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Rara é a circunstância em que eu esteja de acordo com o presidente da UEFA, mas admito que lhe dou razão quando afirma que os acordos que permitem a terceiras entidades deterem direitos desportivos e económicos sobre os futebolistas, à margem dos próprios e dos clubes de futebol que os empregam são um perigo para o futebol. Igualmente acertado foram as "farpas" que mandou na direcção de Sepp Blatter, acusando a FIFA de não ter a coragem política para impor uma proibição global a esta prática. Como modelo exemplar, Platini citou a federação de futebol inglesa por assumir uma posição forte contra esta forma de negociar jogadores.

 

Declarou Michel Platini: "Se a FIFA não agir, nós vamos lidar com este problema nas nossas próprias competições na Europa. O Comité Executivo da UEFA já adoptou uma posição de princípio sobre esta matéria e vamos levá-la té ao fim. Quero aproveitar a sua presença aqui hoje (Blatter no Congresso da UEFA) para lhe fazer um pedido solene para ter a coragem politica para lidar com este problema de uma vez por todas. Há momentos em que é preciso parar de se esconder por detrás de comités, subcomités, estudos de peritos e relatórios académicos."

 

Blatter, em resposta, sugeriu que a UEFA e a FIFA deveriam trabalhar juntas nesta questão, mas acabou por confirmar as acusações de Platini, declarando que a FIFA já encomendou dois estudos sobre este tópico complexo e que qualquer acção só surgirá mediante os resultados dos mesmos.

 

Quem não se fez esperar em dar apoio a Platini foi a Federação Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPro). O secretário geral do orgnismo, Van Seggelen, declarou que a "FIFA tem o dever de garantir, à escala mundial, que não existe hipótese de terceiros serem proprietários dos direitos dos jogadores" e que a disposição "é apresentada como um mal necessário por parte de homens de negócios gananciosos que encontram uma forma de expor as debilidades d indústria." 

 

É por de mais evidente que a existência de Fundos permite aos clubes viverem ainda mais à base de crédito, ou seja, a gastarem dinheiro que não têm, endividando-se cada vez mais, no intuito de se tornarem mais competitivos perante aqueles emblemas que possuem recursos financeiros à raiz muito superiores. E aqui reside grande parte do dilema: é incontornável que existirá sempre um fosso competitivo entre aqueles que "têm" e os que "não têm", mas a pergunta mais pertinente é se os meios justificam os fins, dado o constante acréscimo de dívida. Uma medida que contribuiria para um maior equilíbrio - sem ser uma solução absoluta -, a exemplo das ligas profissionais norte-americanas, é a imposição de tetos orçamentais e salariais que vão muito além das regras vigentes sob o "fair-play" financeiro da UEFA.

  

Michel Platini também exagera pelas suas explicações simplísticas, porque parte do seu objectivo é minimizar a competência de Blatter, cujo trono ele pretende ocupar. O futebol indústria, hoje em dia, quase sempre fala mais alto do que o futebol desporto, e é evidente que algo tem de ser feito para corrigir este estado das coisas, mas o processo, pelos inúmeros e significativos interesses envolvidos, não promete ser de fácil realização, salvo pela intervenção directa e rígida dos organismos que superintendem a modalidade, tanto na Europa como no resto no Mundo.

 

publicado às 03:06

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13 comentários

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De MJ a 31.03.2014 às 05:28

E nunca te ocorreu elogiar o presidente do teu clube pelas mesmas razões?
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De Rui Gomes a 31.03.2014 às 09:52

Qual é a comparação ?
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De Balajic a 31.03.2014 às 16:20

Se calhar ao meu caro MJ também nunca lhe ocorreu elogiar a Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS), que já há vários anos se tem pronunciado sobre esta matéria e frontalmente contra estes fundos, e que no Pensar Sporting deste ano (e que foi aqui falado por uma questão "lateral" de uma "polémica" nascida nas redes sociais) dedicou, inclusive, um painel a este tema e que contou com ilustres convidados nacionais e estrangeiros.

No entanto, quando o Rui colocou aqui um post sobre a matéria, os ilustres comentadores deste "fórum" (entre os quais, se calhar, o meu caro MJ) preocuparam-se mais em discutir a questão acessória (a da suposta "polémica") do que a questão principal (os temas em debate no evento da AAS).

Pena foi, por isso, que o presidente do Sporting (que o MJ quer que seja elogiado sobre este assunto) se tenha preocupado mais, nessa, com a questão da pirotecnia (que não iria ser debatida no evento, mas que ele queria, a qualquer custo, que fosse) do que com esta questão dos fundos de jogadores.

