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Futebol com humor à mistura (30)

Rui Gomes, em 06.05.18

 

Rogério Casanova, jornal Expresso, com a sua análise humorística à performance dos jogadores do Sporting, neste caso concreto de Rui Patrício, Sebastián Coates, Cristiano Piccini, Fábio Coentrão, Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Gelson Martins, no dérbi deste sábado.

 

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Rui Patrício

 

Ao minuto 8, frente a frente com Rafa, evitou o golo com o auxílio do poste esquerdo. Ao minuto 38, após novo remate de Rafa, desviou para canto com o auxílio do poste direito. Ainda viu um remate de Samaris sair ao lado, com o auxílio da relva e do oxigénio. É possível que tenha sido o último dérbi de Patrício; já os postes, a relva e o oxigénio devem continuar (têm potencial, mas ainda podem crescer). Vamos ver como se safam no futuro, uns sem os outros.

 

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Sebastián Coates

 

Tirando uma falha posicional perto da meia-hora (que deixou Jiménez em jogo) e as suas habituais tentativas para contornar as dificuldades colectivas na saída de bola com imitações de quarterback, até esteve bem. Destaque para o mergulho desesperado aos pés de Douglas ao minuto 36, que possivelmente evitou um golo. Quer dizer, até se podia perder o jogo - mas, quando se trata de decidir quem marca o golo que nos derrota, há princípios e valores dos quais não podemos abdicar.

 

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Cristiano Piccini

 

Muito inteligente na maneira como deixou fugir Rafa nas suas costas ao oitavo minuto, partindo do pressuposto correcto que o extremo português é menos preocupante quanto mais perto estiver de uma baliza. Depois de meia-hora inicial complicada, estabilizou e fez uma segunda parte segura. Não sei porque é que parece sempre o jogador mais calmo da equipa quando tem a bola nos pés perto da sua área, pressionado por adversários; só sei que é o que me deixa menos nervoso.

 

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Fábio Coentrão

 

Bom lance individual ao minuto 39, quando desviou a bola de vários adversarios, soltou para o flanco direito e apareceu a responder de cabeça ao cruzamento de Piccini com o único remate vagamente perigoso da equipa em toda a primeira parte. Depois caiu ao chão. Que estranho esgar foi aquele que se vislumbrou no seu rosto nesse momento? Terá sido aquilo decerto a que nós humanos, com os nossos costumes pitorescos, chamamos “desconforto”? Terá sido uma manifestação daquilo que designamos por “dor”, quando nos referimos a pessoas ainda vivas? É um mistério que fica, a juntar ao mistério maior: o de como é que alguém que é essencialmente um cadáver embalsamado cuja circulação sanguínea e função circulatória já só funcionam à custa de pura vontade conseguiu ser o melhor lateral-esquerdo do Sporting na última década.

 

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Rodrigo Battaglia

 

Não lhe correu muito bem o jogo, o que até seria de esperar numa noite em que a Lua se encontrava em quarto minguante, reduzindo logo à partida aquela fracção da qualidade de Battaglia que advém do facto de ele ser secretamente um lobisomem. Depois de uma primeira parte onde nunca compreendeu bem onde é que estava e porque é que aconteciam as coisas que via acontecer, teve ao minuto 52 a primeira ocasião com espaço livre à sua frente: reagiu galgando uns metros e fazendo aquilo que apenas posso descrever como uma finta. Ou pelo menos algo que um dia poderá ser uma finta, se entretanto crescer, amadurecer, cortar o cabelo, arranjar um emprego, etc.

 

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Bryan Ruiz

 

Mal foram anunciados os onzes iniciais, todo o mundo do futebol reagiu com trepidação perante o empolgante duelo que se adivinhava. De um lado Bryan Ruiz, um jogador normalmente incapaz de acertar na baliza quando está isolado; do outro Douglas, um jogador normalmente incapaz de impedir que o jogador que está a marcar se isole frente à baliza. A ocasião prometia. Estariam os servidores do YouTube à altura de aguentar o tráfego adicional? Na verdade não foi preciso, pois Douglas e Ruiz tiveram o cuidado de se ultrapassar um ao outro um (inúmeras vezes), mas sempre em câmara lenta, como se as jogadas já fossem as suas próprias repetições. E nada nos garante que não o sejam. Se calhar já todos vimos estas jogadas milhões de vezes, no simulacro de Inferno que habitamos sem saber, e em que somos obrigados a ver os mesmos duelos entre Bryan Ruiz e Douglas todos os dias, para sempre.

 

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Gelson Martins

 

A manobra atacante da equipa mostrou-se hoje tão oleada que este desgraçado concluiu em duas ocasiões diferentes que a melhor opção era solicitar uma desmarcação de Bas Dost em velocidade. Contra uma equipa que, só na primeira meia-hora, conseguiu criar 4 ou 5 situações para deixar Rafa no 1x1 com o lateral perto da área, Gelson passou grande parte do tempo sozinho ou tapado por três muros, pacientemente à espera que o jogo partisse o suficiente para fazer aquilo que é sempre obrigado a fazer: começar a ultrapassar adversários em velocidade ainda antes da linha de meio-campo, galgar metros, sacar faltas, tentar milagres. Ao minuto 81, perdeu um lance contra uma das grandes figuras do campeonato: o cotovelo direito de Rúben Dias.

 

publicado às 12:00

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