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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Manuel Fernandes foi contratado no Verão de 1975 para substituir Hector Yazalde e logo na primeira época marcou trinta e dois golos. Faz parte de uma restrita plêiade de grandes capitães de equipa do Sporting, como foram, antes dele, Francisco Stromp, João Bentes, Torres Pereira, Serra e Moura, Jorge Vieira, Rui Araújo, Álvaro Cardoso, João Azevedo, Manuel Passos, José Travassos, Fernando Mendes, José Carlos e Vítor Damas.

Manuel Fernandes parecia que jogava a um ritmo superior ao que os seus pulmões e músculos permitiam e transmitia-nos aquilo que é intrínseco ao futebol: a ilusão. O seu futebol feito de técnica, versatilidade, intuição e oportunismo permitia-nos a ilusão de que, com ele em campo, a vitória seria possível, de que havia alguém que determinava o jogo, que não receava ter a bola e procurar o golo redentor.

No Estádio, suspendíamos a respiração quando, com o seu olhar de coragem e de orgulho, galgava metros e metros no relvado e se esgueirava dentro da grande área por entre os adversários. Ou, quando, de súbito, a bola cruzada morria-lhe no peito e ele a parava num movimento por nós já bem conhecido, e num improviso disparava a esfera feita fera. No campo escrevia poesia.

Perante os adeptos, num jogo de futebol, Manuel Fernandes exprimia vigorosamente o sentimento leonino mais forte. Ficou inesquecível quando no final do jogo com a União de Leiria, num gesto insólito de loucura e de paixão, correu sozinho de braços abertos direito à multidão que invadira o relvado, desaparecendo no meio do entusiasmo sem limites da festa da conquista do título de campeão nacional em 1979-80.

Manuel Fernandes é o segundo melhor goleador de leão ao peito (260), apenas Fernando Peyroteo marcou mais do que ele, e é o jogador com mais jogos na 1ª divisão portuguesa (486). No dérbi entre o Sporting e o Benfica disputado em 21 de Maio de 2023 subiu ao relvado para dar o pontapé inicial através de uma guarda de honra formada por antigos capitães do Clube. Estiveram no campo ou num camarote, Hilário, Carlos Xavier, Oceano, Pedro Barbosa, Iordanov, Nani, Daniel Carriço, António Oliveira, Francisco Barão, Freire, Litos e Nogueira, entre outros, que lhe ofereceram uma camisola sportinguista com o seu nome e o número 9 que sempre envergou.
Manuel Fernandes faleceu esta quinta-feira, aos 73 anos. O antigo avançado do Sporting CP e da selecção nacional estava internado há várias semanas a lutar contra uma doença muito grave. O Camarote Leonino apresenta sentidas condolências a toda a sua família.
Que o "Eterno Capitão" descanse finalmente em paz!
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ADENDA
O velório de Manuel Fernandes, glória do Desporto nacional, em particular do Sporting, terá palco no Estádio José Alvalade, este sábado: depois de uma primeira hora reservada apenas para a família, a partir das 9h30, o recinto vai abrir as portas ao público (10h30), para quem queira prestar uma última homenagem ao eterno capitão, falecido na quinta-feira, aos 73 anos.
No domingo, decorrerá a cremação, numa cerimónia apenas para os seus mais próximos.
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