Como tal, cabe aqui perguntar: porque raio deve o presidente do Sporting ser elogiado sobre uma matéria que ele não sabe realmente o que é nem o que pode estar por trás e, pior!, que não está no topo das suas prioridades (ou, pelo menos, que fica atrás da questão da pirotecnia)...
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De Mike Portugal a 31.03.2014 às 08:43

Aqui também estou de acordo com o Platini. Terá que haver legislação para impedir que 3ºs possam ser proprietários de % de passes de jogadores. Eu diria que a lei devia ser escrita de tal forma que o texto fosse algo do género:

"Os únicos proprietários de direitos desportivos e económicos dum jogador só pode ser o clube onde joga e/ou ele próprio"
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De Rui Gomes a 31.03.2014 às 09:54

A ideia é essa, a exemplo do que acontece na Inglaterra.
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De Balajic a 31.03.2014 às 16:21

Até poderá, eventualmente, ser um terceiro esse proprietário.

Desde que se saiba, com toda a transparência, quem ele é...
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De Rui Gomes a 31.03.2014 às 16:48

Caro Balajic,

Pelo que tenho lido sobre Fundos e a relevante posição da UEFA, a preocupação primordial do organismo não se limita à transparência dos mesmos, mas porventura mais ainda sobre a influência que estes acabam por ter sobre os clubes, jogadores e o futebol em si, económica e desportivamente.
Isto, para não evocar outras démarches " que ocorrem nos bastidores do poder.

A real vontade da UEFA é fazer o mesmo que a federação inglesa faz: jogadores cujos direitos não pertençam 100% ao clube que os contrata não serão inscritos.

É verdade que a acontecer, o fosso entre os que "têm" e os que "não têm" aumentará, mas eliminará a influência de terceiros e obrigará os clubes a viver e a competir mediante os seus reais meios. Tudo indica que a UEFA, independente da posição da FIFA, está mesmo disposta a agir nesse sentido. Um dos meios de acção, imagino eu, é a proibição de jogadores nas provas europeias cujos passes não pertençam inteiramente aos clubes participantes. Não interferirá, creio eu, na disposição a nível nacional, mas terá impacto, já que não faz sentido, a exemplo de Portugal, o SCP , SLB ou FCP contratarem jogadores que depois não poderão participar na Champions e na Liga Europa.

Depois temos ainda os casos de jogadores como o Rodrigo e um outro do Benfica, que pertencem totalmente a um Fundo, no entanto continuam "emprestados" ao Benfica.

Por fim, outra não menos importante consideração que, em Portugal, tem como prova clara o SLB e o FCP : a aposta total no "produto" estrangeiro em detrimento da formação nacional. Este é um dos aspectos que mais perturba a FIFA, mas esta é mais lenta a agir, como acusou Platini , com razão, por natureza e pelo vasto leque de interesses em jogo.
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De Tywin Lannister a 01.04.2014 às 06:27

Os fundos como os conhecemos actualmente até podem ser impedidos de serem proprietários de jogadores, mas nada os impede de comprar SADs para depois tratarem fazerem o mesmo, ainda que de outra maneira. Assim de cabeça, lembro-me de um clube brasileiro e de outro uruguaio muito usados por alguns empresários... ;)
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De Balajic a 01.04.2014 às 15:00

TL,

Salvo erro, a FIFA já proíbe que os clubes sejam detidos por fundos, embora não proíba o "investimento" nos jogadores e, daí, não tenha proibido a detenção do passe dos jogadores por fundos...
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De Balajic a 01.04.2014 às 14:59

Caro Rui,

A UEFA quer impedir o 'third party ownership'. E não (ou, pelo menos, acho que não) o co-ownership (ou seja, os direitos económicos, vulgo 'passe', do jogador serem detidos pelo clube onde ele joga e por outro clube).

Não é só em Inglaterra que 'third party ownership' é proibido. Creio que em França também. Mas a Premier League só proibiu o 'third party ownership' por causa das transferências do Tevez e do Mascherano para o West Ham.

Apesar disso, a Inglaterra e a França permitem que os grandes magnatas e sheiks deste mundo enterrem dinheiro a rodos nos clubes, dinheiro esse que, muitas vezes, não se sabe de onde vem. Será assim tão diferente dessa questão dos fundos? Será esta assim tão má só porque estamos a falar do 'passe' dos jogadores e, por isso, semelhante a 'tráfico de seres humanos', como chegaram a dizer em Inglaterra a propósito da celeuma com a transferência daqueles dois jogadores?

Se calhar também há aqui muito cinismo e hipocrisia à mistura...

A questão que se debate sobre os fundos é a "despessoalização" de quem detém os direitos económicos dos jogadores. Não se sabendo quem são os detentores, não se sabe se eles não poderão influenciar (ainda que indirectamente) os resultados dos jogos, fazendo com que o jogador A se transfira para o clube B ou que o jogador C não saia para o clube D, etc.

Ou, como sucede no caso do fundo dos jogadores do Sporting, em que o clube é obrigado a colocar no mercado de transferências todos os jogadores que estão no fundo e que se encontrem nos últimos 18 meses de contrato (o que, para mim, é qualquer coisa que roça o ilegal ou anda lá muito perto).

