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img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgSe houvesse um gráfico a acusar as várias mudanças de opinião da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, desde que foi identificado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal, esse gráfico seria uma montanha russa, de altos e baixos, a provar algo que temos vindo a acompanhar diariamente — as opiniões dividem-se na classe médica e, também, entre os especialistas.

Ninguém tem certezas de nada e as estatísticas vão determinando o comportamento da intervenção política.

Saiu agora o Código de Conduta que determina os procedimentos a ter pela ‘comunidade do futebol’ relativamente a todas as fases das competições e treinos — um compromisso global do Futebol em relação ao Estado.

O Governo pode ter, e tem, muita vontade em ajudar a indústria futebolística, perante os confessados alarmes de caos financeiro, mas não quer de modo algum correr mais riscos para além daqueles que já está a correr.

Logo a abrir o supracitado Código de Conduta, no ponto 1, a DGS define: “A FPF, a Liga Portugal, os clubes participantes na Liga NOS e os atletas assumem, em todas as fases das competições e treinos, o risco existente de infeção por SARS-CoV-2 e de COVID-19, bem como a responsabilidade de todas as eventuais consequências clínicas da doença e do risco para a Saúde Pública".

Tomem lá este guardanapo (de 14 pontos) e assoem-se a ele. Depois, não venham é pedir-nos responsabilidades.

Quer dizer, a DGS e o Governo permitem que se entre nesta grande loucura de se calçar as chuteiras para o dinheiro voltar a circular, mas quer que todos assinem um verdadeiro e indiscutível ‘termo de responsabilidade’.

Se alguma coisa correr mal, a culpa não é “oficialmente” do Governo; é da organização do Futebol.

Não é bem assim, já se sabe, porque o Governo — conforme fizeram a França e a Holanda — teria sempre a possibilidade de não consentir, nas condições actuais, a retoma da I Liga, embora, nesse cenário, tivesse de arrostar com as consequências do chinfrim futebolístico, liderado pelos ‘grandes’, que se iria instalar.

Os efeitos não seriam assim tão grandes como se julga, mas em Portugal há uma espécie de ‘regra constitucional’ que aceita, sem estrebuchar, que o futebol reúne o maior de todos os poderes. E isso só é assim, porque 1) há falta de coragem; 2) os outros poderes estão demasiado comprometidos e capturados pelo poder do futebol.

As consequências políticas globais da gestão Covid/Futebol só serão contabilizadas lá mais para o fim do ano; neste momento é preciso dar um passo de cada vez e permitir que o Futebol faça o seu próprio caminho, inclusive o de desviar as atenções de situações bem mais gravosas para os portugueses do que a paragem da competição.

Danilo, Zé Luís e Soares, três jogadores do FC Porto, já expressaram o seu desacordo (a linguagem emoji tem muita força!) e vamos ver se os jogadores assinam o Código de Conduta que é uma espécie de Código da Carne para Canhão (CCC).

O Futebol vai assoar-se a este ‘guardanapo’ ou não?!…

Rui Santos, SIC

publicado às 04:03

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4 comentários

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De Orlando Santos a 17.05.2020 às 08:23

As condições, agora, são as mesmas que daqui a 6 meses, ou pior, com o Inverno à porta.

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