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Formação e fidelidades

Naçao Valente, em 27.07.18

 

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Tem sido assunto de muita polémica as rescisões de nove jogadores do Sporting, no fim desta época desportiva. É ,no entanto, um caso tão insólito quanto raro, e que só foi possível na sequência do delírio "tremendus" que atingiu o presidente destituído a partir do mês de Março. Não tivesse acontecido esse desvario, o Sporting teria todo o seu plantel, e estaria a negociar, normalmente, as vendas de alguns desses activos.

 

Comentadores do Camarote põem todo o ónus de culpa nos jogadores, esquecendo a origem principal desses acontecimentos. Os jogadores foram acusados de ingratos, quiçá de traidores. Ídolos que passaram num abrir e fechar de olhos de bestiais a bestas.

 

Compreende-se na perspectiva da irracionalidade do adepto, mas não tem cabimento algum numa análise racional, onde se devem considerar razões objectivas. Decerto que terá havido motivações variadas, e admito que alguns se tivessem atrelado ao carro das rescisões sem reais motivos que o justificassem.

 

Esta situação levanta, porém, uma discussão que tem a ver com os direitos de formação, por terem aqui sido usados como argumentação para condenar os atletas em causa, a um grave crime de "lesa pátria". Os direitos de formação estão regulamentados, os formandos têm contratos assinados com o clube formador, seja ele qual for, e dele constam direitos e deveres. Nenhum desses contratos implica uma espécie de fidelidade, tipo feudal, em que o formando, se obrigue a nunca poder denunciar o contrato, estando amarrado por direitos de formação. Afinal vivemos ou não numa sociedade livre?

 

Mas a questão dos direitos de formação merece outra reflexão. Diz-se que o Clube gastou imenso dinheiro com essa formação  e que deve ser ressarcido. Não passa de uma meia verdade. Eu gostaria de saber quantos dos milhares de formandos que passam pelos clubes dão em termos financeiros qualquer contrapartida. Certamente uma pequena minoria. A maior parte destes formandos vai-se perdendo pelo caminho, e apenas um número muito reduzido chega a profissional, e um número ainda mais reduzido garante retorno financeiro. Podem-se contar pelos dedos das mãos, os que deram retorno assinalável. Com todos os outros, tirando a sua participação em provas dos escalões em que actuaram, só constituíram despesas.

 

E quando futebolistas como Gelson, Rui Patrício, William, Podence, Leão ,apenas para referir os que estão envolvidos nestas rescisões, têm valor de mercado considerável, pela sua qualidade, nós adeptos devíamos estar-lhe gratos, pois são a tal e reduzida minoria que irá realmente "pagar" e bem o dinheiro gasto. E volto a repetir, se chegaram a este patamar, não foi somente pela formação em si, mas pela sua qualidade. E quando partem para outras paragens, independentemente da mais valia que geraram, já acrescentaram muito valor ao clube que os formou, e neste caso específico à marca Sporting.

 

Foi o que aconteceu com os referidos atletas, que embora tenham apresentado rescisão, pelas razões conhecidas, têm estado abertos a negociações, entre o seu clube formador e o que os pretende contratar. Como estas correm para o clube é uma situação que já os ultrapassa, mas estou convicto que ficarão satisfeitos, se este fizer um bom negócio. Claro que, numa outra vertente, procuram melhorar a sua condição profissional, mas isso é inerente à ambição de qual quer trabalhador. É verdade, que pelo meio, há os empresários que gerem a sua carreira, e que também tiram bons proventos. É a realidade que existe e existirá, enquanto o dinheiro, comandar o mundo.

 

Em conclusão, parece-me uma injustiça gritante para estes atletas, a forma como foram tratados pela irracionalidade de alguns adeptos, que vivem fora do tempo, e ainda confundem relações livres de trabalho, com relações de tipo feudal, para mais assentes na falácia da formação, e num tipo de fidelidade que não existe, noutros tipos de actividade. 

 

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publicado às 04:18

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57 comentários

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De Mike Portugal a 27.07.2018 às 08:52

Nação Valente,

"Nenhum desses contratos implica uma espécie de fidelidade, tipo feudal, em que o formando, se obrigue a nunca poder denunciar o contrato, estando amarrado por direitos de formação."

