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O fair-play é uma treta

Rui Gomes, em 18.09.21

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngJorge Jesus não tinha razão quando disse que o fairplay era uma treta. Teria razão para dizer agora que o fairplay financeiro é uma treta. Ainda não foi nesta jornada inaugural da Champions que se fez a prova plena do desequilíbrio introduzido no futebol pelos clubes financiados pelos petrodólares do Qatar e de outros emirados árabes onde os direitos humanos são a mais pura das tretas.

Desde logo porque o trio milionário feito por Mbappé, Messi e Neymar foi incapaz de cilindrar o muito modesto Brugge. Ou porque o também milionário Atlético Madrid não conseguiu ganhar a um bravíssimo FCPorto, onde continua a abismar o talento mas, sobretudo, a garra, entrega e determinação de todos, de jogadores a treinador. Mas que vamos a caminho de uma espécie de Liga dos Milionários fáctica, reduzida a meia dúzia de clubes, restam poucas dúvidas.

Mesmo por cá, o grande desequilíbrio do dinheiro vai deixando os seus traços. O Sporting claudicou perante o Ajax e poderia ter evitado a goleada se tivesse armado o autocarro em frente à baliza. Optou pela aventura romântica de jogar o jogo-pelo-jogo até ao fim, de querer contrariar a dinâmica dos acontecimentos pela generosidade do esforço físico e pela superação da vontade. Falhou rotundamente e deve retirar as devidas ilacções.

Sobretudo, duas: como gerir um plantel inegavelmente muito curto de opções, como é bem evidenciado pela fatídica conjugação de lesões e castigos; como ultrapassar a dura realidade de ter perdido um jogador, João Mário, que custaria ao clube mais do que todo o meio-campo do Sporting. E se a primeira questão já abre a porta grande para o problema financeiro, a segunda demonstra claramente que, também por cá, fairplay-financeiro é uma boa treta.

Sobra, por fim, uma terceira questão que emerge das outras duas. Até que ponto vai o Sporting aguentar a pressão, no campeonato nacional, de ter um plantel pequeno, limitado e barato, assente em grande parte na formação, que funcionou o ano passado num quadro competitivo diverso e numa ruptura com o modelo de negócio clássico, marcado pelo irrealismo financeiro?! Principalmente, perante adversários que gastaram muito mais ou que aguentam plantéis mais caros mas muito mais diversificados nas soluções. É que se o fairplay financeiro ainda não é uma treta, cá pelo burgo, anda lá muito perto.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, em Record

publicado às 03:02

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8 comentários

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De Geraldes CB a 18.09.2021 às 04:14

Li já não sei onde algo muito interessante e engraçado: Messi, Neymar e Mbappé precisam de alugar um táxi para recuarem no terreno quando o PSG perde a bola. Uma equipa é um organismo bem estruturado, não um aglomerado de estrelas sem nexo.

O Atlético é liderado por um pedreiro. A sua primeira, segunda, terceira e quarta preocupação é defender, à espera de um golito que caia aos trambolhões. É o mundo ideal do Porto do pedreiro Conceição: tudo fechado lá atrás, à espera de um contra-ataque e de um golpe de génio de um Diaz qualquer.

Iria ser engraçado se as equipas passassem todos a jogar de marcha atrás. O Sporting ficava fechado lá atrás, o Ajax passava o tempo a trocar a bola lá atrás. Iria ser lindo... Valha-me Deus!
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De Geraldes CB a 18.09.2021 às 04:16

Esqueci-me de outro ponto: se aparecesse um megamilionário decidido a investir no Sporting, Benfica ou Porto, de modo a fazer do clube um PSG ou City desta vida, lutando todos os anos pela LC, quantos sócios iriam dizer não, ou iriam estar preocupados com o FP financeiro?
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De Mike Portugal a 18.09.2021 às 09:06

Eu rejeitaria isso, na hora e sem hesitação. Não quero o meu clube transformado numa lavandaria de dinheiro.
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De José Silva a 18.09.2021 às 11:12

Não me venham com tretas..! Preferia mil vezes que o Sporting tivesse jogado do meio campo para trás o jogo todo e tivesse ganho por "meio" zero. Tinha-se ganho 3 pontos correspondentes a quase 3 milhões de euros, mais prestigio europeu e subida no ranking. Que ninguém se iluda, o que fica para a história, são os resultados e não a tática de como se jogou neste ou naquele jogo.Aliar romantismo a bom futebol mais rresultados positivos, já quase não existe. Nem mesmo as equpas dos "petrolódares" o conseguem, quanto mais o Sporting...!
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De João F. a 18.09.2021 às 11:35

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De Greenhill a 18.09.2021 às 14:05

Sim, na Europa tem de se jogar com pragmatismo, porque está em causa o ranking do clube. A continuar assim, nem num sorteio da liga Europa somos cabeça de série.
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De Leão do Norte a 18.09.2021 às 19:58

Para além do facto de podermos ser cabeça de série, é muito importante a nível económico. A posição no ranking implica diferenças substanciais no valor arrecadado na Liga dos Campeões.
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De Santos a 19.09.2021 às 14:46

Caro Sr Rui,
De facto estou de acordo consigo no facto de fair-play financeiro em Portugal ser uma treta...
Porque permitir que um clube não ocorra em qualquer penalização pelo facto de ter originado uma perda/imparidade no valor de 135milhões de euros no BES/Novo Banco, devido ao não cumprimento de obrigações contratuais em financiamentos que foram reestruturados na emissão de VMOCs, operação esta que constitui no mínimo numa perda, de pagamento de juros devidos anualmente (pelo menos desde 2014) mas possivelmente num perdão de dívida (já acordado na redução 70% da dívida) de 94,5 milhões de euros.
Perdão este de 94,5 milhões de euros que serão imputados ao estado português, isto é, pagos por todos nós portugueses no âmbito da venda do Novo Banco ao fundo de investimento LoneStar.
Assim, se um clube em Portugal, permite-se tal situação sem qualquer penalização, isto do fair-play financeiro é mesmo uma treta...
Cumprimentos,
Santos

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