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"O lugar dos amantes"(1)

Naçao Valente, em 14.12.20

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(1) Expressão do título, "roubada" ao Leão do Norte.

(...) Quando se apaixona um apaixonam-se (quase) todos”... escreveu o Leão do Norte, a propósito da relação dos adeptos com o treinador Rúben Amorim. Concordando com a sua análise, quero, um pouco por antítese, sublinhar o quase.

Mas antes de dar mais corpo a esse sublinhado, quero fazer um pouco de história, porque a memória é muito curta. Quando o presidente Varandas foi buscar Amorim, o Sporting estava a bater no fundo, no que diz respeito ao estado do futebol profissional, De treinador em treinador, de plantel em plantel, de contestação em contestação, e afins, não se via uma luzinha sequer, mesmo ténue, ao fundo do túnel. O espaço de manobra da Direcção estava a encurtar, mesmo entre os mais pacientes.

A contratação de Amorim teve de imediato a crítica acrítica dos contestatários habituais. Nada que não fosse esperado. Mas mesmo os mais moderados, criticavam o elevado preço pago para o trazer para o Sporting. E alegavam que era muito dinheiro por um técnico pouco experiente e sem as devidas qualificações. Tive oportunidade de escrever, na altura, que a contratação de Amorim era arriscada, mas de risco calculado. Tinha mostrado, no pouco tempo que treinou o Braga, que estava ali em potência um grande técnico. E ou se contratava pelo valor exigido ou se perdia, como aconteceu com outros.

Hoje, comprova-se, que depois de um leque de erros, Varandas estava certo. Amorim está a fazer uma revolução no Sporting, ousando promover jovens quase desconhecidos, e que já se valorizaram. Além disso, estou certo que teve “dedo” nas contratações cirúrgicas que reforçaram o actual plantel. Estou até convicto que aquando da sua contratação, Amorim aceitou-a, perante condições previamente acordadas. Por outro lado, aplicou a receita que sempre defendi como fundamental. E independentemente do resultado final, é uma aposta ganha, embora esteja um pouco preocupado com o excesso de euforia que por aí campeia. Temos de ter a consciência, que neste momento, somos a melhor equipa, mas não temos o melhor plantel.

Ainda bem que Amorim conseguiu dar início ao processo de unir a nação sportinguista com excepção dos tais “quase”. Os “quase”, para além das bases brunistas em negação para a eternidade, é composta por gentalha que tem abertas as portas da Comunicação Social. Aproveitando a base de cultores da personalidade, continuam com um objectivo: tomar conta do Sporting. Esses “quase” não apreciam Amorim. Está a estragar-lhes os planos.

Quero falar de um  “quase”  em particular, mas que simboliza todos os outros. Refiro-me ao treinador Augusto Inácio. Numa recém-entrevista, onde se assumiu como candidato à presidência do Sporting CP, aproveitou por criticar Varandas, a propósito deste ter dito, durante a campanha eleitoral, que revelaria informações sobre um jogo com o Benfica que contribuiu para a perda de campeonato. Esta crítica não é nova, é uma espécie de cartilha que circula por aí, à falta de outro argumento contestatário.

Ora a minha questão é: que poderia saber Frederico Varandas, um simples médico, que não soubessem membros da Direcção demitida, incluindo o próprio Augusto Inácio. E se assim era, porque nunca apresentaram a suposta “bomba” durante três anos? Porque vão repescar agora essa afirmação, que foi dita em contexto eleitoral, e que não me lembro de ser utilizada antes? A minha primeira conclusão é simples. Estão a sentir fugir-lhes o chão debaixo dos pés. A outra conclusão é que se estão lixando para o Sporting CP.

Termino com um muito simples conselho: se gostam do Sporting, deixem de ser “quase” apaixonados, e juntem-se de corpo e alma ao Clube, porque todos somos necessários. É esse o lugar dos amantes. Quando houver eleições apareçam com as suas propostas, e até com as habituais lavandarias de “roupa suja”. Faz parte. Mas até lá, não levem os adeptos a duvidar que sejam sportinguistas. É pouco inteligente.

publicado às 04:19

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49 comentários

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De Mike Portugal a 14.12.2020 às 15:17

NV,

Não é uma questão de ver qualidade ou deixar de ver. É só uma questão de consistência de resultados. Se alguém mostra consistência numa equipa então é mais provavel que mantenha essa consistência noutra equipa (no mundo do futebol isto nem sempre é verdade).

O que digo é que em 6 jogos não dá para retirar uma estatística de consistência porque é uma amostragem muito pequena.

Outra coisa, temos que perceber porque é que não se viu qualidade em Ruben Amorim antes dele ir para o Braga e como é que o Salvador conseguiu ver essa qualidade. Isto era muito importante perceber.
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De Anónimo a 14.12.2020 às 16:32

Mike,

Em minha opinião a aposta em Rúben Amorim, apesar de encerrar algum risco, também apresentava alguma sustentação.
E não vou falar na percepção de sucesso que o estilo e forma de jogar das suas equipas e o seu discurso deixavam antever.

Falo de alguns dados que, apesar de não serem estaticamente significativos, já permitiam uma avaliação com o mínimo de consistência.
Ele orientou o Braga em 13 jogos , número que considero escasso, mas nesses 13 jogos venceu o Porto e o Benfica nos seus estádios, venceu duas vezes o Sporting em Braga e conquistou a taça da liga frente ao Porto. Convenhamos que são dados relevantes e há muitos treinadores que, em várias épocas, não se podem orgulhar de ter esse curruiculum, mesmo treinando o Braga.

Em relação ao facto de não se ter visto qualidade em Ruben Amorim antes dele ir para o Braga, não foi bem assim.
Ele estava, e ainda está, a iniciar a carreira quando foi para o Braga, mas nos "meandros" do futebol o Rúben Amorim era um nome que, mesmo ainda quando era jogador, já era comentado como tendo potencialidades e qualidades para vir a ser um treinador com sucesso, especialmente pela sua personalidade e qualidades de liderança. Claro que eram apenas sinais, mas o Salvador apostou nele, via equipa B, e pelo que foi divulgado na altura ficou tão agradado com a aposta que, na primeira oportunidade, promoveu-o à equipa principal.

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De Leão do Norte a 14.12.2020 às 16:33

Peço desculpa, mas um erro no Sapo não permitiu a minha identificação.

Leão do Norte
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De Anónimo a 14.12.2020 às 16:33

Comentário apagado.
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De Mike Portugal a 14.12.2020 às 16:41

Leão do Norte,

Fica a boa observação. Eu não sou conhecedor dos meandros do futebol.
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De Leão do Norte a 14.12.2020 às 22:32

Mike,

Não me considero, nem o quero ser, um grande conhecedor dos meandros do futebol, mas convém sempre saber algo, até para não ser apanhado pela surpresa que muitas situações motivam.
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De Rui Gomes a 14.12.2020 às 22:49

Sem dúvida!

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