Por acaso os direitos de formação existem e estão consagrados pela FIFA. Tanto que recebemos mais €2,25M pelo Ronaldo há bem pouco tempo.
E já agora, a fidelidade não é algo que possa ser legalizado, mas devia existir moralmente. Só que para alguns não existe. Estamos a falar de jogadores que foram tirados das ruas, dados de comer e cama e que graças ao nosso clube são aquilo que são hoje.

Se o jogador tem o direito de ignorar tudo isso e querer sair do clube de qualquer maneira eu também tenho o direito de o criticar e insultar por isso.
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De Bento de Jesus Carvalho a 27.07.2018 às 09:28

Cito apenas esta parte:
"foram tirados das ruas, dados de comer e cama e que graças ao nosso clube são aquilo que são hoje."
Ou seja se eu tiver a oportunidade de trabalhar numa empresa onde ganhe experiência de trabalho e me torne num dos melhores da minha actividade, fico impedido de procurar melhores condições de trabalho para a minha vida, porque sou-lhes devedor de eterna fidelidade!
Esquece o Sr. Mike que os jogadores são primeiro que tudo seres humanos, com famílias e só depois jogadores de futebol. Esquece também que se um atleta for perneta não há formação que lhe valha e pouco lhe importará se este for reenviado para as ruas de que supostamente o clube os tirou!
Nem se dá ao trabalho de tentar compreender o que foi escrito pelo Nação Valente!
Apenas compreendo esta forma pensar, pela paixão dos adeptos pelos seus clubes, que faz com que as regras da vida real, por assim dizer, não se apliquem a esta actividade!
E esta paixão é também a principal causa de tantos se terem deixado enganar, durante tanto tempo pelo lunático ex presidente!
Não sou ninguém para dar lições de vida, mas pense um pouco nisto e talvez da próxima vez que lhe apareça um BdC, não se deixe enganar tão facilmente!
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De Mike Portugal a 27.07.2018 às 10:11

Cito apenas esta parte:
"Se o jogador tem o direito de ignorar tudo isso e querer sair do clube de qualquer maneira eu também tenho o direito de o criticar e insultar por isso."
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 10:25

-"eu também tenho o direito de o criticar e insultar por isso." -
Insultar?..
Quem e com que direito tem de insultar alguém, alguém?? ...
Uff!!. A barbárie no seu melhor.
Este Miguel Portugal é a pior coisinha como comentador que anda por aqui no blog.
Se aqui houvesse uma votação para o pior blogueiro, este Miguel Portugal ganhava com 90% , os restantes votos eram nulos ou em branco.

P. S. Votemos.. LOOOOOOOOOLL!!!
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De Victor Peres a 27.07.2018 às 12:17

Eu penso que em nenhuma situação tem o direito de insultar ninguém.
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De Victor Peres a 27.07.2018 às 12:20

Eu não penso que insultar alguém seja um direito que alguém possa ter. Esse é um pensamento muito do género daqueles que atiraram os petardos à baliza do Patrício...
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De Leila Coutinho a 27.07.2018 às 09:59

Subscrevo as suas palavras.
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 12:47

Mike Portugal,

Os direitos de formação estão de facto previstos, assim como as condições entre o trabalhador e a entidade patronal estão expressas no respectivo contrato. Isso não implica que o trabalhador não possa rescindir. O diferendo será resolvido pelas entidades competentes.
Outra coisa é considerar que o jogador porque lhe foi dada formação deve fidelidade eterna, como se passasse a ser propriedade do clube. Dou-lhe esta imagem: ninguém consegue transformar pedras em diamantes. O valor do diamante está em si e só precisa de ser lapidado. Isso não significa que o lapidador passe a ser o seu dono. Apenas deve ser recompensado pelo seu trabalho. Muitos destes "diamantes" andaram anos a ser lapidados, e quando atingiram a "perfeição" começaram a pagar a lapidação ao serviço do próprio clube. Até serem vendidos dão muito a quem os formou.

