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Fotografia com história dentro (100)

Leão Zargo, em 10.06.18

 

thumbnail_Estádio José Alvalade 1956.jpg

 

“O amor é louco…”

 

A construção do Estádio José Alvalade em 1956 constituiu uma invulgar história de amor. As peripécias relacionadas com a construção, o envolvimento dos sportinguistas e a festa da sua inauguração fazem-me sempre trautear um conhecido fado que o Carlos Ramos cantava por aqueles dias: “O amor é louco / não façam pouco / desta loucura”!

 

A construção do nosso Estádio foi um caso sério próprio de loucos apaixonados. Houve quem pagasse cinco escudos (ou dez, ou vinte, conforme cada um) para pegar numa picareta e ajudar a demolir o antigo Campo do Lumiar e, em contrapartida, receber o emblema “Leão com picareta”. Muitos sócios entregaram um dia de salário ao clube. A “Campanha do Cimento” valeu muitas e muitas toneladas. Organizaram-se festas, excursões e uma Grande Gala no Coliseu dos Recreios em Lisboa. O Plano Financeiro das Obras do Estádio José Alvalade propôs aos sportinguistas a aquisição de títulos de subscrição, os “lagartos”. Nos dias em que o Clube jogava, nas proximidades do campo de futebol, ouvia-se gritar a plenos pulmões “comprem o lagarto” e “olhó lagartinho”. Um conhecido arquitecto sportinguista, Anselmo Fernández, não aceitou ser remunerado pelo projecto de construção. O amor é louco, obviamente.

 

A construção do nosso Estádio revelou o carácter interclassista do Sporting Clube de Portugal, que para conseguir erigir a obra que sonhava teve de socorrer-se dos seus associados para que contribuíssem financeiramente de acordo com as possibilidades de cada um. Apesar do esforço e dedicação, constituiu um tremendo encargo financeiro que viria a reflectir-se nas contas do clube nos anos seguintes.

 

O novo Estádio foi construído sobre o Campo do Lumiar, designado José Alvalade desde 1947, e foi projectado pelos arquitectos Anselmo Fernández e António Sá da Costa e pelo engenheiro Ruy José Gomes. Uma frota de motorizadas Vespa trouxe terra de Olímpia, na Grécia, que foi simbolicamente incorporada na pista de atletismo. A inauguração verificou-se no dia 10 de Junho de 1956 com um grande espectáculo desportivo revelador do ecletismo e universalidade do Sporting e um jogo de futebol com os brasileiros do Vasco da Gama.

 

publicado às 13:00

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20 comentários

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De PSousa a 10.06.2018 às 13:06

Bonita história do nosso "velhinho" Alvalade!
Obrigado LZ
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 13:19

"O amor é louco", PSousa!
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De Carlos N.T. a 10.06.2018 às 13:09

Centenário!
Parabéns..

P. S. Eu estive nesse estádio. Vi lá jogar craques, craques. 😁😁
Tinha uma especial aura!
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 13:20

Carlos, é verdade, uma "casa" muito especial, será inesquecível!
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De Rui Gomes a 10.06.2018 às 13:14

Caro Leão Zargo,

Muitos parabéns por esta meta notável com uma rubrica já histórica entre os leitores do Camarote Leonino.

Bem haja!
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 13:27

Obrigado, caro Rui Gomes.

Estes posts intitulados "Fotografia com história dentro" constituem uma pequena aventura, mas proporcionam-me um grande prazer. É fantástica a riqueza da História do Sporting, e é precisamente isso que procuro transmitir aos nossos leitores. É um privilégio extraordinário ser redactor no Camarote Leonino para poder publicar estes posts.

O nosso Clube pode, em determinadas circunstâncias, atravessar momentos perigosos, mas possui sinergias que o levantarão de novo. Sempre!

