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O Boletim do Sporting Club de Portugal

Leão Zargo, em 31.03.20

Boletim Sporting CP 22.3.1922.jpeg

Em 31 de Março de 1922 foi publicado o primeiro “Boletim do Sporting Club de Portugal”, com a periodicidade quinzenal. Inicialmente tinha oito páginas no formato de 20x28, com o pagamento facultativo de 2$00 semestrais. Trata-se do mais antigo periódico europeu de um clube desportivo. A convicção da absoluta necessidade de um órgão informativo do Clube nasceu numa tertúlia no Café Martinho, em Lisboa, onde se destacavam Mendes Leal, José Serrano e Júlio Araújo, entre outros.

O aprofundamento do espírito leonino, a defesa dos interesses do Clube e a circulação da informação seriam alguns dos objectivos iniciais e “Razão de ser” foi o sintomático título do primeiro editorial. Depois, inúmeras gerações de sportinguistas consolidaram a sua paixão e o seu querer através da leitura das narrativas escritas nas páginas do Boletim. No período inicial teve como competidor o “Sport de Lisboa”, pertença dos vizinhos e rivais de sempre, que depois se extinguiu.

Na década de 1940, o Boletim do Sporting publicava-se regularmente e já tinha alcançado invulgar difusão entre os adeptos leoninos, transformando-se em jornal a partir de Junho de 1952.

publicado às 08:51

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9 comentários

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De ChakraIndigo a 31.03.2020 às 21:19

Caro Leão Zargo,
Segundo a sua interpretação, o Jornal Sporting é então uma continuação do Boletim do Clube?

É que já surgiu em debate esta questão, e eu não consegui encontrar um editorial que justifique essa continuidade, ou alguma menção no Jornal Sporting (nessa data).
Sei que o Jornal actual menciona como data de fundação a do Boletim do Clube.

O Benfica, apesar de ter um Boletim fundado em 1928 ou 1927 (estou a escrever de cor), considera que o Jornal, que foi fundado em 1942, é o mais antigo desportivo a circular em Portugal, o que colide com a informação do Sporting, que atribui ao Jornal Sporting essa antiguidade.

Confesso que apesar de me interessar pela história do vosso clube, também não me leva a investigar tão a fundo

Eu sei que isto são "guerrinhas de alecrim e manjerona", mas se tiver essa informação e a quiser partilhar agradeço.

Saude e Paz
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De ChakraIndigo a 31.03.2020 às 22:05

Escrevi de cor, mas depois fui verificar de novo.

A 1ª publicação do Benfica, "O Sport Lisboa", é de 24 Agosto de 1913".

Segue abaixo um resumo das publicações do clube.
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De ChakraIndigo a 31.03.2020 às 21:56

A história das publicações do Benfica é muita extensa, e elas foram surgindo com variadas justificações

1- 24 Agosto de 1913 - "O Sport Lisboa" - semanal, em que o Benfica afirmava no 1º numero que "...seria um baluarte para a defesa comum dos desportos portugueses...", e onde eram divulgados muitas noticias abrangentes. Surgiu para dar resposta à crescente má-fé para com o futebol, que era marginalizado pela imprensa da época. No 1º numero, Cosme Damião, Felix Bermudes e Ribeiro dos Reis, escreveram várias peças.

2- 6 Março 1915 - "O Sport de Lisboa" - o anterior titulo funde-se com "O Jornal de Sport", assumindo este novo titulo, e a sua continuidade com o nº82. Era uma publicação menos dependente e mais pluralista. A sua ultima publicação ocorreu em 27 Maio 1932, em parte devido ao surgimento de outras publicações como "Os Sports".

3- de 1927a 1937 o Benfica publicava o Boletim Oficial do SLB, onde divulgava os seus relatórios e Contas, que depois passou a publicação autónoma.

