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Fora do jogo

Naçao Valente, em 08.11.17

 

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No tempo em que o futebol não era transmitido directamente pela televisão, íamos ao estádio ou ouvíamos os relatos na rádio. Nesses tempos, já míticos, o jogo passava-se dentro das quatro linhas e não havia comentadores avençados, verdes, azuis, ou vermelhos, nos painéis de todas as estações televisivas. Liam-se as análises à segunda-feira nos jornais desportivos e discutíamos o jogo à mesa do café. Depois, íamos à nossa vida, que o homem também vive de pão.

 

Hoje temos futebol de domingo a domingo. Todos os dias se joga na imprensa desportiva e sobretudo nos múltiplos programas de debate na televisão. Discutem-se lances, escalpelizam-se imagens de jogadas até à exaustão,de forma obsessiva e sem qualquer efeito prático, porque todos nós, adeptos, só as conseguimos ver com a cor dos olhos do nosso clube. E sobre a mesma jogada, conseguimos arranjar argumentos para puxar sempre a brasa à nossa sardinha. Os programas desportivos e os seus 'paineleiros' estão a transformar o futebol numa actividade tão ou mais alienante que a religião mais fundamentalista. No entanto por detrás destes senhores está quem atira a pedra e esconde a mão, o dirigismo dos clubes que os patrocinam. E não sejamos ingénuos, são todos.

 

E como se isto não fosse pouco, temos agora as máquinas de comunicação dos clubes, principalmente dos chamados três grandes, a debitar impropérios, acusações, suposições, insinuações, sobre os adversários e sobre a arbitragem que, naturalmente, não é impoluta. A culpa nunca é da equipa que joga mal, nem do treinador que erra na táctica, na estratégia e no treino, nem da estrutura desportiva e dos seus responsáveis. Vivemos no tempo do virtual e não do real. Uma coisa é o que se passa, outra é a que nos é fornecida pelas máquinas clubísticas, através dos "média". Análise fria e rigorosa, sentido crítico não existe. Adeptos somos cada vez mais seres pensantes que não querem pensar, mas apenas reproduzir o discurso dos seus líderes.

 

Às vezes, tenho saudades desse futebol genuíno de pontapé na bola, que não é mais que recordação. Este futebol, fora do jogo, afasta-me cada vez mais do prazer de ver jogar à bola. Este dirigismo que não vive para o futebol, mas do futebol, causa-me urticária. Cada dia que passa sinto-me mais longe deste mundo de vale tudo, uma espécie de pão e circo moderno. Por este caminho para onde vais futebol?

 

P.S.: Nunca fui adepto de alianças entre dois clubes como intuito de prejudicar um terceiro, mas com o mal dos outros posso eu bem. Por isso, não gostei de ver o meu clube entrar nesse jogo viciado que apenas irá beneficiar um dos aliados.Quando a luta entre os aliados se torna acesa é certo que acabarão por partir a palha a coices. É o que poderá acontecer entre o Sporting e o Porto. Segundo uma notícia que vi no Record, as picardias já começaram. Não é nada que não fosse previsível e não havia necessidade. Mudam-se os tempos, vêm os que se apregoam de diferentes, mas continua tudo na mesma, ou arriscaria a dizer, muito pior.

 

publicado às 10:15

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38 comentários

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De Schmeichel a 08.11.2017 às 11:37

Eu cresci com jogos de futebol na RTP2 e a ver os resumos no Domingo Desportivo.... que saudades!

O futebol hoje é um negócio de Milhões, e a maioria das pessoas revê-se nesta visão.... eu não!! Eu não encaro o meu clube omo uma empresa que visa o lucro ou somente os resultados desportivos, eu vejo o meu clube como uma instituição desportiva com valores de formação humana, de ecletismo e essencialmente uma forma de estar na vida e no desporto distintas dos restantes clubes. Essa dita diferença do ser sportinguista, tem-se vindo a esbater....

Acho normal a picardia entre clubes, acho normal existirem programas de televisão onde os adeptos dos clubes discutem.... o que eu não acho normal é ser uma discussão cartilhada e orquestrada pelos clubes (uma espécie de marketing para se falar mal dos outros) e pior que isso, esses programas existem praticamente todos os dias, e em vários canais.

Falta programas de desporto com comentadores imparciais, com análises aos lances polémicos de forma imparcial, faltam programas com resumos de futebol jogado (p.ex, nós em Portugal não vemos nada sobre a II Liga...). Eu algumas vezes acho que muitos dos que falam de futebol.... não gostam de futebol!
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De Mike Portugal a 08.11.2017 às 12:04

Schmeichel,

A mentalidade Portuguesa nunca foi pela paixão do Futebol e sim pelo clube. E isso não é novo, já vem desde há muitos anos.

A questão dos programas desportivos acontece porque a comunicação mudou de paradigma há vários anos, devido às redes sociais e à globalização, primariamente. Neste momento tens orgãos de comunicação que apenas existem para sobreviver e que mal conseguem ser sustentáveis (não só os jornais desportivos).

Os próprios clubes não são sustentáveis e isso leva as pessoas a querer a todo o custo, estar sempre por cima. Usam a comunicação para fazer guerra com outros, causando assim uma maior fraqueza no adversário e artificalmente aumentando a sua própria força.

Isto não poderá ser mantido por muito mais tempo !!
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De Schmeichel a 08.11.2017 às 12:59

Sobre a mentalidade portuguesa, só não concordo com a visão de que é só em Portugal..... eu diria que é mais uma mentalidade latina.... Espanha, Itália, Grécia, são bastante semelhantes à nossa.

Já vivi em Inglaterra e em França, e posso dizer em particular no caso inglês, que é uma cultura virada para o desporto na sua globalidade.... vês uma SkySport News e dão resumos da First Division (equivalente à nossa 2ºB....).... vais a um Pub e estão a dar vários tipos de desporto..... em cidades de 50mil habitantes, tens assistências médias de 15/20mil espectadores.... as pessoas interessam-se muito pelo jogo, são conhecedoras.
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De Naçao Valente a 08.11.2017 às 15:27

Schmeichel,
Concordo consigo, O Sporting foi e tem de ser uma instituição com valores de formação humana. Hoje é uma instituição em desespero para ganhar o campeonato. Mas o desespero não é o melhor caminho.

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