Tem direito de criticar e insultar? Possivelmente. A questão é saber se deve
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De Bento de Jesus Carvalho a 27.07.2018 às 09:06

Caro Nação Valente
Mais um excelente post, muito bem ponderado.
Louvo-lhe a clareza de ideias na análise deste assunto!
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 12:52

BJC,
Grato pela apreciação. Na análise deste assunto, ou em qualquer outro, temos de nos saber colocar fora da questão. Mas aceito e compreendo que não seja fácil, sobretudo quando a emoção predomina.
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De Diogo a 27.07.2018 às 09:47

Nem BdC, nem os jogadores devem ser desculpabilizados do que aconteceu.

Agora, achar, como parece que o Nação Valente diz, que devemos estar gratos aos atletas da casa "pela mais valia que geraram", quando objetivamente causaram um prejuízo de dezenas de milhões de euros ao clube que os formou desde de que eram crianças, é irreal.

Abertos a negociações? Pois claro que estão abertos a negociações. Estão sujeitos a uma contingência tremenda e podem resolver a sua situação em termos muito mais benéficos financeiramente para si mesmos.

Os jogadores foram vítimas de um vil atentado e merecem o seu apoio por isso. Tinham motivos para estar em estado choque.

Mas, um mês depois, ficou evidente o choque dos sportinguistas face ao que aconteceu, a prisão dos meliantes, a saída de BdC... os motivos de "justa causa" já tinham soçobrado. Mas todos forçaram a barra e continuaram a forçar a mão do Sporting.

A todos os jogadores que rescindiram e forçaram a mão do Sporting, assinando por clubes insignificantes do ponto de vista desportivo e causando um prejuízo de dezenas de milhões de euros ao Sporting, injusto é para o nosso clube, que é muitíssimo superior e muitíssimo mais elevado do que esta meia dúzia de atletas, ter algum tipo de gratidão ou agradecimento por estes atletas.

E custa-me imenso a admitir que os sportinguistas os apoiem e vejam justificar as suas atitudes, quando estes atletas puseram em causa a existência do nosso clube.
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De altaia a 27.07.2018 às 10:09

Acabaste de manipular as coisas tal como faria B.C parabéns.!.
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De Diogo a 27.07.2018 às 12:30

Como por exemplo... ?
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De altaia a 27.07.2018 às 13:28

Vê bem as datas dos acontecimentos, na dúvida rescindiram o que qualquer um faria na situação deles.
Ou ainda há quem pense que não era o B C a causa disto?
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 10:42

Prejuízo???. ..
Quais milhões?.. Os hipotéticos🤔🤔
Teremos que rever o significado de prejuízo.. 😁

-"custa-me imenso a admitir que os sportinguistas os apoiem e vejam justificar as suas atitudes, quando estes atletas puseram em causa a existência do nosso clube." -
Ninguém justifica nada.. Tentamos entender os diversos ponto de vista desde fora...
Nenhum de nós conhece a 100% todos os detalhes e cada caso é caso..

Então, acusar os jogadores de que causa arruinavam o clube!.
Uff!!. Ó Diogo 😎

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De Diogo a 27.07.2018 às 12:33

Caro Carlos,

É evidente que a posição do Sporting neste momento para negociar Bruno Fernandes e Bas Dost é completamente diferente da que tem para negociar Gelson Martins e Battaglia. E só por isto, está aqui um prejuízo.

E é absolutamente evidente que os jogadores, assumindo todos eles, ao rescindir, que eram jogadores livres e credores do Sporting em largos milhões, quase arruinaram o clube, sem dúvida.

SL
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 12:57

Diogooooo,

Quem quase arruinavao clube foi o Bruno.. O Brutus Bruno.. Ele, o Carlos Vieira e todos os outros, incluindo apoiantes anónimos.
Nunca os jogadores!.. Graças aos jogadores até nos livramos deles. Pois, anteriormente poucos levantavam a voz... E nem com o ataque a Alcochete, como já alguém me respondeu.
É só recapitular!. Querer analisar.

