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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Basta um telemóvel, uma aplicação básica de edição de imagem e criatividade para se fazer o que, no outro dia, encontrei algures numa rede social — era uma montagem dividida ao meio, com quatro fotografias de cada lado, para mostrar quem era o melhor passador, o melhor driblador, o melhor rematador e o melhor organizador de jogo do Real Madrid e do Barcelona (peço-vos paciência, que isto já deverá fazer sentido). À esquerda, cada categoria tinha um jogador distinto do clube da capital espanhola mas, à direita, todas as quatro divisórias tinham fotografias do mesmo rapaz, batizado pelos pais de Lionel Messi.
A montagem tem a sua piada, mas a mensagem subliminar que dela se retira para este texto é que, no Barcelona, há uma pessoa que é cada vez maior do que o clube que tem como lema “més que un club” e que, neste século, já ganhou a Liga dos Campeões por quatro vezes.
Esse pequeno argentino, futebolista genial, pode ter sido a primeira coisa a vir à cabeça quando, há duas semanas, o Sporting ficou a saber com quem vai partilhar o grupo na competição — porque há poucas coisas piores no mundo do futebol do que jogar contra os catalães, ainda mais quando, na única vez em que se encontraram, o Sporting sofreu duas derrotas, oito golos e uma goleada caseira (2-5, em 2008/09) para amostra. Com Messi a marcar, ainda por cima.
Mas, como a miscelânea de pontos, rankings e coeficientes colocou o Sporting no pior dos potes (4) para o sorteio, na sina dos leões também calhou a Juventus. E os italianos, hexacampeões no seu país, finalistas vencidos de duas das últimas três edições da Champions, cheios de estrelas, têm Paulo Dybala, outro pequeno argentino, jogador genial, que é para eles o que Messi é para o Barcelona. É o começo e o fim de tudo o que de bom eles fazem com a bola. Ou seja, perante dois gigantes mais apetrechados em jogadores, dinheiro, prestígio, títulos e probabilidades, o Sporting terá de olhar nos olhos da equipa que sobra, o Olympiacos.
Os gregos têm 19 campeonatos ganhos nos últimos 21 anos, diz-se que são empurrados pelo ambiente do estádio cheio, estão habituados a dominar, a controlar e a ganhar na terra deles, mas, na Liga dos Campeões, só saíram vivos da fase de grupos em três épocas desde 2007. E o bom para o Sporting é a teoria, que parece estar do seu lado quando os gregos estão do outro.
O clube de Alvalade terá melhores jogadores, melhor treinador e melhor equipa do que o Olympiacos, que esta época gastou €13,3 milhões em contratações, menos de metade dos quase €28 milhões investidos pelos leões. Pelos números em que nos fiamos antes de a bola rolar no campo, o Sporting tem quase a obrigação de vencer os gregos na primeira jornada da fase de grupos (terça-feira, 19h45, SportTV5). Mesmo que a partida seja em Atenas e que haja André Martins, Diogo Figueiras, Mehdi Carcela ou Felipe Pardo, caras conhecidas do futebol português, a vestirem à Olympiacos.
Ali não há um ‘mega-hiper-extraordinário-craque’ que centralize tudo e que monopolize montagens de fotografias. Portanto, em caso de vitória, e presumindo que haverá um derrotado no jogo Barcelona-Juventus, o Sporting pode começar a Champions como líder e com meio caminho feito para, se não conseguir contrariar a teoria com a prática, acabar pelo menos na terceira posição, que equivale à Liga Europa.
Diogo Pombo, jornal Expresso
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