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Futebol e música

Naçao Valente, em 07.12.23

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É já um lugar comum, mas no futebol a crítica, geralmente, situa-se nos extremos. Ou se elevam os atletas até ao topo do elogio ou se rebaixam até à condição de mal-amados. O meio termo é o menos utilizado. Nas equipas de futebol não existem apenas solistas, como em qualquer orquestra.

A crítica tem muitas vezes uma vertente radicalizada. Quando criticamos confundimos a pessoa com o atleta, porque quando arrasamos o atleta, também arrasamos a pessoa, que se não for mentalmente muito forte, não deixará de ser afectado negativamente.

Por isso, e porque entendo que na pele do atleta está um ser humano, tenho muito cuidado na avaliação que faço de qualquer atleta. No campo, nunca ousaria assobiar um jogador do meu clube, por pior que seja a sua prestação. Nas críticas fáceis que enchem as redes sociais, que evito ler, vê-se o pior da natureza humana. Mesmo que o atleta mereça crítica enquanto profissional deve haver sempre o cuidado de separar crítica de insulto.

No Sporting, já vi tratar muito mal jogadores como Ricardo Esgaio, Paulinho, Trincão, por exemplo e de forma algo mais suave Pote ou Adán. Esgaio que tem as suas limitações, com bons e maus momentos, tem mostrado ser um bom profissional. Paulinho criticado por não marcar muitos golos, tem sido bem importante na sua prestação, inscrevendo no seu currículo, golos que decidiram jogos, Francisco Trincão que divide o bom com o mau, parece-me estar ainda em progressão. Pote e Antonio Adán, jogadores fundamentais na conquista do último título, estão numa fase menos boa e podem merecer algum reparo, mas são grandes profissionais.

Em suma, se um jogador não serve mesmo os interesses da equipa, devem os responsáveis técnicos tomar a decisão de manter ou não a sua continuidade. A nós, leigos na matéria, compete-nos apoiá-los e acarinhá-los enquanto vestirem a camisola do clube.

Outra coisa de que discordo é do endeusamento de qualquer atleta, colocando-o-acima dos outros. Numa orquestra afinada todos são importantes quer toquem bombo ou violino. Para dar um exemplo do passado, lembro-me que na equipa chamada dos cinco violinos, também havia outros instrumentos. Na actual equipa, como em qualquer orquestra não há apenas solitas, mas outros músicos contribuem para o resultado final.

Para dar o recém-exemplo de Gyökeres, pelas suas prestações, é sem dúvida um solista que em momentos se sobrepõe, o que não diminui a importância do tocador de bombo. Na equipa é um ídolo muito acarinhado, justamente pelo adeptos, mas é preciso não esquecer que joga com a equipa e pela equipa, sem a qual não teria o mesmo relevo.

Uma característica que merece elogio, para além da  qualidade técnica de qualquer solista é a sua humildade, nunca se armando em vedeta. E nesse aspecto Gyökeres é um exemplo porque sabe da importância dos não solistas no seu desempenho, o que devia merecer a reflexão do adepto para não diabolizar nem endeusar.

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P.S.: Com o beneplácito do Rui, aproveito esta oportunidade para lembrar que ler faz bem e acalma as emoções do futebol. Embora seja suspeito, recomendo a leitura do meu livro “ Zé Ninguém – A minha vida não dava um romance”, um retrato do país desde os anos 50, onde muitos se podem rever. Uma boa prenda Natal, à venda nas grandes livrarias online ou na livraria Martins em Lisboa. Também envio pessoalmente por correio. Email : as 3559225@sapo.pt. SL

publicado às 05:34

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16 comentários

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De Leão Zargo a 07.12.2023 às 09:50

Amigo Nação Valente

Na verdade, nós os adeptos, ora ajudamos, ora complicamos. No futebol, por causa da emoção e quantas vezes por frustrações pessoais) as nossas faculdades críticas ficam diminuídas. Está tudo bem quando corre bem entre as quatro linhas, está tudo mal quando ali corre mal. Cai o Carmo e a Trindade. Muitos adeptos julgam que sabem tudo, que têm resposta para todas as dúvidas, mesmo para quem trabalha diariamente com os jogadores, afinal pouco ou nada sabem.

Foi assim desde que me lembro, as redes sociais ampliaram esse sentimento de “saber tudo”. Este tempo que vivemos agora, de agressividade e polarizado veio agravar ainda mais o ambiente à volta do futebol. Neste caso, há ruído a mais e música a menos. O que é pena.
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De Naçao Valente a 07.12.2023 às 12:24

Amigo Leão Zargo

O clube de que somos adeptos está a fazer uma boa época em todas as frentes. Ficámos em segundo lugar na liga Europa o que não é despiciendo, mas mostrámos ser os melhores. Vitórias morais não valem, mas também não deve valer pôr tudo em causa, por um deslize.

