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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Os advogados "peritos" estão em débito com o futebol, mas agem sempre como se fosse ao contrário.
O Sporting desconfia da Comissão Arbitral Paritária, um órgão da Liga que hoje serve, exclusivamente, para carimbar os pedidos de rescisão, incluindo dos nove jogadores que debandaram de Alvalade. A CAP até não poderá fazer grande mal ao Sporting, mas a desconfiança tem razão de ser.

Há pouco mais de um ano, um dos seus elementos teve de se demitir por ser pateticamente fanático por um determinado clube grande e a substituta trabalha no gabinete de advogados que representa, em nome do sindicato, alguns dos jogadores que rescindiram. O elemento que sobra é comentador crónico de direito do desporto num vasto número de títulos da Imprensa e teceu dezenas de sentenças sobre a vida do Sporting nos últimos meses, para além de ser conotado com o mesmo determinado clube, cujas posições costuma partilhar quase à sílaba.
Esta é a parte muda dos bastidores do futebol que não se cura com banhos de silêncio e harmonia. O "perito" em direito do desporto de hoje, mais perito ainda em escalada social, é o presidente do Conselho de Disciplina de amanhã, ou estará pelo menos entre os vogais; fará parte do lote de juízes do Tribunal Arbitral e, com bons ventos, até chegará a secretário de Estado ou presidente da Câmara de Sintra.
A camada adiposa formada por este tipo de advogados que se entranha no futebol - os "peritos" - foi responsável por múltiplas agressões à modalidade, neste século, que provocaram estragos tão grandes ou maiores do que o Apito Dourado, o caso Pereira Cristóvão, os emails e o Cashball todos juntos. Não são opiniões: são decisões transitadas em julgado que o dizem. Os juristas estão em débito com o futebol. Têm de provar que merecem alguma confiança das pessoas, em vez de continuarem a portar-se mal e a promoverem mil tipos de promiscuidades diferentes, às vezes com um descaramento inconcebível.
José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo
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