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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Aos 32 anos, Adrien Silva é agora jogador do Al-Wahda e em entrevista à revista francesa Caviar recorda alguns momentos da carreira com particular destaque para o Sporting. As dificuldades e os obstáculos, como refere, fizeram-no sentir que era preciso trabalhar muito para vingar e que só talento não chegava.

Pouco tempo depois de fazer a sua estreia pela equipa principal do Sporting, aos 20 anos, Adrien Silva fou emprestado ao Maccabi Haifa, de Israel. "Foi ao mesmo tempo um momento de enorme solidão e um grande despertar enquanto homem e profissional. Em retrospetiva, foi um momento de viragem, no sentido em que percebi que ser normal não chegava. Tens de te exceder a cada dia, porque se não o fizeres no dia seguinte serás esquecido e alguém ocupará o teu lugar", diz, recordando depois o que se passou na época seguinte em que venceu a Taça de Portugal ao serviço da Académica (estava emprestado) e logo contra o Sporting.
"Não foi fácil regressar ao Sporting na época seguinte. Fui assobiado na minha própria casa, como se fosse culpa minha ter estado emprestado e ter jogado na final… As pessoas levaram um pouco a mal, mas têm de entender que sou um profissional de futebol e, onde quer que esteja, tenho de ser competitivo e jogar bem", conta.
Lembra o momento do regresso: "Fui assobiado na minha própria casa, mas eu era muito forte mentalmente, sabia bem como me reerguer. Mostrei aos adeptos que lhes pertencia e que poderia fazer o mesmo pelo Sporting. E foi isso mesmo que fiz na época seguinte, ao vencer a Taça de Portugal e a Supertaça! São coisas que acontecem, e tens de dizer presente todas as semanas. Todos os dias, a cada ano, tens de te desafiar e provar que não és um flop e que continuas lá."
O balanço do tempo que vestiu a camisola verde e branca foi muito positivo: "Vivi muitos momentos bonitos com o Sporting, mas tal como nos momentos negativos não me fui abaixo, não fiquei eufórico nos bons momentos porque sabia que tinha de continuar a mostrar que tinha lugar ali. O facto de ter passado pelo que passei ajudou a moldar a minha mentalidade."
Recorda quando começou a jogar futebol em criança no Bordéus, clube onde jogava Zinedine "uma verdadeira autoridade para todos". De França ficou grandes memórias. E por falar em referências deixa elogios a Fabio Quagliarella, que continua a marcar golos na Sampdoria aos 39 anos, mas não se fica por aqui.
"Eu tenho muitos exemplos, como o José Fonte, que joga em França. É uma posição diferente, mas a forma como ele faz a sua vida e como se cuida, esses são os pequenos segredos que te fazem durar mais tempo. É um pouco essa a mentalidade, saber como recuperar, a nutrição, todas essas coisas fazem com que uma carreira ao mais alto nível possa durar mais. Com o passar do tempo, aprendemos algumas coisas. À medida que vamos seguindo, temos de escolher o nosso caminho."
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