4- 28 Novembro 1942 - Jornal "O Benfica", vendido por 500 reis (5 tostões), surge da necessidade que o clube sentiu de maior divulgação do clube, por se sentir ostracizado pela generalidade das publicações à época, que valorizavam os títulos dos outros clubes. O seu 1º director foi José Magalhaes Godinho, reconhecido anti-fascista e com ficha de subversivo na PIDE. Foi preso 4 vezes, duas nos anos 30, e duas nos anos 40. Por isso me rio sempre quando falam do clube do regime (mas isso não vem ao caso).

Lembro-me de ter escrito um post sobre Cândido de Oliveira, e o prefácio do livro é da autoria precisamente de Godinho, onde exalta a veia de perseguido pelo regime, de Cândido de Oliveira. Irmãos de Armas.

Muito mais haveria a dizer, mas deixo estes dados para conhecimento, pois sei que se interessa por estes temas.
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De Leão Zargo a 01.04.2020 às 16:01

José Magalhães Godinho foi um dos advogados mais corajosos que defenderam presos políticos no Tribunal Plenário da Boa-Hora. Era preciso ter coragem e nervos de aço.

Sim, "Tarrafal, o pântano da morte" só foi editado em 1974, e com um nota prévia Magalhães Godinho. A capa foi desenhada por um grande artista, o Stuart de Carvalhais.
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De Leão Zargo a 01.04.2020 às 15:29

Caro ChakraIndigo

Na minha opinião, há alguma diferença entre o boletim/jornal do Sporting e o jornal do Sport Lisboa e, posteriormente, o jornal do Benfica.

No caso do Sporting verificou-se continuidade na publicação do Boletim fundado em 1922, que adoptou um novo formato informativo e de número de páginas, adoptando a designação de jornal do Sporting. Não se verificou interrupção.

No caso do Benfica verificou-se essa descontinuidade que refere. De facto, o jornal Sport Lisboa criado em 1913 dois anos depois juntou-se ao jornal Sport passando a chamar-se Sport de Lisboa. Aliás, os assinantes do jornal Sport receberam a informação que iriam receber um "semanário novo" com a designação de Sport de Lisboa, apesar de se verificar continuidade na numeração. Este jornal saiu até 1932.

O Benfica teve um Boletim Oficial entre 1927 e 1937. O jornal Sport Lisboa e Benfica começou a ser publicado em 1942.

Quando o Sporting afirma que o seu jornal é o mais antigo periódico europeu de um clube desportivo baseia-se na continuidade de um e na descontinuidade de outro.

Saudações desportivas (e muito cordiais!)
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De ChakraIndigo a 01.04.2020 às 16:57

Se assim é, e o jornal assumiu essa continuidade, parece-me que pode ser considerada a mesma publicação com denominação diferente.

Curiosamente até é uma situação algo semelhante à questão (que não o é para os benfiquistas) da data de fundação do Benfica.

O que é certo, é que ambos os clubes dão como informação aos sócios, que se trata da mais antiga publicação desportiva de um clube português, considerando o Benfica que o Jornal tem a data de fundação de 1942, e a do Sporting 1952.

Do que me lembro, é que o Boletim do Sporting foi interrompido varias vezes, por diversas dificuldades, e teve várias edições com inicio no numero 1, e quando passou a semanário, com a denominação de Jornal Sporting, esta assumiu o nº1 e até hoje, apesar de algumas interrupções ocasionais, sempre deu sequência à numeração.

É uma curiosidade apenas. Já faz parte da história do desporto em Portugal.

Saúde e Paz
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De Leão Zargo a 01.04.2020 às 15:44

ChakraIndigo, concordo consigo no que refere a essa questão do "clube do regime". No Estado Novo não houve o chamado “clube do regime”. Aliás, até à década de 1940, o regime mantinha com o futebol uma relação de notável ambiguidade e cinismo. Não se considerava o futebol como a modalidade desportiva capaz de regenerar a condição física e moldar o carácter dos portugueses. A ginástica, a vela, o remo ou o atletismo desempenhariam muito melhor esse papel, e eram as modalidades que a FNAT e a Mocidade Portuguesa privilegiavam.