No jogo com o Atlanta vários avançados falharam golos. A minha reacção era de desilusão e também de raiva para com o atleta, mas depois respirava fundo e acalmava. Vendo bem uma coisa é jogar com os olhos e outra estar no terreno. E tanto falham os craques como os outros.

No fundo, sei que estas abordagens não mudam nada na prática, mas é da minha natureza fazer estes "desabafos".
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De Leão Zargo a 07.12.2023 às 15:09

Amigo Nação Valente

E faz muito bem desabafar. Mais que não seja, para pôr um pauzinho para ver se complica a dinâmica da engrenagem!
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De Julius Coelho a 07.12.2023 às 11:50

Amigo Nãção Valente

Na generalidade os adeptos são assim mesmo e isso nunca vai mudar, e existem lugares bem piores e com numero bem mais elevado de adeptos que passam do insulto às ações de violência, assisti a muitas coisas em outras terras do planeta. O adepto constrói a sua própria narrativa, análise e versão depois de principalmente emprenhar pelos ouvidos, dependendo muito do seu quotidiano, do seu instinto, da rivalidade entre amigos de outros clubes, familiares, vizinhos e outros e fica depois refém da ideia que deixou construir e age se as coisas acontecem em contrário do que para ele tinha que acontecer. Isso é o mais comum, depois...

tem os adeptos mais exigentes com o seu clube que gostam e analisam com rigor as falhas da Direção, do treinador e por fim do atleta, são mais pacientes até ao momento que perdem a paciência, uns mais depressa que outros, começam nas críticas e se as coisas persistem passam aos insultos, são fenômenos da qualquer sociedade e como disse nunca vai mudar, todos têm a sua própria fronteira da tolerância à falta dela. No caso do Sporting depois de tantos erros no passado, na gerência do Clube, de treinadores fracos e de tantos jogadores de qualidade duvidosa também fica natural a reação da desconfiança quando algo não corre bem, é uma situação que temos que aprender a viver com ela.

Depois temos que ter sempre presente a forma como cada um vê o futebol que nunca é ou será igual entre todos. Não conhecem e a maioria nunca vai chegar a conhecer as realidades do que na verdade se passa, no treino, no balneário, no antes e pós jogo.

Mas teremos que levar sempre em conta a "tendência" do adepto, na maior parte das vezes tem razão no que vê e é com a sua pressão que as coisas mudam, o que não está bem, afinal não é ele que paga tudo?
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De Naçao Valente a 07.12.2023 às 12:49

Amigo Julius

Espero que esteja bem e satisfeito com a época do nosso Sporting. Sabe tão bem como eu que os erros existem e sempre existirão. Subscrevo a sua análise com a excepção do último parágrafo.

Não concordo que o adepto na maior parte das vezes tenha razão, até porque como também diz não sabe o que está a montante. E em relação à questão "afinal não é ele que paga tudo?" Estou em total desacordo. Nem imagino o Sporting a viver só com a comparticipação do adepto. Em que escalão jogaria?

Em suma, nenhum clube de topo o seria se assim fosse. Sabe tão bem como eu como se conseguem as receitas para competir ao mais alto nível. O adepto tem um papel importante no apoio ao clube e na sua mística, mas não o suporta financeiramente, embora tenha peso em negociações de direitos televisivos.
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De Julius Coelho a 07.12.2023 às 13:40

Amigo é o adepto que paga tudo, mas mesmo tudo, desde as transmissões TV porque paga a mensalidade aos canais privados, aos bilhetes, ás compras de equipamentos, os jogadores ganham valor comercial por tudo isso e depois são comercializados, todo o dinheiro vem do bolso do adepto que consome o futebol, se ninguém visse os jogos na TV, se ninguém fosse aos estádios, se ninguém comprasse os jornais desportivos ou visse os programas desportivos os próprios valores publicitários não dariam subsistência a ninguém, tudo vem do bolso do adepto, tudo.

Quanto á tendência pretendi dizer opinião de maiorias, quando uma esmagadora maioria está de acordo de que algo está mal normalmente tem razão e essa pressão ajuda ás mudanças.

Tenha atenção que o futebol tem a melhor cola do mundo, gruda mesmo muita gente que vê neste fenômeno a forma de ganhar dinheiro fácil, até o próprio jogador a maioria de origem humilde e de pouca formação que não quis vergar a mola em outras atividades de expelir suor mas com retorno financeiro baixíssimo e com o futebol vê a possibilidade de sofrer menos e ganhar mais e ainda ser herói do povo. O dinheiro pode jorrar tanto que enlouquece as pessoas, passam a vida a meditar em soluções para nunca perderem o filão, mesmo que seja enganar o pagode que acredita que eles sabem tudo porque estão lá, quando a realidade é bem outra, aquilo é tão bom!

obvio que existem excepções, o adepto pensa sempre que a excepção é o seu clube.
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De Naçao Valente a 07.12.2023 às 16:37

Amigo Julius estamos numa espécie de um diálogo de surdos. Eu não tenho neste momento acesso ao relatório e contas do clube, mas se as consultar verificará que as receitas não têm apenas as proveniências que refere. Nem sei se essas receitas são a parte de leão da totalidade.