Portugal é dos países que vêm como exemplo em todas as matérias do 'third party ownership', até por causa da sua relação mais "estreita" com os países "exportadores de jogadores" da América do Sul (em especial, Brasil e Argentina), sendo que, no nosso país, este mecanismo mais não foi do que uma (ou mais uma) forma de os clubes arranjarem dinheiro (depois dos terrenos, das bombas de gasolina, dos bingos, das SAD, etc.).

Eu sou frontalmente contra, apesar de conseguir reconhecer que há fundos e fundos (há a Trafic, p.ex., que tem um "rosto", as pessoas sabem quem são e o que é e há a a Doyen que ninguém sabe o que é, nem quem a gere e há toda uma aura de secretismo sobre a mesma).

E sou contra porque acho que os clubes devem viver de acordo com as suas reais possibilidades e fazer uma gestão regrada, de acordo com as receitas que têm, sem entrar em loucuras e megalomanias.

Pode ser duro, nalguns casos, pois não teremos uma equipa tão competitiva, mas acho que é pior endividar os clubes e estes, depois, acabarem (ou muito perto disso). Por outro lado, nem sempre são as equipas que mais gastam que conseguem melhores resultados e esta época do Sporting é exemplo disso mesmo.
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De Rui Gomes a 01.04.2014 às 17:34

Caro Balajic,

Penso que o investimento em clubes (compra) por magnatas, individual ou em grupo, exige uma análise separada da questão dos Fundos. É óbvio que quem investe visa retorno e temos como exemplo o que está a acontecer com o Manchester United e outros clubes ingleses, em que os norte-americanos estão a investir forte e feio. Como bem sabemos, o cenário em Portugal é diferente, embora acredite que com o passar de mais alguns anos algo semelhante vai acontecer, apenas e tão só porque os clubes portugueses, nomeadamente, os chamados grandes, não podem continuar a sobreviver à base de crédito e da dívida.

Compete às federações e, porventura também à UEFA e FIFA investigar bem antes de uma qualquer compra de um clube é proposta, para evitas os bem conhecidos veículos de lavagem.

É verdade que nem sempre os que mais gastam mais ganham, mas casos como o do Sporting esta época são a excepção à regra que, a manter a mesma postura para a próxima época, esta excepção vai ser severamente exposta à prova de fogo.

Quanto aos Fundos, que nunca me dei ao trabalho de averiguar quantos existem, os mais conhecidos têm todos rosto, a exemplo também da Quality Football Ireland que até conta com a participação de Jorge Mendes. É verdade que a Doyen é mais "misteriosa" e deverá haver outras empresas do género.
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De Balajic a 03.04.2014 às 16:00

Caro Rui,

Só são uma excepção enquanto se permitir que assim seja.

Os clubes em Portugal "nasceram" como associações e não como sociedades comerciais como em Inglaterra que, na minha opinião, não são grande exemplo para ninguém...

Prefiro que o meu exemplo a seguir seja a Bundesliga e os clubes alemães, bem como os adeptos deste país que não cederam a que fosse quebrada a regra dos 50%+1 (isto é, que os clubes alemães não sejam detidos por outros que não sejam os sócios), com excepção daqueles clubes que "nasceram" como sendo clubes de empresas (Bayer Leverkussen, Wolfsburg, etc.).

Por alguma razão não há "investidores" na Alemanha e por alguma razão os adeptos alemães são felizes assim.

E os clubes na Alemanha não estão na bancarrota, nunca gastaram mais do que aquilo que podiam e até têm um exemplo (que no país é a excepção de tudo o resto) que, com estas regras, se bate de igual para igual com os outros colossos europeus - o Bayern.

Quer um exemplo de um clube que não é "gastador" (pelo menos, para os padrões do país) e que voltou ao topo? Borussia Dortmund.

E deixo-lhe um abraço e dois artigos cuja leitura recomendo vivamente:

http://swissramble.blogspot.pt/2010/10/borussia-dortmunds-road-to-recovery.html

http://swissramble.blogspot.pt/2012/10/borussia-dortmund-back-in-game.html
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De Rui Gomes a 03.04.2014 às 19:06

Caro Balajic,

Muito sinceramente, não sei se a Alemanha serve de exemplo, considerando o seu superior poder económico. Mas, mesmo ssim, não devemos esquecer que ainda não há muito tempo o Borussia Dortmund esteve à porta da falência e até foi auxiliado pelo Bayern Munique. O fervor futebolístico local aliado ao maior poder do consumidor, faz com que todos os jogos do Borussia estejam esgotados, o que é uma receita considerável.

Em termos competitivos, na realidade, o Bayern Munique não tem competição alguma. O único que o fez tremer em anos recentes, como excepção à regra, foi o mesmo Borussia. Se for ver o registo de títulos na Alemanha, o clube que mais se aproxima do Bayern, cujo nome me escapa neste momento, já não o conquista há mais de 40 anos. A grande vantagem do Bayern, muito assente no seu poderio financeiro, é que pode concentrar-se quase exclusivamente nas provas europeias, porque as domésticas estão praticamente garantidas, ano após ano.

Agradeço as referências que pretendo ler mais logo, quando tiver maior disponibilidade.

Cumprimentos

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