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Fotografia com história dentro (137)

Leão Zargo, em 03.03.19

 

Sporting - Leixões 29.10.1972.jpg

 

Invasão do campo em Alvalade

 

Quando o árbitro Carlos Lopes assinalou penálti contra o Sporting, naquele jogo em Alvalade com o Leixões ninguém imaginava o que iria acontecer poucos minutos depois. Tinham decorrido apenas dois minutos desde o apito para o início da partida. O público contestou a marcação da grande penalidade pois o fiscal de linha assinalara fora de jogo a um avançado de Matosinhos. Damas defendeu o penálti marcado pelo leixonense Esteves. O pior foi quando o árbitro mandou repetir e Esteves não falhou. Muitos apupos e gritos.

 

Numa jogada, pouco tempo depois, um defesa do Leixões pareceu cortar para canto um ataque leonino. Na verdade, foi tudo muito rápido e não se percebeu com rigor o que aconteceu. O árbitro marcou pontapé de baliza e dezenas de adeptos do peão invadiram o relvado, logo seguidos por outros das bancadas. Havia apenas 7 minutos de jogo, foi o último lance do jogo e o resultado estava em 0-1.

 

Aquilo ficou feio. O capitão José Carlos descreveu como um espectador correu para o árbitro Carlos Lopes, que tinha caído, procurando espetá-lo com o guarda-chuva. Acertou na relva. O defesa Alhinho deitou-se em cima do árbitro, até que chegou o massagista Manuel Marques, Yazalde e outros jogadores sportinguistas que acalmaram os adeptos. A equipa de arbitragem, no meio de grande confusão, lá conseguiu sair do relvado e chegar a porto seguro.

 

Muitos anos mais tarde, o árbitro Carlos Lopes contou a Luís Miguel Pereira (“Estórias d'Alvalade”) o susto que apanhou: “Quando me virei para o lado sul só vi os adeptos enfurecidos a correr na minha direcção. Parecia que tinham aberto a jaula dos leões. Só tive tempo de pensar, ‘oh Rainha Santa, lá vai o Carlos Lopes para o maneta!’. Nisto levo um soco que me atira para o chão e a partir daí choveram pontapés. Se não morri posso agradecer ao já falecido Manuel Marques, massagista do Sporting e da Selecção Nacional.”

 

A Federação Portuguesa de Futebol homologou o resultado: 0-1 a favor do Leixões. Aconteceu na 8ª jornada do Campeonato Nacional, em 29 de Outubro de 1972, o Estádio de Alvalade ficou interditado e o Sporting só voltou a jogar em casa em 22 de Abril de 1973. Foi o jogo de futebol mais rápido a que assisti na minha vida.

 

publicado às 12:41

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15 comentários

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De Naçao Valente a 03.03.2019 às 13:03

Caro Leão Zargo,
Uma "estória" muito interessante e possivelmente inédita, da qual não me recordo. Um jogo com 7 minutos, talvez metade de tempo útil. Demonstra que em termos de actuação de arbitragem e de psicologia de massas quase nada mudou. Mas mostra também o lado bom da natureza humana, na defesa do seu semelhante.
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De Leão Zargo a 03.03.2019 às 16:00

Caro Nação Valente

Foi um jogo histórico. Pelos acontecimentos e porque tinha chegado a Lisboa duas semanas antes para frequentar a Faculdade de Letras. Tudo era novidade para mim nessa fase... mas uma invasão de campo!

Uma boa vitória mais logo frente ao Portimonense!

Um grande abraço
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De yazalde a 03.03.2019 às 13:58

Eu fui ver esse jogo estava no peao acho que foi em janeiro do ano 72 , o arbitro carlos lopes que devia ser lampiao foi na intencao de prejudicar o sporting, o sporting foi castigado e teve que jogar o resto do campeonato no jamor, por aqui se ve o que e o futebol portugues antes e depois para muito pior
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De Leão Zargo a 03.03.2019 às 16:03

Yazalde

Também estava no peão a assistir ao jogo... ou melhor à invasão de campo! É verdade, foi quase toda a época a caminho da Cruz Quebrada e do Jamor.
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De yazalde a 03.03.2019 às 14:00

Ainda voltando ao tema eu lembro-me da invasao do estadio o adepto a entrar de guarda chuva para dar no arbitro
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De Luis Vicente a 03.03.2019 às 14:19

Ontem como hoje o árbitro só podia ser lampião.
Oh good!!!
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De Leão Zargo a 03.03.2019 às 16:15

Luís Vicente, na verdade o árbitro Carlos Lopes era benfiquista, o que em Coimbra muita gente sabia.

