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Jogo de monopólio

Naçao Valente, em 05.09.16

 

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A Adoração do Bezerro de Ouro, óleo sobre tela, século XVII, Andrea di Lione

 

 

Para a mentira ser segura

e atingir profundidade

deve trazer à mistura

qualquer coisa de verdade...

(António Aleixo)

 

 

É comum dizer-se que o presidente Bruno Azevedo de Carvalho mantém altos níveis de popularidade junto de muitos adeptos. Popularidade conquistada pela imagem de único e possível salvador do Sporting, vindo de uma situação de descalabro financeiro e desportivo. E apesar da atitude desnecessariamente quixotesca do Presidente, atacando tudo o que mexia, a boa prestação da equipa de futebol, apenas com a prata da casa, manteve-o à tona. A inexistência de uma oposição forte e organizada permitiu-lhe gerir a seu bel-prazer a imagem de salvador. Os opositores mais mediáticos, por tacticismo, por indiferença, por expectativa, por falta de coragem, ou por aliciamento estão meio amordaçados.


Nestas circunstâncias é muito difícil ser oposição ao Presidente. E embora a minha influência dentro do universo sportinguista seja igual a zero, não posso deixar passar em branco análises de indefectíveis brunianos, com coluna na comunicação social. Refiro-me a Daniel de Oliveira, colunista semanal do Record. Escreve ele num artigo intitulado “Matraquilhos e Monopólio” e a propósito da venda de activos, que Bruno é um genial jogador de monopólio, em comparação com presidentes anteriores, simples praticantes de matraquilhos, que estavam a afundar o Sporting.


Identifico-me politicamente com algumas ideias de Oliveira, que julgo ser um homem probo, mas entendo que nesta análise, onde incensa, mais uma vez, o seu ídolo, usa uma meia verdade para apoiar os seus argumentos, que no aspecto global, correspondem a uma não-verdade. De facto, o presidente fez uma boa capitalização de activos com as vendas dos atletas João Mário e Slimani. E se usando a s terminologia de Oliveira foi uma grande jogada de monopólio, é preciso acrescentar que o fez graças aos trunfos de que dispõe. E outros ainda poderia usar, como Adrien, William, Rui Patrício. Ao todo e num grande lote, cinco grandes trunfos, que com excepção de Slimani, lhe foram deixados pelos "jogadores de matraquilhos".


A propósito, fiz uma breve pesquisa comparativa e cheguei aos seguintes resultados: entre 1995 e 2016 o Sporting teve sete presidentes, num espaço de 20 anos. É só fazer as contas. Durante esse período consegui encontrar cinco ou seis jogadores do mesmo nível dos que agora existem, e que foram transferidos para grandes clubes europeus. São eles, Figo, Simão Sabrosa, Quaresma, Ronaldo, (ainda júnior) Nani, talvez Veloso. Acentuo, seis activos do mesmo nível dos agora disputados pelo mercado. E independentemente de serem ou não bem negociados, facilmente se conclui que os seis presidentes anteriores tiveram menos trunfos para jogar monopólio em vinte anos, que este presidente teve num único ano.


Pode o jornalista Daniel Oliveira tecer as loas que entender ao seu” santo milagreiro”. Pode, mas não deve em nome da análise séria, fazer comparações de realidades que não são incomparáveis. Pode e deve idolatrar quem quiser, mas sem desvalorizar de uma forma grosseira, seis presidentes e revisionar a história do Sporting. Para mais, a alta propagada popularidade do Presidente dispensa esses favores. Pelo menos enquanto ganhar no jogo do monopólio.

 

publicado às 14:00

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5 comentários

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De Nuno a 05.09.2016 às 18:33

Vou defender um pouco o autor do post... Acho que não se deve comparar estes valores com os valores da venda de Nani, CR, Quaresma (para falar nos que "renderam" alguma coisa, e muito menos com Hugo Viana, Moutinho, Veloso, E Figo então ainda menos (quis sair e por isso ganhámos muito menos do que poderiamos ter ganho). Não se pode comparar os valores do mercado na altura com os actuais... Se fosse hoje em dia, nem o pior dirigente da história do Sporting (seja ele qual for), teria vendido estes jogadores (principalmente os 3 primeiros) por valores proximos do João Mário ou Slimani.