Um abraço sportinguista
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De Naçao Valente a 10.06.2018 às 13:22

Caro Leão Zargo,
Um bom pedaço de história do nosso Sporting. Um clube feito de vontades, de altruísmo, de entrega, de solidariedade. Tempos tão distantes dos que hoje vivemos, em todos os sentidos.
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 13:28

Isso mesmo, caro Nação Valente, vontade, altruísmo, entrega e solidariedade. É o nosso Sporting.
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De Fidalgo a 10.06.2018 às 14:38

“Uma frota de motorizadas Vespa trouxe terra de Olímpia, na Grécia, que foi simbolicamente incorporada na pista de atletismo.” Este momento deixou-me...eu sei lá...:)

Recordar é viver! Leão Zargo, obrigado por este momento.
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 15:43

Fidalgo,
é uma história invulgar esta das motorizadas Vespa. Não conheço outro caso assim. Na verdade, o Estádio de Alvalade inaugurado em 1956 era olímpico, e por isso lá estavam na tribuna os anéis olímpicos.
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De Pedro51 a 10.06.2018 às 15:46

Momentos muito bons aí vivi, quase sempre com o meu pai... “Um conhecido arquitecto sportinguista, Anselmo Fernández, não aceitou ser remunerado pelo projecto de construção.” Grande homem que mais tarde nos levaria à conquista da Taça das Taças. Andei a estudar com o filho dele no Liceu Francês.
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 16:08


Pedro51,
de facto, Anselmo Fernández é uma grande figura da história sportinguista. Em 1964 ele substituiu o treinador Gentil Cardoso, mas já desempenhava as funções de observador das equipas que o Sporting defrontava nas competições europeias. Era um estudioso do futebol e possuía uma grande versatilidade táctica. Foi um dos primeiros treinadores no mundo a recorrer a imagens gravadas de televisão para que os seus jogadores analisassem a equipa adversária.

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De Anónimo a 10.06.2018 às 15:57

Desses títulos de subscrição, os “lagartos”, ficou uma das alcunhas dos adeptos do Sporting, hoje em dia mal vista, mas que faz parte da história do clube.
A história da construção do estádio do meu clube, não é muito diferente da do vosso. Eram outros tempos em que os dirigentes, adeptos e sócios se sacrificavam pelos clubes. Hoje em dia apenas os sócios e adeptos o fazem. Os dirigentes têm outras "preocupações"...
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De João Gonçalves a 10.06.2018 às 15:58

Peço desculpa.
O comentário acima é meu.
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 16:15

Precisamente, João Gonçalves, foram os benfiquistas que chamaram "lagartos" aos títulos de subscrição do Estádio, em virtude da sua cor e características gráficas. Mas, numa acção de marketing, no jornal Sporting de 10 de Fevereiro de 1951 escreveu-se que “cura-se a ferida com o pelo do mesmo cão, como é vulgar dizer-se”. Vai daí, determinou-se que “doravante, adopta-se (para os títulos) a designação de lagartos para mais facilmente a propaganda atingir os seus objectivos”. E ficou.

Foi assim que a palavra "lagarto" adquiriu um significado próprio conforme quem a pronuncia.
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De Pedro51 a 10.06.2018 às 17:44

Daí que, para mim, chamar lagarto não ser depreciativo, enquanto chamar lampião é.
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 18:04

Entre os sportinguistas de há 30 ou 40 anos era normal chamarem-se de “lagartos” entre si. O conhecido restaurante “A Toca do Lagarto”, inicialmente nas instalações do Estádio, era sinal desses tempos. Mas, creio que ainda hoje isso se verifica.
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De Sr. Comentador a 10.06.2018 às 18:13

Foi aqui que vi o meu primeiro concerto de estádio, os The Cure em 1989.
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De Leão Zargo a 10.06.2018 às 18:43

Os memoráveis megaconcertos no Estádio de Alvalade! Depois dos The Cure, os concertos dos Rolling Stones, dos Pink Floyd, dos U2...
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De Pastor a 17.06.2018 às 19:18

Boa tarde,

Já não vim a tempo mas muitos parabéns pelo centenário da rubrica e muito obrigado pela mesma.

SL

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