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Fotografia com história dentro (182)

Um golo no nevoeiro das Antas

Leão Zargo, em 26.01.20

FCP 2 - SCP 3 1975-76.jpg

Num FC Porto-Sporting disputado nas Antas em 18 de Outubro de 1975, numa uma noite fria de nevoeiro, os leões venciam por 2-1, com golos de Chico Faria e Manuel Fernandes, quando eram decorridos apenas 18 minutos de jogo. Ainda a procissão ia no adro mas num jogo de futebol tudo pode acontecer, principalmente quando alguns protagonistas possuem grande capacidade para ludibriar o destino. O árbitro dava pelo nome de Alder Dante.

Na segunda parte o nevoeiro tornou-se cada vez mais denso. De súbito, aos 57 minutos, Oliveira centrou e Gomes pareceu encostar para a baliza do Sporting. O avançado portista jogou as mãos à cabeça, ouviu-se um grito de “golo!”, os leões procuraram perceber a razão do festejo, um fotógrafo invadiu o campo, os jogadores rodearam o árbitro, Damas correu para um apanha-bolas que se escondeu atrás do fiscal de linha e Juca procurou acalmar os ânimos.

Nas bancadas pouco ou nada se via mas todos discutiam. Alder Dante assinalou golo, os jogadores leoninos protestaram, alguém gritou que o árbitro era um palhaço e a fava saiu a Valter que foi expulso. Os de Alvalade não se ficaram e Baltasar, aos 74 minutos, fez o resultado na sequência de um canto. Vitória do Sporting por 3-2. Juca, com a sua fleuma britânica, referiu-se ao ‘golo’ como um “sonho fantástico”.

No final do jogo, o sportinguista Tomé garantiu que o Gomes rematou e a bola ficou presa no ferro da rede lateral. Eu fui o primeiro a chegar lá e foi aí que o apanha-bolas pontapeou a bola na minha direcção. O Alder Dante julgou que eu tinha ido buscá-la ao fundo da baliza”. Finalmente, o árbitro percebeu que houve marosca e, procurando livrar-se de aborrecimentos maiores, comunicou a falha ao Conselho de Arbitragem. Apanhou uma repreensão e o processo foi arquivado.

publicado às 13:30

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5 comentários

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De ChakraIndigo a 26.01.2020 às 16:49

O Dante era um homem sério.

A história dele é curiosa. Era jogador de um clube do enclave de Cabinda, quando apareceu a apitar um Benfica-Sporting local, e como se deu bem, depois de vir para Portugal, tirou o curso e chegou a internacional FIFA.

Apitou o ultimo jogo internacional do antigo futebol de 5, uma final do Brasil com Paraguai ou Uruguai, um teste da FIFA, posteriormente a integra-la no seu calendário oficial, com o nome que agora vigora, Futsal.

Era professor da primária, e foi comentador da RR ,salvo erro, durante mais de uma década, após terminar a sua carreira na arbitragem.

O Dante queixava-se sempre do Gomes e do Oliveira que "não tiveram a decência de me dizer que a bola não entrou".

Não fosse o Sporting e o FCPorto terem acabado esse campeonato em 5º e 4º lugar respectivamente, e ainda hoje haveria uma invenção qualquer "à Calabote".
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De Leão Zargo a 26.01.2020 às 18:46

ChakraIndigo

Mas, olhe que houve mesmo um "caso Calabote"... ou pelo menos houve algumas semelhanças com isso. Convenhamos que três penaltys contra a CUF e dez minutos de descontos permitem supor isso mesmo!
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De ChakraIndigo a 27.01.2020 às 13:09

Caro Leão Zargo

Consulte os 3 jornais desportivos da época, ABola, Record e Mundo Desportivo.

1.O jogo iniciou-se mais tarde do que o Torreense-FCPorto cerca de 6 a 8 minutos, porque o Benfica colocou uma sua equipa feminina de ginástica a fazer uma exibição antes do jogo iniciar, e retardou ao máximo a entrada em campo, sem culpa do arbitro.

