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O médico, o paciente, a doença e a cura...

Leão do Norte, em 23.05.21

Apesar de viver tempos de euforia, a memória de acontecimentos passados e uma curiosa associação de ideias recordou-me a importância de termos um médico à "disposição".

O aparecimento de doenças ou de alterações no estado de saúde é, ao longo da vida, quase uma inevitabilidade. É nesses acontecimentos que os serviços de um médico, muitas vezes personalizando uma equipa, podem ser realmente essenciais. Se porventura o médico for "generalista" e "dominar" diversas especialidades os resultados podem ainda ser mais satisfatórios.

Devido à acumulação de erros próprios ou por acção de "agressões" externas podemos ser "fustigados" por uma doença que nos abala e que coloca muito do que julgamos adquirido em causa. É o momento de canalizarmos todas as nossas energias para esse "combate" e a presença de um médico, acompanhado pela sua equipa, torna-se essencial.

O diagnóstico de uma doença pode não ser fácil de realizar, especialmente se no paciente existirem factores endógenos que conduzam a permanente dano e conflitualidade. Esta dificuldade diagnóstica leva a um penoso atraso na instituição da terapêutica. Mesmo após o diagnóstico correctamente efectuado, definir a terapêutica correcta pode ser uma etapa ainda mais complicada e implicar escolhas iniciais pouco eficazes. 

Qualquer tratamento, para além do desejável efeito benéfico, apresenta um conjunto de riscos e custos associados. Estabelecer uma relação benefício/risco favorável pode protelar o início do tratamento e atrasar a percepção do desejado benefício, mas é essencial para a escolha correcta.

Existirão sempre situações em que o paciente poderá não ter as condições, nem o tempo necessário, para essa espera. Poderá o médico também não ter a capacidade para definir a orientação terapêutica correcta. Poderá ainda existir uma pressão externa, ao doente e ao médico, que muito dificulte esse processo. Mas, mesmo podendo haver indicadores iniciais contrários, se existir competência do médico (e da sua equipa) e a necessária confiança por parte do paciente, o sucesso terapêutico terá elevada probabilidade de ocorrer.

E nessa altura, após um difícil e muitas vezes penoso percurso, obter-se-à a desejada cura, com plena satisfação do paciente e dos que mais directamente a ele estão ligados. Serão eles os que mais devem exteriorizar o seu contentamento.

Ao médico compete um comportamento de maior recato e, sem prejuízo de uma satisfação com o trabalho realizado, a sua "celebração" no sucesso alcançado deve ser mais íntima. No fundo, ele e a sua equipa, cumpriram a sua "obrigação" e devem direccionar energias para o próximo episódio que possa afectar a saúde do paciente. É que a saúde é um estado transitório sempre à espera de um episódio que a afecte.

"Alargando", metaforicamente, as definições de médico, de paciente e de doença podemos encontrar situações de "cura" muito para além de actos exclusivamente médicos. Seja na nossa família, na nossa empresa ou no nosso Clube. Até porque todos nos lembramos de um médico.

publicado às 04:03

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9 comentários

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De AlexandreP a 23.05.2021 às 08:02

Grande analogia e comparação.

Mas neste caso,nao nos podemos esquecer que mesmo com um bom medico,uma boa terapeutica e um bom paciente,podemos nao ser felizes no final do próximo ano. Porque agindo dentro das 4linhas,ou fora delas,nao jogamos sozinhos...
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De Leão do Norte a 23.05.2021 às 12:07

Caro AlexandreP,

É um facto que existem variáveis que não podemos controlar, mas quanto mais competências e qualidades tivermos mais próximos do sucesso estaremos.
Apesar de que no futebol português esse raciocínio é afectado por uma "realidade paralela".
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De Leão Zargo a 23.05.2021 às 09:35


Caro Leão do Norte

O seu texto é mais do que um conselho amigo a quem de direito, trata-se de um modelo de actuação. Na verdade, o futebol é o momento como os adeptos costumam afirmar, mas a seguir a um golo o jogo continua e há que continuar a lutar pela vitória. Ou depois da conquista de um título segue-se a competição para o triunfo seguinte.