Ter posiçao negocial diferente, concordo.. Mas, isso não é a ruína do clube, nem pouco, nem mais ou menos.
Os assumiram rescindir mas, não assumiram moralmente na sua maioria, pelo menos e até ao momento em querer uma real indemnização financeira.. Até agora, tem sido o contrário..
Prejuízo, zero. (Bola! 😁)
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De antonio a 27.07.2018 às 12:52

Nao discordando mais ou menos das suas linhas gerais, a justa causa nao se apaga apenas porque as condicoes de trabalho mudaram (leia-se os adeptos em choque, uns tipos presos e o presidente expulso).

A todos os que afirmam que os jogadores nao podem pedir justa causa, tenham atencao que o próprio Sousa Cintra já disse que reforcou a seguranca na Academia. Ou seja, o próprio admite que estas nao eram as mais adequadas há data dos acontecimentos, o que só ajuda a validar a decisao dos jogadores.
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De antonio a 27.07.2018 às 12:52

* à data
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 12:58

Sou sportinguista, com tenho as minhas convicções políticas. Sei que não é fácil, mas quando analiso seja o que for procuro distanciar-me da situação, e fazê-lo com a máxima imparcialidade. Consigo ser totalmente, isento claro que não.
Neste caso concreto procuro despir a pele de adepto. É isso que, possivelmente, nos diferencia na análise.
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De Diogo a 27.07.2018 às 17:21

Caríssimo,
Por essa perspetiva, nada a dizer.

SL
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 10:28

Nação Valente,

Parabéns, primeiro!... Segundo, muito valente foi em publicar esse texto. Há muito "boa" gente que nem o saberão ler..
Mais claro, impossível!!.

O meu aplauso👏👏👏👏👏👏
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 13:03

Carlos N.T.,
Obrigado pela apreciação e obrigado pela participação lúcida no debate. Com a sua clareza, poupa-me trabalho, e acrescenta perspectivas pessoais, que enriquecem a discussão.
Abrazzzo
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De J. a 27.07.2018 às 10:36

Há com cada comparação......Tomara eu que a minha empresa me tivesse ido buscar aqui á escola pública aqui da zona quando tinha 12/13 anos, e me tivesse posto na melhor escola do país durante mais de uma década onde pudesse beneficiar das melhores condições e professores de Portugal.
Ao mesmo tempo, vendo a minha evolução ia-me aumentando o salário e colocando no melhor palco europeu (Champions) contra as melhores equipas da Europa.
E com tudo isto ainda acharia legitimo rescindir com justa causa com a entidade que me deu tudo isto, se um grupo de criminosos me invadisse o local de trabalho e me ameaçasse fisicamente?
Eles não rescindiram com o BdC, tanto que este já há mais de um mês que não lá está e pelos vistos não volta tão cedo. E ninguém voltou atrás com a sua decisão.
Rescindiram com o SPorting....o clube que no 99.999% do tempo de ligação com o jogador lhes ofereceram as melhores condições para ser aquilo que são hoje.
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 11:01

A sua história transporta-me ao Portugal do antigamente.
Quuando eu cheguei a Portugal com 16 anos, não de visita sim, para assentar arraial comecei a descobrir coisas estranhas...que por exemplo ainda hoje se vêm na américa-latina, especialmente.

Ora, vamos lá!
A gente abastada das vilas portuguesas iam às aldeias buscar meninas pobres(as tais sopeiras) para trabalhar nas lides da casa.
Tinham um quarto com uma cama cómoda nunca antes disfrutada, roupinha a condizer, não mais os trapos velhos da aldeia e até ganhava uns tostões para enviar à familia.. Era então, a menina rica dessa familia.
E, todos contentes!.
O senhorio, a madame, as crianças, a sopeira e a familia da sopeira..
Só que de repente esta sopeira conhece um rapaz da vila com alguma vida e um empregozinho que deseja levar-la e aí começa a confusão...

O resto da história podem muito bem vocês continuar-la.
Tudo se parece, correcto?
É essa mentalidade que muitos ainda estão atados.
Mentalidade da posse, é meu,..

