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Um recente post do Camarote Leonino caracterizava, de forma esquemática, a composição actual do plantel leonino, composto por 24 jogadores e onde se incluem dois jovens que vão estar entre as equipas A e B, e abordava o facto do número de jogadores disponíveis poder ser curto para a necessária competitividade em todas as frentes.

Em relação a esta questão, já são muitíssimo bem conhecidas as ideias de Rúben Amorim, nomeadamente na forma como deseja apenas dois jogadores por posição de modo a todos sentirem que podem ser titulares. O próprio já publicamente assumiu ser uma decisão de risco mas totalmente consciente.

Ao contrário da época passada, o Sporting, pelo menos até à pausa do Natal, apresenta uma densidade competitiva muito mais acentuada, consequência da participação numa competição com um nível de permanente exigência como a Liga dos Campeões. Neste contexto, e tendo por base a opção de Rúben Amorim, torna-se evidente que todos os jogadores do actual plantel têm mesmo de estar preparados para serem titulares, uma vez que a densidade competitiva vai exigir intersubstituições de forma a, não só preservar a saúde física dos atletas, como diminuir a probabilidade de lesões e o desgaste físico que, lá para o último terço da época, podem ser fatais para as aspirações da equipa.

rubenamorim3.jpg

Para melhor compreender a necessidade dessas eventuais alterações traduz-se em seguida a realidade competitiva da equipa do Sporting até à pausa natalícia, a qual implica a disputa de 20 jogos (21 se passar à 4ª eliminatória da Taça de Portugal) em 80 dias, o que dará uma média de 1 jogo a cada 4 dias. Em função da concentração de jogos pode-se dividir esta etapa em quatro períodos.

O primeiro de 11/09 a 02/10 (22 dias) e que inclui os jogos com o Porto (em Alvalade-A), Ajax (fora-F), Estoril (F), Marítimo (A), Dortmund (F) e Arouca (F), implicando a disputa, em média, de 1 jogo a cada 3,6 dias.

O segundo de 17/10 a 07/11 (22 dias) com os jogos da Taça de Portugal, Besiktas (F), Moreirense (A), Famalicão (A) para a Taça da Liga, Guimarães (A), Besiktas (A) e Paços de Ferreira (F), e que implicará a disputa de 1 jogo a cada 3,14 dias em média.

O terceiro de 24/11 a 07/12 (14 dias), contendo os jogos com o Dortmund (A), Tondela (A), Benfica (F) e Ajax (F) e que levará à disputa média de 1 jogo a cada 3,5 dias.

O quarto e último período de 12 a 19 de Dezembro, extensível até ao dia 21 no caso do Sporting ser apurado para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal, que inclui os jogos com o Boavista (A), Penafiel (F) para a Taça da Liga, Gil Vicente (F) e eventualmente o jogo da 4ª eliminatória da Taça de Portugal, implicando a disputa, em média, de 1 jogo a cada 2,67 dias (ou a cada 2 dias se jogar a eliminatória da Taça de Portugal).

Salienta-se que as pausas verificadas entre alguns destes períodos não permitem completo descanso competitivo, uma vez que serão ocupadas por jogos de selecções nacionais e onde alguns jogadores do Sporting CP certamente marcarão presença. Convém também realçar que, teoricamente, o nível de dificuldade competitiva não é igual em todos os períodos, destacando-se muito maior dificuldade dos primeiro e terceiro períodos onde a Sporting disputa os dois clássicos, os quais antecedem os dois compromissos com o Ajax, jogos que serão, provavelmente, de vital importância para as aspirações do Sporting na Liga dos Campeões.

Ao descrever-se este quadro competitivo do Sporting procurou-se, na medida do possível, objectivar uma realidade que futuramente justificará, por parte da equipa técnica, opções e alterações relativamente aos titulares mais efectivos, as quais, com um elevado grau de probabilidade, serão consideradas imprescindíveis na manutenção de um saudável e necessário equilíbrio entre as legítimas aspirações desportivas e a saúde física do plantel. Convém ainda ter em conta que algumas das esperadas decisões poderão ser influenciadas por factores não previsíveis, nomeadamente lesões ou castigos.

Se há algo que caracteriza Rúben Amorim como treinador são as suas fortes convicções, e a forma como construiu o actual plantel, apoiado numa confiança total em todos os seus jogadores e na possibilidade de os utilizar mediante qualquer necessidade, é certamente demonstrativa dessas convicções. Esperemos que a realidade valide as suas ideias e que a sorte o proteja de indesejáveis infortúnios.

publicado às 03:03

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16 comentários

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De SP a 10.09.2021 às 08:26

Bom dia Leão do Norte,

Esta questão de ter uma “realidade competitiva” para mim é efetivamente uma questão fulcral no sucesso de uma equipa.

