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Fotografia com história dentro (167)

Leão Zargo, em 13.10.19

SCP SLB 1956-57 1-0 CN 15ª jornada.jpg

O primeiro dérbi no Estádio José Alvalade (2ª geração)

O primeiro dérbi no novo Estádio José Alvalade inaugurado em 1956 realizou-se em 23 de Dezembro desse ano e teve os ingredientes principais dos grandes confrontos com o nosso rival: muito escaldante e bastante disputado.

A época estava a ser atribulada para os leões, que chegaram a andar pelos últimos lugares da classificação a par do Caldas, SC Covilhã e Atlético, e que terminariam num modesto quarto lugar. O argentino Abel Picabêa tinha sido contratado para fazer a renovação da gloriosa equipa dos cinco violinos, mas a empresa revelou-se muito maior do que seria previsível, e acabou por ser substituído por Enrique Fernandez. O Benfica venceu o Campeonato Nacional com uma forte ajuda do Sporting que derrotou o FC Porto por 2-1, em Alvalade.

Naquela tarde invernosa de Dezembro, à 15ª jornada, o Sporting andava quase pelo meio da tabela classificativa enquanto que benfiquistas e portistas lutavam pela liderança. O árbitro foi o célebre Inocêncio Calabote, que conquistaria a imortalidade alguns anos mais tarde no num Benfica-CUF.

O dérbi foi disputadíssimo como é da praxe, verificando-se grande domínio dos leões em quase todo o jogo, mas o Benfica pressionou muito a baliza de Carlos Gomes nos últimos vinte minutos. O guarda-redes revelou toda a sua categoria e não sofreu um único golo, impondo a primeira derrota da época aos da Luz. No final, Carlos Gomes afirmou aos jornalistas: “Qualquer das equipas podia ter ganho. Sinceramente achava que nos seria muito difícil derrotar o Benfica, mas todos jogámos com vontade férrea daí resultando um extraordinário desafio como este foi.”

O golo solitário foi marcado por Hugo Sarmento, contratado para substituir o inesquecível Jesus Correia, e que envergou a camisola leonina durante dez temporadas, jogando no lado direito da linha avançada. Apesar da vitória no dérbi, a época arrastar-se-ia penosamente para os sportinguistas, constituindo a eliminação pelo Vitória de Setúbal nos quartos-de-final da Taça de Portugal o epílogo de uma época desportiva fracassada.

Ficha de jogo:                                                                                                       

Campeonato Nacional da I Divisão - 15ª Jornada (1956-57)

Sporting 1 - Benfica 0

Estádio José Alvalade, 23 de Dezembro de 1956

Árbitro - Inocêncio Calabote (Évora)

Sporting - Carlos Gomes, Caldeira, Joaquim Pacheco, Pérides, Passos, Osvaldinho, Hugo Sarmento, Gabriel Cardoso, Pompeu, Travassos e João Martins

Treinador - Abel Picabêa

Benfica - José Bastos, Francisco Calado, Ângelo, Pegado, Artur Santos, Alfredo, Isidro, Coluna, José Águas, Salvador e Cavém

Treinador - Otto Glória

Marcador - Hugo Sarmento (17m)

publicado às 13:30

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8 comentários

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De Naçao Valente a 13.10.2019 às 16:20

Caro Leão Zargo,

Para além da efeméride, este texto, mostra como um equipa que durante a década de 1940, dominou o futebol português, teve uma época de má memória. Uma equipa em mudança, com o fim anunciado dos cinco violinos. É assim a imprevisibilidade do futebol que os adeptos não querem admitir.
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De Leão Zargo a 13.10.2019 às 17:39

Caro Nação Valente

É verdade, foi uma época muito má e o 4º lugar foi muito frustrante para todos. O plantel era algo veterano (Passos, Caldeira, Travassos, Vasques, Joaquim Pacheco...), com jovens promissores (Fernando Mendes, Morato, Hugo, Pérides...), mas uma equipa demora a construir. Curiosamente o Sporting seria campeão na época seguinte!
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De RCL a 13.10.2019 às 19:36

Começou aí o declínio , o Sporting vencedor , dos tri e tetra, a partir de 58 ganharia um campeonato de 4/4 anos , ate chegar aos 18 anos de jejum e agora, talvez, dentro de dez.
A partir de 1966, quando vim para Lisboa , assisti a mais de 90% dos jogos no Estádio José Alvalade e muitos fora. Comemorei os campeonatos de 1966,70,74,80 e 82, Estádio quase sempre cheio, famílias inteiras, ambiente entusiástico,tranquilo, de apoio permanente aos atletas. Com Allison foi o apogeu. Depois os filhos de João Rocha criaram uma claque, começou "a besteira", ate os dias de hoje. Se nada for feito o Sporting mais que "belenizado" ficará balcanizado.
É urgente devolver o Sporting aos adeptos, às famílias, aos desportistas em geral.
SL
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De Leão Zargo a 13.10.2019 às 21:20

RCL,
de facto o final dos anos 50 constitui um momento de viragem na hegemonia do futebol português. O Sporting não conseguiu realizar com eficácia a transição do semiprofissionalismo para o profissionalismo no futebol, ao contrário do Benfica.