P. S. Alguns amigos por aqui, parecem maridos encornados LOOOOOOOOOOLL!!!..

Abrazzzo
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De Diogo a 27.07.2018 às 17:25

A sopeira valia 20 ou 30 milhões?!
Bons tempos!

SL
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 19:02

LOOOOOOOOOOOOOOOLL!!..
Se calhar mais, nao quantificado em euros..
A sopeira certa para cuidar a casa, das criancas, dócil, barata e se arrebitar ainda leva porrada ou até ter de dar o pito ao senhorio nao se encontra ao virar da esquina…
Mais ou menos como o miúdo da formacao .. se for necessário joga, se nao for empresta-se ou deita-se fora.(Há pelo menos um em cada uma das equipas da primeira Liga portuguesa)
Se for craque vende-se sem perguntar se ele deseja ficar no clube que o formou.
Se por acaso ficar nao pode ganhar muito pois, é um da formacao.
Se arrebita a venta, leva com tochas ou fazem umas festinhas ao pneus do seu automóvil ou qualquer outro presente .
Se ele desejar saír … Nao pode, ponto parágrafo. Impensável, imoral, sacana, só pensa no dinheiro, etc....


Abrazzzo
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De Carlos N.T. a 27.07.2018 às 19:31

Diogo,

Quanto vale a sopeira da Raínha de Inglaterra?..
Há sopeiras boas que até chegam a modelos..ou atrizes profissionais
Vá lá Diogo, nao venha com históriazinhas. LOOOOOOOOOLL!!
Mas que me impresssionaram alguns casos , lá isso impressionaram, para mais a miúdo que eu era. Cuidado, ainda hoje existem, talvez mais camuflados, melhor renumerados,etc
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De Paulo Salcedas a 27.07.2018 às 11:38

Excelente texto, parabéns
Há aqui claramente pessoas que acham que têm direito a insultar os atletas, lamento, não têm.
É evidente que nenhum sportinguista ficou contente com as rescisões, todos temeram e temem as consequências desse facto para o Sporting (financeiramente e desportivamente) no entanto a realidade é que o Sporting pôs-se a jeito para que isto acontecesse.
Não podemos ver o episódio de Alcochete como o único causador da saída dos jogadores, este acontecimento faz parte de toda uma conjuntura que teve como consequência máxima as rescisões e não pode ser considerado isoladamente.
A verdade é que a conduta dos dirigentes do Sporting (especialmente do Bruninho Bardam*rdas) criou as condições para que tudo isto acontecesse.
E o pior é que mesmo após Alcochete continuaram os jogadores a receber ameaças, contra os próprios e contra as respectivas famílias, nesta situação, sabendo que os criminosos possuíam as vossas moradas, sabendo do risco que podia até atingir as vossas famílias e acabar em tragédia, não iam para outro lado se pudessem??
A Comissão de Gestão conseguiu evitar um descalabro ainda maior, com os regressos para já de Bruno Fernandes e Bas Dost, veremos se conseguem mais alguma coisa, mas ninguém tenha dúvidas que os jogadores só regressaram e só há conversações porque BdC saiu de cena.
O problema principal no pós-rescisões é que depois entram em cena empresários, advogados, outros clubes, etc etc , os jogadores a maior parte das vezes nem tomam as decisões sozinhos e toda esta cambada quer é ganhar dinheiro, o resto é história.
Portanto o Sporting pôs-se a jeito para isto tudo, infelizmente, estou esperançado que consiga amenizar esta situação tão má.
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 14:19

Paulo Salcedas,
Quem gera dinheiro no futebol são artistas/jogadores/técnicos. Sem esta base o futebol não existiria, sem menosprezar as estruturas que o envolvem e desempenham o seu papel. Neste contexto se inserem os empresários, que se aproveitam do trabalho que fazem para tirar uma boa fatia do bolo. Como presidentes, directores e por aí fora, são um "mal" necessário.
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De Marcos Cruz a 27.07.2018 às 12:29