Faz me recordar uma conversa que tive em tempos com um grande amigo portista com conhecimento de causa nos tempos em que FCP limpava tudo, em que retirando a questão das arbitragens ele dizia me que o grande segredo do FCP era a tal “realidade competitiva” que existia no seio da equipa, os jogadores sabiam que se treinassem pior, se jogassem pior, se falhassem, teriam o lugar em risco, o que logo ai fazia com que treinassem e jogassem nos limites com o máximo de foco no jogo … o banco estaria sempre ao virar da esquina!

Serão muitos jogos é certo mas convém tb ter a noção que na realidade não temos 2 jogadores por posição, dada a polivalência de vários jogadores muitas vezes em algumas posições teremos 2 ou mesmo 3 possíveis alternativas, a minha maior preocupação (e de todos nós penso eu) é a posição de PL, onde o Paulinho ainda não conseguiu nos sossegar a todos como sendo o nosso matador.

O RA com toda a sua inteligência, paixão e entrega a este nosso clube consegue juntar ainda um verdadeiro balneário unido e coeso ... outro fator determinante no sucesso atual e futuro no nosso clube.

Parabéns pelo seu excelente post!

SL,
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 09:59

Bom dia caro SP,

Agradeço as suas gentis palavras acerca do post.
Subscrevo as considerações que faz em relação à "realidade competitiva". Uma realidade competitiva permanentemente exigente é a base para um sucesso contínuo e o segredo para o sucesso de muitos clubes. Em momento algum se pode abdicar desta realidade sob pena de tornar o sucesso em algo apenas episódico.
Penso que a polivalência do plantel é um dos pontos da confiança do Rúben Amorim para enfrentar as exigências. Eu, tal como quase todos os sportinguistas, também confio nas suas qualidades e na sua elevada capacidade para nos continuar a conduzir no trilho do sucesso.

Um abraço e SL
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De Leão Zargo a 10.09.2021 às 09:40

Caro amigo Leão do Norte

Na verdade, Rúben Amorim esta época está confrontado com um desafio de tipo diferente relativamente ao ano passado. Gerir da melhor maneira "essa exigência" competitiva que refere. Utilizando a imagem de uma escada, diria que ele alcançou um novo patamar de uma longa escadaria. Acredito que ele está preparado para este novo desafio.
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 10:12

Bom dia caro amigo Leão Zargo,
É inegável que este ano o Sporting, e por consequência Rúben Amorim, está confrontando com outro nível de exigência competitiva.
Utilizando a sua imagem da escada, o Rúben Amorim está destinado a subir até ao topo e não será este patamar que atrapalhará esse percurso.
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De Schmeichel a 10.09.2021 às 11:49

Existem aqui duas observações a fazer:

1- a dita exigência competitiva deveria ser o normal num clube como o Sporting, jogar campeonato e Europa é o normal, o que não é normal foi o que aconteceu o ano passado onde não havia competições europeias. Como é evidente haverá mais jogos e portanto menos tempo para treinar, mas isto é o normal numa equipa de topo.

2- sobre o numero de jogadores no plantel, neste caso concordo com a estratégia do Amorim de ter um reduzido numero, neste caso 24 jogadores, sendo em casos pontuais incrementado com jovens da formação. É preferível ter menos jogadores mas estes estarem melhor fisicamente do que ter um plantel muito extenso onde muitos nem convocados são.
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 12:19

Schmeichel,
O que se pretende é contextualizar a realidade competitiva e não lamentar essa realidade. É obviamente uma realidade que tem de ser o normal num clube como o Sporting.
A dimensão do plantel é reveladora da confiança que o Rúben Amorim deposita em todos os jogadores, sem excepções. Algo que muitas vezes os adeptos não entendem.
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De Paulo SCP a 10.09.2021 às 11:56

E agora é apoiarmos a equipa sempre, e se possível no estádio.