Um meu amigo sportinguista, o Rui Câmara Pina, considera no livro “40 derbies para a História” que o momento irreversível aconteceu num Benfica 4 - Sporting 3 disputado na antepenúltima jornada do Campeonato, em 12 de Abril de 1960. Antes desse jogo, os encarnados tinham apenas um ponto de vantagem sobre os leões e com essa vitória o Benfica conquistou o título de Campeão Nacional. Por isso chamou-lhe o “jogo do século”, pois “este jogo no Estádio da Luz decidiu o título, mas, mais do que isso, decidiu a direcção em que o futebol português iria avançar nos próximos anos”. E concluiu afirmando que sem esse título “não teria havido Benfica campeão europeu no ano seguinte”.

Depois, isso a que também assisti, tivemos os títulos de quatro em quatro anos até 1974!
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De ChakraIndigo a 14.10.2019 às 11:37

Só para "meter" um par de ferros:
Pensava que o Benfica ganhava todos os jogos arbitrados pelo Calabote!

O Sporting perdeu a hegemonia do futebol português porque perdeu grandes jogadores e treinadores que marcaram uma era, nomeadamente os 5 violinos, e o Benfica criou outra geração ganhadora, com grandes treinadores e dirigentes, que não só criaram um forte período hegemónico em Portugal, com 13 campeonatos em 17 anos, como na Europa, com 5 finais e 2 meias finais da Taça dos Campeões em 13 anos.

Curiosamente, nesta época falhada do Sporting, o clube ganhou ao Benfica e ao FCPorto no novo Alvalade.

E o Sporting ganhou a única Taça das Taças do futebol português 6 anos mais tarde, o que prova que existe sempre regeneração nos grandes clubes.

O Sporting foi a única equipa portuguesa a interromper várias possibilidades do Benfica dessas épocas douradas chegar ao Tetra.
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De RCL a 14.10.2019 às 13:04

Olhe que não foi bem isso!
Nos finais de 1960 chega ao Benfica um moçambicano, de seu nome, Eusébio da Silva Ferreira, curiosamente formado no Sporting de Lourenço Marques, hoje Maputo.
Em outubro de 1961 num jogo de má memória para o Benfica com o Santos de São Paulo(6x3), Eusébio entra na segunda parte e num ápice marca 3 golos. Pelé ficou a olhar incrédulo......
O Benfica campeão europeu de 61(grande leiteira do Costa contra o Barcelona)) teria ficado por aí não fosse esse Senhor, um dos melhores jogadores de todos os tempos.
Nas décadas de 40 e 50 o Sporting teve o angolano Peyroteo. Em 60 e 70 o Benfica teve o moçambicano Eusébio. Africa fez a diferença.
SL
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De ChakraIndigo a 14.10.2019 às 18:35

Caro RCL,
Não é bem, mas também.

Todas as grandes equipas tiveram o seu "Pele", e normalmente também tinham grandes jogadores ao lado.

O Sporting tinha Peyroteo, mas tinha Travassos, Vasques, Jesus Correia (um dos melhores desportistas portugueses de sempre, campeão mundial e europeu pela selecção de hóquei em patins!!! , e também como treinador, não sei quantas vezes), depois de 7 campeonatos ganhos pelo Sporting escolheu o hóquei em detrimento do futebol.
Um ganhador simples, e que de tão simples foi é quase esquecido pelos portugueses.

O Benfica teve Aguas, Coluna, Simões, José Augusto, Torres, Cavem, Germano, todos dos melhores jogadores de sempre do futebol português, e já campeões europeus quando chegou o fenómeno Eusébio. E por o ser repousa no Panteão dos Imortais.

Até faço uma analogia com os tempos de hoje - Portugal foi campeão europeu sem o seu "Pele" em campo.
Alguém pode dizer que sem Ronaldo não ganhamos nada?

Mas é verdade que os grandes jogadores é que fazem a diferença.

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