"Nós últimos meses o clube viveu momentos complicados, mas se teria de sair daquela que será sempre a minha 'casa', teria de ser da melhor forma possível para o Clube." Excerto da mensagem de despedida de William Carvalho. Vamos dividir as coisas em partes.
- CDT (Culpado Disto Tudo): Bruno de Carvalho.
- Rescisões: temos de as compreender, como uma resposta aos acontecimentos.
- Compromisso com outros clubes, já após a "expulsão" de BdC: há as saídas limpas e as saídas sujas. Como exemplo das primeiras, a de William; como exemplo das segundas, a de Gelson. Entendo que os jogadores formados no clube deveriam ter feito valer junto dos seus empresários a exigência de que os interesses do clube fossem respeitados.
- Empresários: não são exactamente DDT (Donos Disto Tudo). Têm muito poder, é verdade, como referiu Sousa Cintra alguns deles não têm escrúpulos nenhuns, mas o caso de Bruno Fernandes, que rejeitou a proposta do seu empresário e lhe disse que a voltar teria de ser pelas mesmas condições, mostra que a vontade dos jogadores ainda pesa nas decisões.
- Ética: uns têm, outros não. Para uns, a finta em campo transporta-se para fora dele, as ambições desportivas e financeiras justificam que se esqueçam as origens. Qualquer futebolista quer transcender o que já conseguiu, é a essência do sucesso, mas há uma diferença entre a transcendência includente, que é a que não rompe com o passado e o integra no movimento rumo ao futuro, e a transcendência excludente, que é a que se faz rompendo com o passado e o respeito que ele justifica. O que distingue um comportamento ético de um comportamento individualista é precisamente o facto de este tender a olhar apenas para o interesse do indivíduo que o tem e aquele contemplar o benefício de quem está inserido na equação, independentemente de, claro, privilegiar os interesses do indivíduo.
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 14:23

Marcos Cruz,
Concordo com a sua análise, que em certo sentido, complementa o que escrevi.
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De Cris Dileo a 27.07.2018 às 12:55

O seu texto assenta em dois pressupostos errados:

Não li ainda nenhum comentário a por o ónus da culpa em exclusivo nos jogadores, nem sequer a maior parte.
A culpa desta situação é de BC, mas os jogadores tiveram várias escolhas - rescindir ou não, voltar ou não depois de BC ser afastado; permitir ou não que o Sporting encaixasse alguma compensação com a sua saída.

Eu como Sportinguista - vou valorizar sempre mais os que cá ficaram, mas também os que voltaram ou que permitiram que o clube recebesse algo pela sua saída

Segundo: os direitos/obrigações dos jogadores têm características diferentes do resto do mercado de trabalho. se está correcto ou não não sei - mas a haver mudanças tem de ser para todos e não só para os jogadores da formação do Sporting.

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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 14:38

Cris Dileo,
A minha abordagem é genérica e aplica-se a qualquer entidade formadora na área em causa. Tendo esta situação invulgar acontecido no Sporting, é natural que refira esse acontecimento.

No caso específico destas rescisões, está clara a razão que as desencadeou. A partir daqui cada uma delas tem a sua especificidade. Houve quem o fizesse com total convicção e quem o fizesse, admito, por oportunismo.

Diz que os jogadores têm direitos/obrigações diferentes. Esses direitos/obrigações estão regulamentados, e em nenhuma circunstância admitem que o trabalhador seja uma espécie de "escravo" da entidade patronal, o que é para alguns adeptos. É esse o cerne da questão.
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De Robbie Fowler a 27.07.2018 às 17:29

Permitam-me só uma achega, os que defendem a obrigação moral de os formados no Clube, serem fiéis até à morte, e cuidado porque isso de os terem tirado das ruas é uma imagem muito redutora, também acham que aqueles que deram tudo ao Clube até aos juniores, e depois são dispensados, deveriam ter direito a um contrato vitalício, ou serem indemnizados pelos anos de casa.

