nova realidade e serem mais criativos nas ideias.
A necessidade aguça a criatividade.
O Sporting terá a beneficiar com estas medidas, pior seria impossivel, sermos sportinguistas é sermos diferentes , queremos ganhar ...SIM , MAS NÃO DE QUALQUER FORMA.

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