Salazar detestava o futebol e desprezava os futebolistas. Ser futebolista não era considerado uma profissão, essa actividade não se enquadrava no conceito de sociedade do Estado Novo

Após a 2ª Guerra Mundial, a crescente popularidade de futebol e a cultura de massas, a sua importância social e económica, o crescimento urbano e a mudança das mentalidades colocaram o desporto-rei na agenda das reformas urgentes. Verifica-se então na Assembleia Nacional intervenções de deputados e aprovação de legislação como era característico de um Estado altamente hierarquizado, centralizador e disciplinador.

Nos anos 60 verificou-se uma nova realidade política com a guerra colonial. A equipa do Benfica vencedora e multirracial tornou-se bastante conveniente para o discurso do regime, principalmente de um ponto de vista externo por causa da pressão que se verificava na ONU. Foi por estratégia oportunista mais do que por outra razão.
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De ChakraIndigo a 01.04.2020 às 16:41

Caro Leão Zargo

embora partilhe consigo esta visão, tenho para mim (condicionado pela minha visão algo maniqueísta, reconheço, acerca do clube do Porto), que o FCPorto foi ele sim, o clube do regime.
Foi o clube que teve a atribuição de utilidade publica desportiva mais cedo de entre os grandes, cerca de 20 anos antes, com as respectivas benesses do Estado, bem como é conhecida a ligação de presidentes e outros elementos dos corpos sociais com o regime, de forma directa.
Também foi amplamente beneficiada pelo Estado, e nomeadamente pelo Ministério das Obras Publicas, cujo ministro era um fervoroso adepto portista, e que tudo fez ( leia-se, tudo expropriou e ofereceu) para beneficiar o seu clube.

De qualquer forma, para mim é uma mera discussão académica, sem impacto no momento actual dos clubes, ao contrário da tese de arrivista de Pinto da Costa, que promove esta sua verdade à exaustão, tendo infelizmente esta mentira infame passado a constar dos mitos do futebol português.

Na Alemanha, por exemplo, conhecem-se bem as ligações do Schalke04 ao regime nazi, através do seu ministro da propaganda, Goebells, ao contrário de Bayern e BDortmund, com fortes ligações à comunidade judaica.
No entanto, apesar de 6 dos 7 títulos do Schalke terem sido conquistados na era nazi, este clube tem lutado contra essa ligação, porque interpreta que foi, isso sim, o regime nazi a aproveitar-se do seu sucesso para promoção do seu sistema politico.
O Schalke era conhecido como o clube dos arianos.

Já divaguei,

Saúde e Paz.
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De Leão Zargo a 02.04.2020 às 21:34

Caro ChakraIndigo

Nem no caso do FC Porto e da construção do Estádio das Antas podemos concluir sobre a questão do clube do regime, que na realidade não houve. O Porto beneficiou de uma conjugação de dois factores:

- O Salgueiros caiu em desgraça perante o regime político na sequência do célebre comício de apoio à candidatura de Norton de Matos no Campo Vidal Pinheiro em 1949;

- José Frederico Ulrich, o ministro das Obras Públicas, praticou atletismo e era adepto do Porto. O ministro fez com que o clube beneficiasse de substanciais contribuições do governo, da Câmara Municipal do Porto e do Fundo do Desemprego. Depois, em Março de 1952, numa situação de aperto, o ministro adicionou 500 contos à verba estatal que já tinha concedido.

Mas, isto revela uma situação que era frequente no Estado Novo: cada clube procurava através de ministros amigos determinadas concessões e facilidades, que no caso dos estádios envolviam dinheiro (muito dinheiro), terrenos e resolução de questões administrativas.

O caso da Alemanha é diferente, sem dúvida, com o Schalke que beneficiou do regime nazi enquanto que, por exemplo, o Bayern Munique foi sempre encarado como suspeito por causa do presidente, o judeu alemão Kurt Landauer, e do apoio ao clube pelos membros da comunidade judaica de Munique.

Paz e saúde, pois claro!

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