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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Deveras truculenta é a memória, nesta circunstância congeminada pela Liga dos Campeões não tinha como não o ser. Ao obrigar o Sporting a rebobinar a bobina até ao tipo de recordação que se enxota para um qualquer cubículo, empurrando-o para o lugar onde, em 2009, conheceu as trevas do futebol europeu, a prova das provas estipulou o enfrentar de um trauma. Sem um jogador que sobre do açoitamento, por 7-1, de há dezasseis anos, quis o fado que o regresso a Munique fosse ainda mais ardiloso com as lesões de Pote, Trincão e Quenda, fora a mazela de Gonçalo Inácio.
Sem os mais habilitados atacantes para inventarem engenhos com a bola lá à frente, nem o defesa com pé mais amigo para os primeiros passes saídos lá de trás, o meio-termo de Rui Borges na maldita Allianz Arena foi assentar a equipa em três centrais, pôr o pulmão jovem de João Simões ao lado de Hjulmand e dar um mundo novo a Alisson, que em maio estava na 2ª divisão portuguesa. Encolhidos num bloco baixo, cedo os leões se colocavam uns aos outros, todos a defender contra o Bayern maquinal a fazer andar a bola, a preencher o meio-campo contrário com pequenos passes, pequenos toques, pequenas triangulações rápidas.
Regressado ao sítio onde o Sporting se recorda de ser infelicíssimo, conseguiu ter momentos felizes, não muitos, uns quantos, talvez os suficientes para, mesmo com as ausências que lhes reduziram o alcance em Munique, possam em Lisboa ter outra hostilidade futebolística para o tubarão seguinte: na próxima jornada recebem o campeão europeu, Paris Saint-Germain. Sem traumas, nem fantasmas de goleadas passadas.
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