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Fotografia com história dentro (69)

Leão Zargo, em 29.10.17

 

Sporting 1981-82.jpg

 

Nogueira, um “carregador de piano”

 

Há jogadores de futebol que são grandes pela importância que assumem na sua equipa. Não serão necessariamente excepcionais, mas imaginamo-los sempre a ligar a equipa, a organizar e a comandar o jogo para a grande área adversária. Esses têm de jogar (quase) sempre. O bravíssimo António Nogueira foi uma figura incontornável do Sporting que conquistou o título de campeão nacional em 1981-82.

 

Nogueira chegou a Alvalade já com trinta anos de idade, onde esteve nas épocas de 1981-82 e 1982-83. Nessa altura possuía uma carreira longa de futebolista com passagens pelo Atlético (o seu primeiro clube), Braga, Boavista e Belenenses. Depois do Sporting ainda jogou no Recreio de Águeda.

 

No Sporting foi um “carregador de piano” de grande utilidade, fazendo o meio campo com Ademar e Virgílio. Sabendo que o ataque leonino era constituído por António Oliveira, Manuel Fernandes e Rui Jordão percebe-se melhor a importância de uma linha média assim batalhadora e operária.

 

A presença de Nogueira transmitia respeito. Com aquele bigode e cabeleira fazia lembrar o Rocha da série “Duarte e Companhia”. Mas, a ‘dobradinha’ (Campeonato Nacional e Taça de Portugal) dos leões na época de 1981-82 também se deve ao seu dinamismo inesgotável, à direita, ao centro, à esquerda, atrás ou à frente. Ele era o cimento que ligava aquilo tudo.

 

O treinador Malcolm Allison considerava-o essencial na estratégia do jogo da equipa e chegou a afirmar que havia dois génios no plantel leonino: António Oliveira e António Nogueira. Na realidade, no ano da ‘dobradinha’ Big Mal não prescindia dele pois esteve em vinte e quatro jogos para o Campeonato e em todos para a Taça de Portugal.

 

Nogueira era um verdadeiro jogador de equipa. Na fotografia uma equipa leonina da época de 1981-82:

 

Em cima - Eurico, Jordão, Meszaros, Virgílio, Inácio e Oliveira;

Em baixo - Lito, Carlos Xavier, Barão, Manuel Fernandes e Nogueira.

 

publicado às 12:30

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10 comentários

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De Aracaçu a 29.10.2017 às 15:16

Caro Leão Zargo,

Esta equipa era s/ dúvida extraordinária. Único ponto negativo dessa temporada, a apontar, deve ter sido a eliminação da UEFA perante o Neuchatel Xamax.

Pena, que com a espuma dos tempos, esta grande equipa foi desfeita e também aquela saída repentina de Malcom Allison, entregando a um ainda impreparado António Oliveira, a função de treinador/jogador. Pese a sua enorme qualidade como jogador, como treinador não se pode dizer que tenha sido um sucesso total, mesmo bicampeão no Porto foi contestado pelo futebol rudimentar praticado e por ser na maioria das vezes Jardel a salvar a equipa c/ os cruzamentos de Drulovic e a velocidade de Edmilson (que acabou por jogar também no Sporting). Na selecção também não fez nada por aí além.

Cumprimentos.
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De Leão Zargo a 29.10.2017 às 19:10

Caro Aracaçu

Refere com razão o "ainda impreparado" António Oliveira. De um ponto de vista técnico-táctico, é verdade, e no que refere à liderança do balneário. Vai-se sabendo, ainda que muito parcialmente, que a liderança de Oliveira foi muito contestada por jogadores como Manuel Fernandes, Jordão e outros que não lhe reconheciam perfil para os dirigir. Tudo aquilo termina com o treinador a não comparecer a um jogo com o Benfica na Luz e a ser despedido. Até parece que estava escrito nas estrelas!

Cumprimentos
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De João a 29.10.2017 às 18:37

Parabens pelo post, pela homenagem a Nogueira que chama e bem "carregador de piano". Acompanhei esse campeonato e a 4ª dobradinha do Sporting, Nogueira era uma parede de betão, ia a todas, um autentico 115, como na altura se dizia.
Manuel Fernandes disse, recentemente, que essa equipa poderia ter ganho 3/4 campeonatos, mas João Rocha despediu Allison fazendo jus à tradição, os presidentes não gostam de treinadores ganhadores, Eurico e Inácio foram para o Porto, Nogueira foi despedido.....(?), eu sei o motivo mas nem quero falar .
A equipa desfez-se, o Sporting iniciou a travessia do deserto e por coincidência começaria o predomínio do Porto.
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De Leão Zargo a 29.10.2017 às 19:19

Agradeço o seu comentário, João. É verdade, o Nogueira era um 115 capaz de fazer muita coisa. Até colocar em sentido jogadores adversários mais violentos, como o Rodolfo Reis e tantos outros. Jogadores assim são imprescindíveis, nomeadamente numa equipa com jogadores muito tecnicistas e "suaves" como era o caso do Sporting nessa altura.

