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Frase da Semana

Rui Gomes, em 09.08.14
 

 

«(...) Queriam meter cláusulas impensáveis. Uma cláusula de 45 milhões implica um ordenado ao mesmo nível. Além do mais, ficamos presos ao clube. Sou um central e queriam pôr uma cláusula de 45 milhões com um salário que não justifica esse valor ? Nem pensar... Para mim não faz sentido.»

 

-    Eric Dier    -

 

Observação: Era minha intenção escrever um longo texto sobre a entrevista do Eric e as suas circunstâncias no Sporting, mas acabei por decidir que já tanto foi dito, que não vale a pena "massacrar" a temática. Todavia, não deixo de adiantar dois ou três reparos sobre o caso.

 

Por muito que se pretenda dissecar a entrevista e as circunstâncias laterais inerentes à situação contratual do jogador, é a minha opinião que a questão fulcral resume-se a três factores principais, que não excluem a vertente monetária:

 

1. A cláusula de 5 milhões de euros que quase todos nós desconhecíamos e que o jogador tinha consciência de que era o seu trunfo mais importante, a ser usado quando ele se sentisse - certo ou errado - encostado à parede. Poderemos discutir os (de) méritos de este seu estado de espírito, mas nenhuma discussão possível servirá para negar este tão crucial factor;

 

2. Insisti inúmeras vezes aqui no Camarote Leonino que ele estava convicto de que a época passada era a da sua afirmação na equipa principal. Insisti, porque tinha conhecimento de causa, e porque era plausível pela evolução do jogador, que aliás ele acabou por referir na entrevista. Também não interessa agora discutir os "quês" e os "porquês" de ele não ter conseguido concretizar esse seu objectivo. Não aconteceu, é facto incontornável. No entanto, creio que se isso tivesse acontecido ele estaria disposto a assinar um contrato por pelo menos mais três anos, com uma cláusula mais realista - inferior a 45 milhões mas superior aos 20 milhões - e com um salário mais compatível com o seu valor, sem causar "stress" ao orçamento da SAD;

 

3. O último factor, que, pelas circunstâncias, acabou por ser decisivo. A inflexibilidade da SAD em recusar negociar um contrato mais nos moldes que refiro acima e insistir nos 5 anos de prorrogação com a cláusula de 45 milhões e um salário completamente desproporcional. Quer se concorde ou não é irrelevante. Foi a disposição final que serviu de trampolim para o uso do supracitado "trunfo" via o Tottenham.

 

Uma breve e final palavra sobre a essência da formação. Muitos adeptos raciocinam, de algum modo ingenuamente, que o Sporting está a fazer um favor - quase uma obra de caridade - em formar estes jovens no contexto futebolístico e que eles devem reflectir a respectiva gratidão. Quanto muito, o Sporting está a proporcionar uma oportunidade - e em certos aspectos uma educação - mas com o intuito único de assegurar um retorno desportivo e financeiro. Por outras palavras, é um negócio, em que os jovens também apostam uns anos da sua vida na perseguição do sonho. Ao longo do tempo o Sporting já recrutou milhares de miúdos, mas nós só ouvimos falar de uma mão cheia. Porquê ?... Porque a vasta maioria fica pelo caminho, tendo o Clube decidido que as prospectivas de retorno não justificam um maior investimento. Por muito que nós sportinguistas queiramos o melhor para o nosso Clube, não podemos perder de vista que há mais do que um lado na equação e desde que seja perseguido dentro de um enquadramento ético e legal, não devemos levar a mal os jovens defenderem os seus interesses. O Sporting defende os seus quando perde o interesse neles.

 

Muito mais pode e deve ser dito sobre este assunto, mas ficamos assim por hoje.

  

publicado às 05:40

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41 comentários

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De toni polster a 09.08.2014 às 15:49

Se bem percebo, a actual política de cláusulas gigantes visa precisamente concretizar o "melhor cenário" de que o Rui fala acima.

À entrada do seu percurso na equipa principal, é proposto ao jogador que se comprometa com o clube a médio-longo prazo, para assegurar que uma ascensão meteórica não lhe abre a porta a uma saída barata.