Cumprimentos
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De Marcos Cruz a 27.07.2018 às 12:58

Já agora, só para concluir: eu acho que o Nação Valente toma por adquirido que os jogadores não devem nada ao clube. É uma visão enquadrada num tempo em que, como ele diz, o dinheiro comanda o mundo. Mais vai mais longe: chama irracionais aos adeptos que não concordam com ele e alega que vivem fora do tempo. No que me toca, e para usar palavras suas, "não passa de meia verdade": eu vivo, de facto, fora da premissa de que o dinheiro deve comandar a minha conduta, e não por não precisar de o ganhar todos os meses; acho que o dinheiro, feliz ou infelizmente, condiciona muito e muitas das nossas decisões, mas acho também que ainda há valores além do dinheiro. O raciocínio do Nação Valente, e digo raciocínio porque ele, ao contrário de mim, é racional, traduz um paradigma contemporâneo em que o território do valor está a ser completamente anexado pelo do preço. A minha concepção, pelos vistos irracional, é outra: a de que valores e preços podem coabitar. Outra coisa: ele diz que só razões objectivas devem ser consideradas, mas se assim fosse talvez Bruno Fernandes e Bas Dost não tivessem regressado ao Sporting, o que me leva a pensar que o Nação Valente reprova não só esses regressos como a atitude dos jogadores em causa. Porquê? Porque foram irracionais. Porque, ao desejo natural de terem melhores condições desportivas e financeiras, talvez tenham acrescentado um outro: o de serem "justos". Ou a justa causa para lá da justa causa. É uma coisa que pertence à consciência de cada um, e não apenas à do Nação Valente ou de quem vive "dentro do tempo".
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 15:52

Marcos Cruz,
Já tinha comentado o seu comentário, quando li este "anexo/conclusão. Ao contrário do que ironicamente vai dizendo, este seu acrescento é mesmo muito racional. E tenho alguma dificuldade, em o rebater nessa perspectiva.
No entanto, se percebi bem o seu texto, parece-me que faz extrapolações/interpretações, legítimas no seu ponto de vista, mas que "deturpam" o que escrevi, retirando frases do contexto, ou alterando-lhes o sentido.
O facto de dizer que o dinheiro comanda o mundo, não pode ser usado para concluir que não considero a dimensão ética da realidade. Pura e simplesmente não é esse o assunto.
Da mesma forma "interpreta" como lhe convém a minha expressão, sobre a irracionalidade do adepto, tirando-a do contexto, e generalizando (Comentadores do Camarote põem todo o ónus de culpa nos jogadores/e tratados pela irracionalidade de alguns adeptos) escrevi.Essa irracionalidade existe de uma forma genérica, é pautada pela emoção, e faz parte da natureza humana Mas não se pode fazer de forma isenta, qualquer análise, sem nos libertarmos, na medida do possível, da vertente emocional, na minha modesta perspectiva.
"Onde se devem considerar razões objectivas" substituiu por "ele diz que SÓ razões objectivas devem ser consideradas" Apenas nesta deturpação do que escrevi posso entender toda a extrapolação que faz, sobre o regresso dos jogadores, questão que não abordo, e que, desculpe-me a franqueza, não passa de um exercício, que além de incorrecto, (atribuindo-me posições que não tenho) revela alguma má fé.
Por fim, enquanto divaga com o uso de expressões descontextualizadas, ignora, neste anexo, a questão que pretendi trazer a debate ou seja, a "feudalização" dos atletas à entidade patronal, na opinião de alguns adeptos.





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De Rui Gomes a 27.07.2018 às 13:35

Caro Nação Valente,

Era minha intenção comentar o seu texto mais cedo, mas não tive oportunidade. Entretanto, escrevi um longo comentário, que se apagou inadvertidamente, porque escrevo num café, em que as condições não são as melhores. Vou tentar recuperar algo do que já tinha escrito.

Compreendo os seus argumentos, subscrevo alguns na íntegra, discordo de outros. O seu enquadramento da formação que um clube como o Sporting leva a cabo, é muito incompleto, assim como é o respectivo investimento, tanto em termos financeiros, logísticos e de recursos humanos disponibilizados.

É verdade que o clube investe num jovem com o objectivo de eventual retorno, desportivo, primeiro, e depois, financeiro. Contudo, o risco é todo assumido pelo clube e não pelo atleta, em regra geral.

