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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Sou por natureza calmo e moderado. O que aqui escrevo é assente em muita ponderação, evitando estados de espírito radicais e agressivos, mas hoje passei-me. Quem nunca teve um dia mau que atire a primeira pedra.
Desde o clássico do Dragão, que vejo na comunicação social falada, análises a esse jogo, o que é normal, dada a proliferação de programas desportivos nas televisões, especialmente nos canais da Média Livre. É verdade que poderia não ver, mas não podemos meter a cabeça na areia.
As análises aos jogos são normais, embora me pareçam exageradas. Neste caso, desde o jogo nas Antas que a frase mais batida é “os treinadores foram medrosos”. Opiniões valem o que valem e passo à frente, mas o que mais me tem tirado do sério é que esta frase e outras similares, têm sido usadas até à exaustão todos os dias, como se fosse crime, e começa a provocar náusea.
Sendo verdade que o jogo foi muito táctico e que o objectivo geral foi evitar, em primeiro lugar não perder, não entendo a insistência, como se este fosse o único jogo em que isso aconteceu. Passa-se em todos os jogos, sobretudo entre os ditos grandes e os pequenos que colocam a sua equipa dentro da área. E como é que o Sporting ganhou ao poderoso PSG? Foi jogando de peito feito? E que treinador nunca jogou para não perder?

O medo não é um pecado, é uma atitude de defesa. Neste caso concreto, parece-me mais correcto chamar-lhe moderação. Com todo o respeito pelo jornalismo, parece-me exagerada esta insistência, colocando no cadafalso dois treinadores, quando todos fazem o mesmo. Depende das circunstâncias.
Na minha perspectiva, o futebol pode ser um espetáculo, mas hoje é sobretudo um negócio. O que define uma boa equipa é a que ganha mais e conquista títulos. Se aos resultados acrescentar boas exibições, melhor. Mas não é o fundamental. Um treinador sobrevive a jogos sem nota artística, mas não sobrevive a maus resultados. Esta é a realidade nua e crua do futebol actual. Os adeptos em geral querem títulos, sejam ou não com boas exibições.
Considero que esta atitude de treinadores de televisão, sentados em cadeiras fofinhas à frente de um ecrã, desrespeita o trabalho de quem está dentro das quatro linhas, dos que correm quilómetros, que sofrem lesões à chuva e ao sol. E desrespeitam os técnicos que definem as estratégias e que estão sempre na corda bamba. A acção de um técnico é real, é dura e é difícil. Não se estrutura em palavras levadas pelo vento.
Também gosto de ver um jogo espectacular, mas se no fim o meu clube perder, o que sobra é a desilusão. Entendo os comentadores e as sua opiniões livres, mas não entendo que quase uma semana depois, todos os dias, todas as horas, carreguem na tecla da teimosia, criando bodes expiatórios. Cansei-me e passei-me, pelo menos uma vez, sem hipóteses, mas com vontade de contestar esses opinadores, que ganham a vida à conta dos protagonistas do futebol.
Amigo Nação Valente
Um jogo de futebol vai muito para além daquilo que nós, adeptos, e jornalistas observamos. O que o determina, antes de mais, são os jogadores com as suas capacidades e complementaridades, o ambiente motivacional e as expetativas internas e externas que recaem sobre eles. O treinador é o instrumento que põe em campo um conjunto de orientações e dinâmicas que os jogadores interpretam.
No futebol, o medo de perder é como um iceberg, visível para todos, que é realmente muito grande. A dignidade de jogar bem, de não ter medo, está cada vez mais extinta no futebol, que se tornou no tal negócio que refere. Ainda por cima, os adeptos, em geral, o que querem é que a sua equipa ganhe. Por alguma razão, costuma-se dizer que as “finais não são para se jogar (bem), são para se ganhar”. Mas, isto acaba por ser válido para todos os jogos em geral. Princípio básico: não ser derrotado!
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