2.O jogo teve mais 4 minutos, sendo que os referidos jornais dividiram-se na opinião se deveriam ser 3 ou 4 minutos.

3.O Benfica marcou o seu ultimo golo a cerca de 7 a 8 minutos do final, com a compensação, esteve cerca de 10 minutos a 1 golo de ser campeão. Com os constantes ataques, um arbitro venal teria arranjado forma de aparecer o golo milagroso.

4.O Torreense-FCPorto, que pelos motivos atrás expostos acabou cerca de 10 minutos antes do jogo da Luz, teve ele sim, factos anormais.
O Torreense estava a jogar com menos 1 jogador, e sofreu o 1º golo aos 88 minutos, sendo expulso mais um jogador por ter pontapeado a bola para longe, quando a equipa sofreu o golo!!!!

O FCPorto, marca o golo que lhe dá o campeonato, a jogar já contra 9, aos 90 minutos.

5.O Calabote foi irradiado, pelo simples motivo de que no seu relatório, indicou que o jogo da Luz tinha tido inicio à hora marcada, o que era falso.

O "Caso Calabote" é uma (mais uma) propaganda de Pedroto/Pinto da Costa, espalhada aos ventos como verdade, curiosamente para esconder que o FCPorto foi campeão por 1 golo de diferença, num jogo em que acabou por marcar os seus golos, coisa que o Benfica não conseguiu, nos últimos 4 minutos, a jogar contra 10, e depois contra 9.

E mais teria a escrever sobre essa época, como o resultado que conseguiu perante a sua conhecida "filial" de Lisboa, o Belenenses, que na altura estava em 2º lugar, nas Antas, de 7-0. ,

Esta é a verdade dos factos, tudo o resto é produto de uma máquina de propaganda do tipo nazista, criado por P/PC, os pais da corrupção do FCPorto, e criadores daquilo que Dias da Cunha, em hora esclarecida, chamou de "sistema".

E tanto assim é, que uma noticia saída há 3 ou 4 anos, de um jornalixo do DN, em que tenta mais uma vez recriar a história, este afirma que o Benfica jogou esse ultimo jogo com a CUF, a tal do Caso "Calabote", contra uma equipa com 3 jogadores expulsos, uma mentira. Nem uma, quanto mais tres.
Não houve nenhuma expulsão nesse jogo, ao contrário do que aconteceu em Torres Vedras.

"Uma mentira repetida muitas vezes, passa a ser verdade", esta máxima de Goebeels, é uma das mais aplicadas pelos amigos jornalistas ao serviço do FCPorto.
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De RCL a 26.01.2020 às 17:28

Lembro-me desse lance. Não sei, hoje, se vi em direto ou na repetição. O apanha bolas introduziu a bola dentro da baliza, sorrateiramente.
A dúvida era se Alder Dante tinha visto ou não. Mais tarde, soubemos que não tinha visto.
Tudo acontece ao Sporting.
SL
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De Leão Zargo a 26.01.2020 às 18:48

RCL

O nosso jogador Tomé descreve o lance com alguma ambiguidade, nunca referindo se o apanha-bolas meteu ou não a bola na baliza. Ele disse-me que contará a história num livro que tem em projecto.

Mas, parece que isso aconteceu mesmo. Um José Ferreira de Matos deu uma entrevista ao jornal do Sporting em Setembro de 2009 e garantiu o seguinte: “Não sei bem como a bola chegou a mim, mas sei que ela veio ter comigo e vi o Gomes a pôr as mãos na cabeça. Sem pensar, dei uns passos e fui até ao canto da baliza, meti a bola lá dentro e fugi para o mais longe possível. Então, vejo o Damas a ralhar comigo, mas eu pirei-me para trás do bandeirinha.” Mas, houve quem o tivesse desmentido e chamado embusteiro, que o verdadeiro apanha-bolas seria outro.

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