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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Já disse várias vezes que, como sportinguista, não tenho estados de alma sobre as eleições do Benfica, mas, tendo em conta que parece que o país está suspenso no seu desfecho – a discussão do OE pouco interessa…- não queria deixar de dar também a minha opinião.
Salvo catástrofe de última hora, que se não antecipa, Rui Costa irá vencer folgadamente a segunda volta das eleições. Com um guião discursivo prudente, repetitivo e reduzido aos mínimos, não se estica para fora de pé e beneficia de conjunção astral muito favorável.
Perante os resultados da segunda volta, ainda pensei que o efeito Mário Soares versus Freitas do Amaral das presidenciais de 1986, pudesse ser replicado, proporcionando uma vitória a Noronha Lopes, que agregaria os votos dos restantes candidatos.
Só que João Diogo Manteigas, com as muitas reservas que verbalizou ao projecto de Noronha Lopes, deitou tudo a perder, não sendo expectável que os seus votantes se sintam minimamente motivados a votar neste.
Já vi muitas explicações para este gesto, digno das maiores subtilezas florentinas, mas, para mim, é claro o propósito. Manteigas quer que Rui Costa seja eleito, porque, a prazo, é aquele candidato que tem mais hipóteses de derrubar e ir novamente a jogo. O mais do mesmo é mais seguro do que uma incógnita que pode correr bem.
É o verdadeiro abraço do urso, amigável na aparência, letal na realidade.
Quanto à perplexidade que causa a votação massiva em alguém cujos dotes de precioso gestor, comunicador e vencedor se não revelaram exuberantemente durante o mandato, a resposta é também simples. Prevaleceu o efeito Mourinho, que funcionou, na prática como o maior angariador de votos para a candidatura do incumbente.
Mourinho encaixa na perfeição na cultura de megalomania tão arreigada na Luz; ter um treinador de classe mundial e as atenções do mundo mediático satisfaz o ego, mesmo que não ganhe grande coisa.
"Como dizia de Gaulle, não é preciso a verdade, importa é dar esperança!"
Texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz
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