Mas também (e agora defendo o Daniel Oliveira) verdade seja dita duvido muito (aliás tenho mesmo a certeza) que com outras direcções o João Mário não tinha sido treinado pelo Jorge Jesus (ou porque nunca teríamos tido o Jorge jesus como treinador ou porque já teria saído no após Taça de Portugal) e o Slimani tinha saído por metade do que saiu (melhor... nem tinha chegado).

E a história recente do Sporting (diria que após o Dias da Cunha apesar de dependendo dos anos porque o director desportivo nem sempre foi o mesmo) assim o demonstra... Sempre que algum futebolista com algum valor aparecia era vendido, tendo o ultimo sido o Wolswinkel, que após 50 golos em dois anos e com "apenas" 26 anos é vendido por 10M€ (não vou falar das razões que cada "lado" apresenta as suas...), e este verão vendemos um jogador que marcou perto de 60 golos em 3 anos (sendo que mais de metade foi no ultimo ano) com 28 anos por 3 vezes mais.

Podem criticar muita coisa de BdC, mas que ele é um excelente negociador é e a prova é que mesmo com a valorização de muitos jogadores conseguiu mantê-los e ainda obter o máximo rendimento financeiro por eles.

Outros de certeza que não o teriam feito... e lá seguiríamos felizes num lugar entre o 3º e o 7º como alguns parece que gostavam.

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De Rui Gomes a 05.09.2016 às 19:01

Caro Nuno,

Não deixa de ser curioso que o próprio João Mário referiu em várias ocasiões Marco Silva, como tendo sido o maior impulsionador da sua ascensão à equipa principal.

Isto é factual. Pode fazer pesquisa aqui no blogue - porque referimos isso - ou na Internet, e encontrará essas afirmações dele.

Além do mais, ele estava estagnar na equipa B e exerceu pressão para ser emprestado, o que acabou por acontecer em Janeiro de 2014, para o V. Setúbal, onde, felizmente para ele, foi cuidadosamente conduzido por José Couceiro.

Esta mania em voga de atribuir o mérito todo a uns e ignorar os restantes, é irrisória.
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De Lion73 a 05.09.2016 às 19:19

Creio que ninguém tem dúvidas que JM foi lançado por Marco Silva ( embora a sua estreia tenha sido com Domingos, salvo erro ). O que user pretende sublinhar, penso, é o crescimento exponencial do jogador com JJ, o que lhe permitiu chegar a outros patamares de rendimento, se calhar pouco expectáveis em apenas um ano.
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De Rui Gomes a 06.09.2016 às 01:23

P.S. Mais uma vez, sem desvalorizar o trabalho de Jorge Jesus, o desenvolvimento de qualquer jogador, especialmente os mais jovens, é um processo gradual.

Há excepções à regra, em termos de juventude, a exemplo de Slimani. Cresceu com Jorge Jesus, indubitavelmente, mas também o fez primeiro com Leonardo Jardim e de seguida com Marco Silva. É natural, quando há talento à raiz.
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De Petinga a 07.09.2016 às 16:26

Não compreendo, quando se fala de Slimani, como se pode ainda enaltecer qualquer outro treinador.
Slimani marcava 12-14 golos por temporada entre 2013 e 2015. Com JJ fez mais de 30. No final da temporada com MS o Leicester oferecia uns míseros 15M. Ao fim de UMA TEMPORADA com JJ o mesmo Leicester subiu para 30+5.

Palavras para que? Admitam-no. É uma evidência clara como água. JJ tem uma capacidade de potenciar jogadores que mais ninguém na liga portuguesa possui. Os factos estão à vista. Achar que é "coincidência" as 2 maiores vendas DE SEMPRE da história do Sporting acontecem após 1 ano de JJ é tentar tapar a realidade com uma peneira.
Senão concordam, aposto já aqui que no final de 2016-17 volta a sair um jogador por mais de 30M - isto é, mais uma venda a entrar para o top-2 da história de 107 anos do Sporting.

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