Esta 4ªFeira lá estarei para o regresso da Champions a Alvalade, com o jogo vs Ajax a afigurar-se um desafio tão ou mais dificil que o deste sábado vs FC Porto.
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 12:23

Paulo SCP,
A elevada densidade e exigência competitivas também implica um redobrado apoio da massa adepta. A começar já pelos próximos dois jogos que são de elevada importância.
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De Naçao Valente a 10.09.2021 às 13:02

Caro amigo Leão do Norte,

O apertado calendário competitivo, que descreve, é, ao mesmo tempo, um desafio e uma prova de maturidade. A equipa vai ser sujeita a jogos de elevado grau de dificuldade. Com um plantel com muita juventude e talvez menos experiência tem de se superar pela garra. No entanto, temos de considerar que o futebol está cheio de imponderáveis, e que não se pode considerar que somos invencíveis. Temos que manter a serenidade no apoio à equipa, e esperar que a "estrelinha" sempre nos acompanhe.
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 13:34

Caro amigo Nação Valente,
O apertado calendário é a desejada consequência do nosso esforço e sucesso na época passada.
A forma como conseguirmos queimar etapas ao nível da maturidade vai ser crucial para uma resposta eficaz a esta realidade.
Até lá, e como escreve, temos de ter garra e esperar que a "estrelinha" nos acompanhe.
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De Manuel Beites a 10.09.2021 às 16:27

Caro Leão do Norte.
Bem sei que é bater na mesma tecla...mas as premonições menos optimistas vão-se plasmando.
O Coates meio empenado, sendo pouco conjecturável a sua prestação contínua de três em três dias...sem contar com os catigos como o que deve pagar já contra o Ajax.
O Fedal anda preso por arames e não vai ter fõlego para semelhante empresa.
O Neto vai cumprindo.
O Mateus Nunes é um remendo.
Rezemos para que o Inácio não seja presenteado com cartolinas a torto e a direito...e não se magoe...
De facto o Ruben Amorim esticou a corda.
Para uma temporada desta exigência haveria de, pelo menos contratar um bom defesa central...pelo menos um!
Saudações Leoninas
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 17:04

Caro Manuel Beites,
Em relação à constituição do plantel a única posição que eu teria reforçado e em que, na minha perspectiva, o Rúben Amorim arriscou bastante foi a de defesa central.
Nesta posição Feddal é o que mais me preocupa, especialmente no aspecto físico.
Coates tem uma adaptação à posição que lhe permite "defender-se" e gerir o desgaste físico e julgo que, se nada de anormal lhe acontecer, vai dar conta do recado na maioria das situações. E é um facto que necessitamos de um Gonçalo Inácio "maduro" para não cair no engodo de cometer faltas desnecessárias e levar cartões em série.
Mas são conhecidas as "exigências" de Rúben Amorim no que respeita a contratações. Se não preencher todas as suas necessidades prefere não contratar ninguém. E certamente foi o que aconteceu.
Será que o Matheus que estava a referir-se como um remendo era o Reis? Julgo que ninguém considera o Nunes um remendo.

Saudações Leoninas
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De Manuel Beites a 10.09.2021 às 17:10

Sim...Leão do Norte, obrigado pale correcção.
Queria, efectivamente, referir-me ao Matheus Reis.
De resto, espero que a corda não ceda até Janeiro.
Tudo de bom.
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 17:26

Perfeitamente compreensivel dada a forma como no Sporting associamos o nome Matheus ao Nunes.
Todos esperamos que a corda não ceda até Janeiro e que nesse período o Rúben Amorim seja o "Lidador" que nos leve pelo caminho das vitórias!
Uma abraço e tudo de bom também.
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De Manuel Beites a 10.09.2021 às 18:23

Ainda a propósito do Ruben Amorim.
Pode até parecer uma casualidade, mas não é.
Este jovem não dá ponto sem nó.
O nosso plantel encontra-se num patamar em que a comunicação, e afinidades lhe permitem uma fácil comunicação entre si e com a estrutura.
Já reparam que no balneário se fala português e espanhol...às vezes portunhol... mas sempre numa linguagem horizontal?
Além da língua e, quiçá mesmo mais importante, são os lugares comuns derivados do tipo de civilizações tão similares de onde provêm os jogadores.
Resultado. A camaradagem torna-se mais fluida e evitam-se grupos e grulinhos.
Convicto de que tudo foi preparado e previsto, só tenho que lhe tirar o chapéu.
Saudações Leoninas
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De Leão do Norte a 10.09.2021 às 18:53

Ruben Amorim é um treinador que já revelou perceber que para atingir o sucesso uma equipa necessita de um conjunto de factores que vão muito para além dos aspectos técnico-tácticos. Daí não descurar nenhum aspecto, por pouco relevante que pareça.
Rúben Amorim, não só é um extraordinário comunicador para fora, como o é certamente para dentro. Ainda há poucos dias um ex-jogador seu dizia numa entrevista que "Amorim tem uma capacidade de comunicação incrível".
Essa sua qualidade é tanto mais potenciada quanto mais fácil e mais homogénea for a comunicação linguística. Daí também esse possível cuidado.

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