O nosso povo costuma dizer “não fales muito e trabalha mais”. Com toda a razão. Aplicado ao seu oportuno texto, no meu caso, diria que “depois da vitória foca-te na planificação do que vem a seguir”.
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De Leão do Norte a 23.05.2021 às 12:26

Caro Leão Zargo,

Este texto é uma fórmula simbólica de caracterizar e valorizar a acção de uma estrutura e de um líder que, profissionalmente, conhece muito bem esta realidade.
Não tenho grandes dúvidas que estão em permanente actividade para manter a "saúde" do clube.
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De Leão Zargo a 23.05.2021 às 18:24

Caro Leão do Norte

Absolutamente de acordo. Aliás, verifica-se que há uma gestão cuidadosa das intervenções públicas que, em princípio, restringem-se a Rúben Amorim. Trata-se de uma estratégia que se baseia no trabalho organizado, planificado, permanente, com uma percepção clara do que é público e do que é privado.
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De Rumo Certo - Ventos Favoráveis a 23.05.2021 às 16:04

Parabenizo o caro Leão do Norte, pelo seu comentário metafórico, profundo, analítico e comparativo, com o qual estou em total sintonia.
Pessoalmente, sempre defendi e compartilhei, nomeadamente neste fórum, que o grande campeonato a vencer, era o da Credibilidade e da Estabilidade.
Em cada uma destas duas determinantes e condições moleculares, também se integram, interagem e associam, gravitantes e energéticos átomos para a obtenção de uma química, com potencial vencedor e com percurso para a obtenção da excelência.
A capacidade de trabalho, competência, diálogo, confiança, humildade e amizade, constituem-se como ingredientes fundamentais de um processo e estratégia holística, conducente ao sucesso.
Trabalho árduo, moroso, persistente, visionário e corajoso, que pese embora a sua indispensável interatividade, "per si", não são o garante de alcançar a célere e tão ansiada Glória.
Todos estes componentes, foram conjugados e colocados em prática ao serviço da instituição, porque se trabalhou afincadamente para recrutar perfis, competências e apostas ao nível do recrutamento de recursos humanos.
Depois da catástrofe e abordagem ao precipício, conseguir reorganizar, estruturar, diagnosticar e implementar medidas adequadas de combate e rectificação, em termos de gestão e políticas económicas / desportivas, sem perder competividade, é simplesmente e ejustamente NOTÁVEL.
Em cima de tudo isto, obter-se de forma meritória e extraordinaria, o sucesso, se não fosse VERDADE diria ser obra utópica e milagre.
Dificilmente este ENORME exemplo de Vida, luta e elevação, será igualado por alguém.
Tal feito e dimensão, já faz parte da incomparável e Grandiosa História do Sporting CP e certamente no futuro, fará parte de modelos e manuais de gestão, ética, social e desportiva.
A minha sincera Homenagem e Gratidão, aos prestigiados elementos dos actuais Órgãos Sociais, que retomaram e devolveram a Honra, Dignidade e Glória, ao Enorme Sporting CP.
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De Leão do Norte a 23.05.2021 às 16:54

Caro Rumo Certo - Ventos Favoráveis,

Agradeço a sua gentil apreciação ao comentário.
É um facto que este ano, no Sporting Clube de Portugal, foi conseguido algo de utópico, no esfera dos milagres. E muito se deve a acção "terapêutica" da estrutura directiva.
Traduzido simbolicamente na realidade médica, esta acção foi prova de dedicação, persistência e competência.
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De Manuel Cunha a 24.05.2021 às 08:54

Muito bom. Eu ainda incluiria dois aspectos: a adesão do doente à terapêutica é fundamental para a cura; a interferência dos familiares do doente podem obstar à efetividade da terapêutica.
E não falo de terapias alternativas sem comprovação científica....
Saudações Leoninas
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De Leão do Norte a 24.05.2021 às 10:07

Caro Manuel Cunha,

A adesão por parte do doente à terapêutica é realmente fundamental. Sem esse passo, nada do anteriormente efectuado, por mais indicado e acertado que seja, terá efectividade.
Quando me referia à pressão externa, a interferência familiar era um dos pontos em mente.
E como escreve, convém não entrar por experimentalismos, muito menos em pseudoterapias sem qualquer base científica.
Saudações Leoninas.

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