Os jogadores ainda hoje dizem coisas maravilhosas do Allison. Não encontrei uma excepção. Mas, ele fugia demasiado do que era normal, aceitável, naquele tempo no futebol. João Rocha imaginou que António Oliveira seria a solução do problema... e não foi. Depois, houve jogadores importantes que saíram, Venglos fracassou... Foi o princípio de uma era terrível para o Clube!
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De José Sousa a 29.10.2017 às 20:10

No Lobito (Angola) comecei a minha ligação para toda a vida com o SCP. O relato via rádio aos domingos com o meu pai era um momento sagrado. Ouvir o nomes de tantas estrelas que só conhecia pelos poucos jornais portugueses que chegavam uma ou duas vezes por semana.
Cheguei a Portugal em Agosto de 1982 quando o SCP acabará de ganhar todos os títulos nacionais.
No final do meu primeiro jogo ao vivo em Alvalade encontrei Jordão, Oliveira e M. Fernandes no exterior do estádio. Foi um momento mágico! Não sei explicar o porquê, mas Jordão era o meu preferido.
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De Carlos N.T. a 29.10.2017 às 20:53

Porque era angolano
Para além de ser um super-craque e fazer golos bonitos :))
Também era o meu favorito.

Nogueira era realmente um tractor mas, sabia jogar!!. Tinha classe. Não era só força. Era o equilibrio dessa excelente equipa.


João,
Conte lá essa história.. Já passaram tantos anos. Já não vai afectar ninguém...
São histórias para as memórias sportinguistas. Para o museu
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De João a 30.10.2017 às 09:36

Bom dia,
Allison , todos sabem, foi despedido por acontecimentos na pré-epoca na Polonia, onde, entre outras coisa, umas meninas terão aparecido no Hotel e não era para tirar "selfies"(ainda não havia).
Nogueira, natural de Lisboa, iniciou a sua carreira no Atlético onde jogou 6 anos; tinha a cultura da Alcântara daqueles tempos.
Quando Meszaros chega ao Sporting o seu companheiro de quarto , nos estágios, é Nogueira, brincalhão, folgazão, ensinou português ao húngaro; dizem que não foi bem a lingua de Camões!
Nogueira é dispensado(veio nos jornais) em 1983 por não ter "perfil moral" para ser jogador do Sporting.
Conheço muitos Sportinguista que abandonaram o clube; dispensar aquele que foi o esteio da defesa, uma das peças fundamentais de Allison, daquela maneira?
Hoje, dá-me vontade de rir quando comparo a moral desse tempo com o que se passa atualmente no futebol.
O brigado Nogueira por teres dignificado a camisola do Sporting.
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De Leão Zargo a 29.10.2017 às 20:54

Uma bela descrição, José Sousa! A vida é feita de pequenos nadas!

Quanto ao Jordão tem toda a razão. Nem imagina as saudades que tenho de o ver jogar. Foi um um jogador mágico, um avançado felino e elegante como é muito raro vermos nos campos de futebol.

Um abraço.
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De João a 31.10.2017 às 08:30

A minha contribuição : Num jogo com os Salgueiros em Alvalade, a coisa estava tremida, Jordão vinha de lesão e estava no Banco, aos 70 e tal minutos Jordão entra e à primeira jogada, golo a 40 metros da baliza e ainda fez mais um; Sporting ganhou 3x1.
No Euro em França Jordão foi preponderante, aquele golo do lado esquerdo foi espetacular.
O que será feito de Jordão?
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De mike1906 a 31.10.2017 às 15:05

Já agora, recordando esta foto, não posso deixar de falar noutro jogador que lá está e que poucas vezes é lembrado. O Lito ! Era uma gazela terrivel para as defesas adversarias, sem duvida um grande jogador. Recordo-me de ser miudo e assistir a um golo dele no estádio da luz, numa taça de honra, após driblar meia defesa adversaria pelo lado esquerdo. Que saudades...

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