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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
O cortejo era segredo para ninguém, o Sporting queria João Pedro Ferreira Silva, futebolisticamente mais conhecido como Jota Silva, avançado que pode ser de área e também de ala por ser um atacante híbrido que vive vidrado na baliza, mas também em atacar muito os espaços, chateando as costas dos defesas e correndo com a bola. Era um perfil que faltava ao plantel leonino. Conhecido seu dos tempos do Vitória, seria mais um nome com passado em Guimarães a chegar a Alvalade graças à boa impressão que deixou no goto do treinador, neste caso há semanas que o interesse era badalado, vinha bem de trás e bastante para a frente terá de ficar.
Transcrevi esta texto muito antes das explicações do dr. Frederico Varandas
em Gondomar. Na minha opinião, as duas versões em nada diferem
no que à não inscrição do jogador diz respeito.
Até à meia-noite que entremeou a segunda com a terça-feira, prazo limite para entrarem novas inscrições de jogadores, a Liga não recebeu do Sporting a papelada necessária para Jota Silva poder jogar no campeonato. Factualmente, garantiu fonte da entidade, os leões não chegaram a enviar a burocracia necessária antes da hora de fecho dos serviços que tratam destes assuntos na Liga.
O processo para contratar um jogador, por mais que pinte jornais com tinta e escarrapache notícias na internet, é, em teoria, não complicado: o clube interessado no jogador pergunta por ele ao clube que o detém, se este estiver predisposto a vendê-lo ou a emprestá-lo autoriza a que o pretendente fale com o futebolista para discutirem o contrato enquanto os clubes negoceiam os termos do negócio, com a intermediação de pelo menos um agente pelo meio. A ordem das coisas, na prática, nem sempre será esta.
intonizadas as antenas entre clubes, caso sejam de países diferentes devem formalizar a troca no Transfer Matching System, plataforma online da FIFA na qual os vendedores e compradores têm obrigatoriamente de registar todas as transferências para garantir a transparência e eficiência das trocas. Uma vez aprovado o processo, a FIFA emite um certificado internacional que permite, depois, a inscrição do jogador em causa nas provas nacionais em que o seu novo clube participe no activo. Para ter Jota Silva, o Sporting completou esta parte da burocracia.
Tudo foi feito em cima do joelho, ao que apurou a Tribuna Expresso com quem conhece o processo do lado do Sporting, devido aos finca-pés sucessivos do Nottingham Forest, na figura do grego Evangelos Marinakis, o seu presidente, dono igualmente do Rio Ave, que pretendia vender o futebolista por uma verba a rondar os €19 milhões. Os leões também batiam o seu pé, queriam o jogador apenas por empréstimo.
O dirigente grego acabaria por aceitar a cedência temporária de Jota Silva, mas a anuência apenas terá aparecido em Alvalade por volta das 23h45 de segunda-feira. Escreveu a imprensa desportiva que o negócio seria feito por €4,5 milhões pagos já, pelo empréstimo, com uma opção de compra a rondar os €15 milhões. Nos cerca de 15 minutos que o Sporting teve para se apressar, teve então que submeter as informações na TMS da FIFA e aguardar pela validação e envio do certificado para, só depois, tratar do lado nacional da burocracia.
Quando um clube português pretende inscrever por cá um jogador vindo do estrangeiro, tendo já a aprovação necessária da FIFA, tem de o formalizar na Liga, que também disponibiliza uma plataforma para tal, a Transfer. Entre esperas por documentos, juntar esses documentos e colocar os mesmos nesse sistema, o atraso nas negociações com o Nottingham Forest deixou pouco tempo para o Sporting conseguir cumprir o prazo da Liga.
Quando o tempo urge, a entidade abre uma exceção: em vez de ter de preencher e entregar toda a documentação no sistema Transfer, os clubes podem simplesmente enviar um e-mail a dar conta da intenção de inscrever um novo jogador e já com alguma documentação. O horário limite seria o mesmo, até às 23h59 de segunda-feira.
Entrando essa carta no correio digital da entidade dentro do prazo, o Sporting, como qualquer clube, teria até ao final do dia seguinte (esta terça-feira) para cumprir com “toda a informação” exigida na Transfer. A própria Liga avisou dessa hipótese, no dia 25 de Agosto, através de um comunicado, e mantinha contacto com os clubes em relação a essa possibilidade. No rodopio acelerado em que as negociações por Jota Silva se precipitaram, nem por essa via sobrou tempo aos leões para concretizarem a transferência.
E a Liga de Clubes não estava para brincadeiras quanto a horas, minutos e segundos, ao informar que “os actos praticados na plataforma Transfer são certificados, incluindo quanto à data e segundo em que foram praticados, através do Observatório Astronómico de Lisboa”. A regência da organização pelos conformes deste relógio não é descabida: cabe à entidade a “incumbência legal”, lê-se no seu site, de “manter e distribuir a Hora Legal em Portugal”.
Crónica de Diogo Pombo, em Tribuna Expresso
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Em nota separada, o comentário do nosso colega Julius Coelho...
"Confesso que sempre desconfiei que o jogador chegasse fácil ao Sporting por uma razão muito simples que tem o nome de Nuno Espírito Santo, adepto doente do FC Porto. Não devemos esquecer que ele ofereceu o jogador ao Porto e ao André Vilas Boas e só não foi porque levaram com o nega do próprio jogador. Nuno Espírito Santo/Andre Vilas Boas tudo fariam para complicar este negocio, desde as negociações em que cada dia aparecia mais um entrave ou uma exigência extra. Como o fizeram não sabemos mas acredito que estejam por detrás disto".
"Houve com certeza mãozinhas invisíveis a impedirem a sua vinda, eu por exemplo acredito piamente que o Jota iria fazer uma grande época no Sporting e dar preciosa ajuda com as características que tem e que mais nenhum jogador do Sporting tem, talvez o Ioannidis se aproxime um pouco dessas características.
Isto foi tudo mesmo muito estranho logo desde o início, quando o Sporting partiu para a tentativa de o trazer, desde esse dia só apareceram obstáculos, e pelo meio, a tentativa de alguém o tentar desviar para o Porto. Volto a insistir, a dupla Vilas Boas e Nuno E. Santo tiveram mãozinhas neste processo".
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