Carlos Alhinho que jogou no Sporting, Académica, Benfica e Porto também sabia e conhecia o árbitro desde o tempo em que viveu em Coimbra. Há um episódio que ele contou a Luís Miguel Pereira e que está no livro "Estórias d'Alvalade". É o seguinte:

"No final dessa época, o Sporting deslocou-se a Espanha para participar no torneio de Sevilha, onde também estavam o Benfica e duas equipas espanholas. No dia de folga fui dar uma volta ao El Corte Inglês e, num dos corredores, dou de caras com o senhor Carlos Lopes.
O homem nem me deu tempo para estender a mão, 'Oh Alhinho, estás bom pá? Olha, deixa-me agradecer a grande ajuda que me deste naquele dia, já tinha tentado entrar em contacto contigo, mas não consegui, até disse ao teu sogro lá em Coimbra para te agradecer o facto de me teres protegido'.
Respondi-lhe que não se preocupasse, que o mais importante era a saúde dele, mas havia ali qualquer coisa que não batia certo. O Carlos Lopes em Espanha? É que naquele tempo não era muito habitual encontrarmos portugueses no estrangeiro. Não resisti e perguntei-lhe:
'Mas o que é que estás a fazer em Sevilha?'. O homem, com um ar orgulhoso, disparou convicto, 'ora, Alhinho, vim ver o meu Benfica'."
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De Pedro51 a 03.03.2019 às 15:02

Lembro-me perfeitamente desse jogo. Assisti a esse mini jogo na Superior Norte. Não sei de que clube seria o árbitro, mas de uma coisa tenho a certeza; esse período era de controlo absoluto, por parte do Benfica, dos órgãos de decisão.
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De Leão Zargo a 03.03.2019 às 16:19

Pedro51

Num comentário anterior (ao Luís Vicente) refiro-me ao livro "Estórias d'Alvalade", de Luís Miguel Pereira. O árbitro Carlos lopes era benfiquista.
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De RCL a 03.03.2019 às 16:01

Leão Zarco
Fez-me reviver algo que quis esquecer. Estava, como sempre, em Alvalade, na Bancada Sul,ainda não era sócio. O lance foi do outro lado. Um jogador do Leixões, muito rápido, adiantou a bola a José Carlos; onde estava não consegui ver fora de jogo. José Carlos derrubou o leixonense.
Essa jogada que refere, donde estava de frente pareceu-me canto.
Depois aconteceu o que de mais vergonhoso vi em Alvalade, os adeptos da bancada sul foram por ali abaixo ate ao relvado. Alguém quis-me puxar, levou um empurrão.
Sai do estádio e soube o resto mais tarde.
Na época seguinte, 73/74 o Sporting foi campeão, isso não esquecerei nunca, como o nascimento dos meus filhos.
Obrigado
SL
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De Leão Zargo a 03.03.2019 às 16:27

RCL

Sim, o José Carlos fez penálti, sem dúvida. Onde estava no peão não consegui perceber se houve canto ou não contra o Leixões. Pela distância e o ângulo de visão, e também por que nessa altura já havia grande burburinho e conversas à minha volta.

A época de 1973-74 foi de belíssima colheita!

Fico muito feliz por apreciar estas pequenas "histórias" do nosso Clube.

Saudações Leoninas.
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De Anónimo a 03.03.2019 às 16:45

Comentário apagado.
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De E-mocho a 03.03.2019 às 17:17

Essa foi desnecessária!
No Benfica também não se vive do passado, quando se contabiliza o número de troféus, e dos últimos obtidos na Europa?

Isso é mais do que a saudável picardia.
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De HY a 03.03.2019 às 23:21

Também me lá estava, nos sócios da superior Sul, como sempre. Lemro-me de ter chorado lágrimas de raiva e vergonha. Aquilo não podia acontecer. Nós éramos diferentes...apesar das misérias da arbitragem daqueles tempos, aquilo era coisa de lampiões (a Luz tinha sido longamente interditada após a invasão num Benfica- Belenenses). O tal Carlos Lopes tinha sido um excelente melro algum tempo antes, num jogo em Coimbra em que não viu o defesa da Académica saltar e cortar a bola com a mão dentro da área...assim tipo golo do Maradona no México). Mas mesmo com todo o controlo benfiquista sobre as estruturas do futebol português, aquilo não...

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De mike1906 a 04.03.2019 às 16:05

Leão Zarco, dou-lhe os parabéns por estes seus posts históricos. Mais uma vez deixou aqui uma história deliciosa de se ler.

No meu caso, apesar de já não ser propriamente um jovem, ainda não tinha idade para ir ver esse jogo (ainda só tinha 2 anos)

A minha estreia em Alvalade fez-se, pela mão de meu pai, num jogo à noite, o que para um miudo que vivia na provincial, todo aquele ambiente de luz e de cor me cativou de imediato.

Foi na época de 81/82 com o Belenenses. Empatámos esse jogo, mas fomos felizes no final, tendo-nos tornado campeões.

É daquelas memórias que nunca esquecerei.
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De HY a 05.03.2019 às 12:27

Também me lá estava, nos sócios da superior Sul, como sempre. Lemro-me de ter chorado lágrimas de raiva e vergonha. Aquilo não podia acontecer. Nós éramos diferentes...apesar das misérias da arbitragem daqueles tempos, aquilo era coisa de lampiões (a Luz tinha sido longamente interditada após a invasão num Benfica- Belenenses). O tal Carlos Lopes tinha sido um excelente melro algum tempo antes, num jogo em Coimbra em que não viu o defesa da Académica saltar e cortar a bola com a mão dentro da área...assim tipo golo do Maradona no México). Mas mesmo com todo o controlo benfiquista sobre as estruturas do futebol português, aquilo não...

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