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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

O “Campeonato do Pirolito”
O Benfica-Sporting disputado na Estância de Madeira, em 25 de Abril de 1948, foi um dos dérbis mais espectaculares da história do futebol português. Os leões precisavam de vencer por três golos de diferença para, tendo a mesma pontuação do rival, ultrapassá-lo na tabela classificativa do Campeonato Nacional. Na primeira volta o Sporting tinha sido derrotado no Lumiar (1-3). O golo leonino foi conseguido por Travassos aos 89 minutos, mas o desalento da derrota impediu o festejo. “Zé da Europa” não imaginou nesse dia o valor que pode ter um golo marcado a um minuto do final de um jogo de futebol.
O Sporting era treinado por Cândido de Oliveira e os “Cinco Violinos” e companhia não tremiam no momento de enfrentar o destino num campo de futebol. A semana que precedeu o dérbi foi de arrasar os nervos. Peyroteo andou adoentado com febre e, para piorar tudo, na direcção do Clube houve quem desconfiasse da táctica que o treinador estava a preparar para o grande confronto. Houve quem garantisse que Mister Cândido era benfiquista e que daquela maneira os leões seriam derrotados.
O Sporting apresentou-se muito forte no campo do rival. Peyroteo fintou a febre e depositou um póquer de ases na baliza do infortunado Contreiras. Espírito Santo ainda reduziu o marcador, mas os quatro golos do bombardeiro leonino determinaram o destino do título de campeão nacional. Não esquecendo o golinho de Travassos ao cair do pano no dérbi da primeira volta.
Então, no meio dos festejos da vitória, Cândido de Oliveira proferiu a célebre frase “somos bestiais quando ganhamos e bestas quando perdemos” e apresentou o pedido de demissão. O director do Sporting que duvidou do treinador procurou-o no emprego para o demover, jurando que a demissão seria a dele, o dirigente. Cândido, grande como sempre, apertou-lhe a mão dizendo que ficavam os dois para a conquista do título.
O Sporting foi o campeão nacional por uma singela bola a mais que atravessou a fatídica linha da baliza. Uma bola, uma bolinha… um berlinde! Os benfiquistas, desesperados, chamaram-lhe o “Campeonato do Pirolito”. Pegou de estaca até aos nossos dias essa do pirolito, aquela bebida gaseificada e doce que era feita à base de ácido cítrico e de essência de limão, com um berlinde de vidro a fazer de rolha.
Ficha do jogo:
Campeonato Nacional da I Divisão (1947-48)
22ª jornada
Benfica 1 - Sporting 4
Estância de Madeira (Campo Grande), 25 de Abril de 1948
Árbitro - Libertino Domingues (Setúbal)
Benfica - Contreiras, Jacinto, Fernandes, Moreira, Félix, Francisco Ferreira, Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Corona e Rogério “Pipi”
Treinador - Lipo Hertzka
Sporting - Azevedo, Álvaro Cardoso, Juvenal, Carlos Canário, Luís Moreira, Veríssimo, Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano
Treinador - Cândido de Oliveira
Marcadores - Peyroteo (35, 41, 58 e 69m) e Espírito Santo (75m)
(Na imagem, a capa da revista Stadium sobre o Benfica 1 - Sporting 4 em 25 de Abril de 1948)
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