Hoje, clubes das ligas mais modestas, como o Sporting que vivem muito com base na venda de activos. Penso até que será a maior fatia das receitas. O que tenho lido é que as quotizações e a bilheteira servem para pagar as modalidades. As receitas televisivas que refere são para a Sport TV ou outros operadores. O que chega ao clube é uma pequena parte através de um contrato temporário.

Essa afirmação de que o adepto paga tudo parece-me exagerada. O adepto só se move em função de resultados. Se forem positivos está tudo bem, se forem negativos está tudo errado. Mas a vida não é a preto e branco.
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De Julius Coelho a 07.12.2023 às 17:23

Amigo Nação Valente, também abordei a venda de ativos:

"os jogadores ganham valor comercial por tudo isso e depois são comercializados, todo o dinheiro vem do bolso do adepto que consome o futebol"

Tudo gira no mesmo, no dinheiro do adepto que consome o futebol de forma directa ou indirecta.

Como descrevi se ninguém fosse aos estádios, consumisse jornais e programas desportivos, compras de equipamento e outros I(vários) os ativos teriam valores muito reduzidos e não haveria investimentos de montra no futebol, a publicidade seria redutiva e com oferta de valores também muito reduzida.

Os valores da TV são altos, cerca de 40M por época para os 3 grandes e isso só é possível porque o adepto consome e paga o futebol via TV.

Os campeonatos do Mundo, da Europa ou as provas europeias de clubes são oferecidos cachets altos porque a FIFA e UEFA recebem muito dinheiro nos contratos televisivos, contratos de publicidade e bilheteira que o o adepto direta ou indiretamente paga.
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De Julius Coelho a 07.12.2023 às 17:39

A maioria dos adeptos participa com algum pagamento para o futebol mensalmente por muito reduzido que seja, ou porque prefere ou tem outro tipo de impedimento de e vê o espetáculo no sofá, eu por exemplo pago 4 sistema diferente de satélite por causa do futebol, para que nunca falhe e com acesso aos directos nos 4 cantos do mundo são milhões de adeptos que fazem correr milhões através de variadíssimas situações, uma das mais fortes a publicidade que gera bons contratos anuais.

Mas também existe uma minoria de adeptos que se aproveitam da situação e pagam zero ao futebol, não são sócios, não compram camisolas, não vão aos estádios, não vêm os diretos... simplesmente ouvem os relatos na radio, leem as capas dos jornais na banca ou na internet e ficam a par de tudo via internet online ou em programas de informação nos canais aberto da TV, se a maioria participasse dessa forma teriamos um futebol não profissionalizado.
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De Naçao Valente a 07.12.2023 às 20:03

Numa coisa está certo, amigo Julius, o futebol é hoje um negócio e os negócios implicam comercialização. Nesse sentido os clubes têm os seus adeptos como compradores, mas tirando os que frequentam os estádios e os que pagam pacotes de televisão, há uma considerável maioria que segue o futebol, sem ser contribuinte.

Em conlusão a questão não me parece que se possa simplificar. De facto sem adeptos (consumidores) não haveria futebol profissional, por diversas razões, mas continuo a considerar que a engenharia para gerar receitas, está para além disso.
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De Naçao Valente a 07.12.2023 às 20:11

E ainda há coisa que vale a pena salientar. Como se vê neste debate muito reduzido, o adepto pouco se interessa por este tipo de reflexões. O que o mobiliza são as paixões do futebol, os resultados, as exibições, os erros de arbitragem, a rivalidade muitas vezes quase doentia.
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De João Andrade a 07.12.2023 às 20:12

Muitos parabéns pelo seu texto.
Parece que ser sportinguista é mesmo diferente!
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De Naçao Valente a 08.12.2023 às 00:20

Obrigado. Não diria que somos de outro planeta, mas diria que sentimos alguma diferença, difícil de explicar.
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De Leão do Norte a 08.12.2023 às 00:42

Amigo Nação Valente,

O futebol desperta emoções básicas, susceptíveis de provocar reacções no extremo do espectro possível. A racionalidade só é possível quando limitamos estas emoções.
Mas numa sociedade cada vez mais condicionada, como pedir aos adeptos que, no futebol, controlem as suas emoções?
O escape do futebol é cada vez mais prevalente que a situação só tende a piorar.

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