No caso concreto do Sporting, os miúdos chegam à formação com 8/9/10 anos. O investimento do clube começa logo aí e continua até pelo menos aos 15 anos, sem quaisquer garantias de retorno, mesmo com os jovens que evidenciam talento meritório de aproveitamento. Só aos 15 anos é que é possível assinar o primeiro contrato, que é de formação e não profissional. Até esse ponto, o jovem é livre de sair em qualquer altura e o clube nada pode fazer. Tem o recém-exemplo do jovem que veio do SC Braga para o Sporting.

O contrato de formação, é no máximo 3 anos, ou seja até aos 18 anos. A partir dos 18, não havendo contrato profissional, o jovem fica novamente livre. (recorde-se o caso de Bruma, em que o Sporting anexou um quarto ano em paralelo, contra as regras da FIFA).

No todo deste processo, mediante as regras vigentes, os direitos de qualquer jovem são sempre tomados em conta. O jovem nunca está exclusivamente à mercê do clube e pode tomar decisões sobre o seu futuro sem ser condicionado para o efeito.

A partir do momento que assina um contrato profissional, a história é outra.

Sempre tentei compreender a posição dos jogadores que rescondiram, porque era impossível ignorar o factor Bruno de Carvalho, em vários aspectos. Mas houve um claro aproveitamento da situação por alguns menos afectados pelos eventos de registo, claramente induzidos pelos empresários a rescindir para assim atrair ofertas do exterior, em princípio, sem obrigatoriedade de compensação. Rafael Leão, Podence e até o Gelson, creio eu, enquadram-se neste cenário.

Bem, tenho muito para dizer sobre este assunto, mas vou ficar por aqui. Onde me encontro neste momento não é o local ideal para organizar ideias.

Abraço
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De Cris Dileo a 27.07.2018 às 14:25

Concordo em absoluto
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 16:36

Caro Rui,
Concordar ou discordar faz parte de qualquer debate, Aceito, como diz, que a questão da formação não esteja bem desenvolvida no meu texto, mas também não era esse o objectivo, nem teria conhecimento para o desenvolver. Até aproveito para agradecer o esclarecimento que acrescentou, e que complementa, o que escevi. Acredito que pela sua experiência, terá muito para dizer.

Mas para clarificar um pouco mais, a minha abordagem tem a ver com a utilização que alguns adeptos fazem dos direitos de formação, servindo-se disso para considerarem os jogadores propriedade absoluta do Clube. Mas também referi que, neste processo, houve alguns oportunismos.

Apenas uma pequena discordância de interpretação, quando diz que todo o risco é assumido pelo Clube. Entendo que o atleta também investe com o seu esforço, o seu trabalho, a sua qualidade. Se assim não for, não há investimento com sucesso.
abraço
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De Rui Gomes a 27.07.2018 às 16:48

Caro Nação Valente,

A minha prévia observação não visava crítica, mas sim alargar a premissa de discussão.

É evidente que o jovem atleta também arrisca, como qualquer um de nós quando, em juventude, assumimos perseguir uma carreira.

Na essência, a formação de atletas, neste caso futebolistas, é sempre uma faca de dois gumes. O Sporting, muito em particular, tem sido a espinha dorsal do futebol nacional através da sua Academia de talentos. Para o efeito, basta ver que na equipa Campeã da Europa constavam 10 formandos.

Hoje, mais do que nunca, é imperativo ter uma estrutura de excelência para o futebol, em geral, e para o futebol de formação, em particular. Já existiam algumas lacunas e, lamentavelmente, nestes anos sob o ex-presidente, viu-se uma ausência total dessa estrutura.

Era minha intenção publicar alguns textos sobre o estado da nossa formação com a participação de Aurélio Pereira. Infelizmente, os seus actuais problemas de saúde impedem esse projecto e não sei se vou conseguir este meu propósito.
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De Naçao Valente a 27.07.2018 às 18:39

Caro Rui,
Direi que faz falta essa reflexão sobre o estado da formação no clube. De facto, também tenho a percepção que nos últimos anos andou para trás, em função de estar entregue a gente sem as devidas competências. Oxalá que o seu propósito se possa concretizar.

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