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O banco do FC Porto

Rui Gomes, em 22.01.21

21105016_F4Vcq.pngProvavelmente, ele esteve sempre lá, só que, com o normal barulho da multidão, passava muito mais despercebido, salvo uma ou outra acção disciplinar. Agora com o silêncio da Covid, esta singular realidade aparece em todo o seu esplendor, acessível ao ouvido, mesmo pouco atento, do telespectador, porque tal é a intensidade dos seus decibéis, que dificilmente passa despercebida.

E não é só a expressão verbal, é também a coreografia que os seus membros ensaiam, cada vez que se levantam do banco e pretendem exteriorizar o seu desagrado. É um movimento colectivo e sincrónico, que culmina com gestos dirigidos contra o motivo da sua frustração, normalmente a equipa de arbitragem, mas também jogadores adversários. A agressividade imanente de gestos e palavras só tem paralelo nas danças guerreiras do ‘Haka’, que os raguebistas neozelandeses exibem antes dos seus jogos.

Ironia à parte, esta prática recorrente do banco do Porto, que inclui sem distinção todos os seus elementos integrantes, desde o treinador, adjuntos, delegado, médico, massagista, roupeiro e suplentes, é preocupante. Porque não se trata da expressão genuína, se bem que descontrolada, de emoções, outrossim um premeditado exercício de constrangimento e intimidação, dirigido sobretudo à equipa de arbitragem.

Screenshot (560).png

Na prática, é como se houvesse uma equipa paralela de arbitragem, que procura comandar todas as decisões de fora para dentro e que tem o seu clímax quando exige cartões ou nos momentos em que o árbitro de campo visiona o monitor, por indicação do VAR.

Deve ser realmente penoso, para qualquer árbitro, estar a levar com aquela matraca o jogo todo, que reclama por tudo e por nada e, claro está, não poupa nos coloridos mimos verbais que agora vamos ouvindo.

Estarão longe as peitadas do Jorge Costa no António Rola, ou a perseguição do Paulinho Santos a José Prata, mas o espírito, esse, está presente e é o mesmo, ou seja condicionar os árbitros.

E faz bem parte desta mise-en-scène a vitimização, quando qualquer árbitro, exasperado, os admoesta ou expulsa, e que até dá jeito como manobra de diversão quando a equipa não ganha.

O banco do Porto há muito que deixou de ser uma questão disciplinar, porque, à imagem do seu treinador, é sobretudo uma questão de falta de fair play, e para isso não há cartões.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 02:33

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9 comentários

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De Julius Coelho a 22.01.2021 às 10:54

Nao temos a memória curta, nâo faz assim tanto tempo o banco do Benfica dos treinadores Jorge Jesus e Rui Vitoria praticavam exactamente a mesma estratégia, em cada lance saltavam todos em simultâneio como se tivessem uma mola nas cadeiras fazendo barulho e pressionando o 4º arbitro.

Tudo o que lá acontece óbviamente que nâo é por acaso, é ensaiado e tem o claro objectivo de influenciar as decisôes do arbitro sejam faltas, lançamentos da linha lateral, cartôes....

O banco do Porto sempre teve estas açôes e que raramente sâo sancionadas ou delatadas pelo 4º arbitro.

Muito curioso que só houve um período de preocupaçâo do presidente dos arbitros sobre estas açôes nos bancos foi quando o JJ entrou como treinador do Sporting, nao era permito um "ai" ou um "ui" sem haver rapida reaçâo do arbitro a castigar com cartôes.
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De Rui Gomes a 22.01.2021 às 13:18

O facto de não ser novidade não perturba menos!
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De Greenlight a 22.01.2021 às 11:08

Texto muito bem escrito por Carlos B. Cruz. É isso sem tirar nem pôr. Se os árbitros tivessem coragem, Conceição e os seus "pacíficos" adjuntos seriam expulsos em quase todos os jogos.
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De Luísa de Sousa a 22.01.2021 às 12:19

Falta de fair play, isso sim e má educação!


Beijinhos Rui
Feliz Dia
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De José de Viseu a 22.01.2021 às 17:15

Quando perdem os portistas, cacarejam como as galinhas, quando o galo as "gala". Quando ganham comportam como as raposas quando comem as galinhas e os galos...
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De Carlinha MR a 22.01.2021 às 21:34

O Dr. Barbosa da Cruz tem todo o meu respeito!
Descreve aqui o que todos ouvem nas transmissões! Mesmo assim, o Sãozinho vitimiza-se sempre que perde! Bateu palmas ao árbitro, desafiou e a meu ver, devia ter sido expulso!
Gente assim, não devia estar no desporto!

SL
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De Rui Gomes a 22.01.2021 às 22:11

O árbitro virou-lhe as costas para não o expulsar.

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