Sem esse compromisso, o Sporting não o faz progredir profissionalmente como sénior, o que me parece mais do que razoável, num contexto em que o clube também tem que olhar pelos seus interesses. É que para promover o jogador X, o clube deixa de dar oportunidades ao Y, pelo que na verdade acaba por correr o risco de perder dois investimentos.

Logo, faz sentido só deixar "explodir" quem já tenha assinado. Quem não assina, "explode" mais tarde, ou não "explode" de todo e vai tratar da sua vida para outro lado, sendo certo que ao fazê-lo não terá a mais-valia de se ter afirmado na primeira equipa do clube que formou dois Bolas de Ouro, o que hoje em dia é algo que também acrescenta valor a um jogador.

Compreendo o problema da desproporção entre salário inicial baixo e cláusula absurdamente alta (até do ponto de vista da validade), mas acho que ele tem nuances que devem ser consideradas.

Por um lado, poderei presumir que os contratos têm componentes por objectivos e mecanismos capazes de, ainda que minimamente, ajustar o salário à medida que o tempo passa e o atleta evolui. Sem ter inside information, o que tenho lido sobre os contratos do Sporting aponta para aí.

A isto acrescento que é razoável e expectável que o clube (i) reveja por sua iniciativa as condições de atletas que tenham uma performance muito positiva e ganhem preponderância na equipa e (ii) aceite transferir esses atletas por valores abaixo da tal cláusula gigante (até porque é também transferindo uns que se abre vaga para promover outros e reiniciar o ciclo). Ainda há dias o presidente do Sporting abriu essa porta e eu concordo em absoluto. O clube vai precisar de vender e ninguém no seu perfeito juízo estará convencido que todos os negócios se farão por 45 ou 60 milhões.

Por outro lado, se pensarmos que estes são vínculos assinados numa fase ainda inicial das carreiras dos jogadores e que irão durar até que eles tenham 25 a 27 anos de idade, também verificamos o quanto os contratos têm de aleatório e de risco para o clube, que se compromete a assegurar, durante largos anos, um rendimento que não deixa de ser bem acima da média a jogadores sobre quem tudo é incerto: saber resistir à pressão do futebol profissional, sofrer uma lesão incapacitante, etc..

Por exemplo, a um jogador que não singre a alto nível e acabe por ter uma carreira em clubes menores, o contrato assinado com o Sporting nestas circunstâncias provavelmente irá render-lhe mais do que receberia num Arouca ou Olhanense qualquer. E nestes casos o usual é que, na hora da dispensa, o jogador não perdoe um euro a quem tenha direito.

Bem vistas as coisas, com tantos jovens, e todos com empresários, a aceitar assinar contratos nestes termos, alguma explicação haverá. Eu arrisco uma: nesta fase das suas carreiras, com a formação cumprida mas sem quaisquer provas dadas a alto nível, nenhum outro clube lhes ofereceria um pacote de rendimento financeiro/valorização desportiva mais atractivo que este.

O programa foi estragado nos casos de Bruma, Ilori e Dier, a quem a inqualificável prestação e gestão desportiva do futebol profissional em 2012/13 permitiu que "explodissem" em contextos contratuais desfavoráveis ao clube.

Se todos eles tivessem ficado na B como era suposto, o normal seria que no verão de 2013 estivessem mais receptivos a negociar vínculos longos, em vez de usarem a reputação entretanto adquirida para conseguir grandes ofertas no estrangeiro.

A excepção, suponho, seria Dier, que sempre terá querido sair do Sporting mais cedo do que tarde, e daí o finca pé no bilhete para Inglaterra ao preço de 5 milhões.

A Dier, JEB devia ter dito que não quando tinha 16 anos. Se queria ser um graduado do Sporting, que aceitasse comprometer-se a sério para o futuro. Se não aceitava, que fosse formar-se num Everton ou Fulham qualquer, e veríamos se hoje tinha a mesma aura de prodígio que lhe permite ganhar no Tottenham certamente mais do qualquer outro central de 20 anos.

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