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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Começo por reconhecer que houve um bom número de erros da equipa de arbitragem, dois deles com influência directa no resultado: o primeiro, no golo do SC Braga, por Wilson Eduardo, aos 42', que foi precedido por falta não assinalada sobre William Carvalho. O segundo, aos 11' minutos do primeiro período de prolongamento, no golo invalidado a Slimani, por fora de jogo mal assinalado pelo auxiliar.
Dito isto, espero que não se recorra ao factor arbitragem para desculpar a derrota e o afastamento da Taça de Portugal, porque fica longe de explicar tudo.
Jorge Jesus optou por fazer alterações - diria "invenções" - para este jogo que me ultrapassam completamente. Ou ele tem razão, apesar da evidência à vista, e do resultado, ou então serei eu que não fiz uma leitura correcta do jogo. Começou por montar a equipa numa espécie de 4x3x3, contrário ao usual 4x4x2. Digo espécie, porque a disposição dos jogadores nem sempre era clara. William Carvalho no meio-campo mas a espaços muito mais recuado, Adrien Silva à sua frente, com Aquilani praticamente a jogar livre, por vezes de apoio à linha intermediária, outras vezes a surgir em zonas mais da pertença de Slimani, quase como um segundo ponta de lança. Bryan Ruiz, como sempre, infelizmente, encostado à esquerda e João Mário a fazer praticamente de extremo no lado direito.
Com diversos outros jogadores à sua disposição, a integração de Aquilani no onze inicial e na posição em que jogou, terá de ser explicado pelo treinador, porque este adepto não tem esse alcance técnico.
Perdi a conta ao número de vezes que Jefferson foi batido e/ou apanhado fora de posição. Não surpreende, portanto, que o cruzamento para o golo vitorioso de Rui Fonte tenha sido iniciado na sua zona de responsabilidade, em que ele nem perto da bola se encontrava na altura. William Carvalho marcou um golo, é certo, mas fez uma exibição muito cinzenta, acentuada pelo número de passes falhados. Aquinali, com bons pormenores, a espaços, mas de igual modo a desaparecer do jogo. Fez um excelente cruzamento para o cabeceamento letal de Slimani, aos 57', mas esteve muito pouco em evidência na segunda parte da partida. A razão que levou Jorge Jesus a não o substituir mais cedo, compete a ele explicar, porque não faz sentido.
Não justifica coisa alguma, mas não posso deixar de apontar os dois golos do SC Braga algo fortuitos: o golo de Alan, aos 54', em que ele bate muito mal na bola mesmo para o solo aos seus pés e foi precisamente esse imprevisto ressalto que faz com que Rui Patrício seja batido. O outro golo, de Goiano, aos 83', em que a bola tabela em Paulo Oliveira.
Em tudo isto, há mérito do SC Braga. É uma boa equipa. Mas o Sporting tem argumentos superiores à sua disposição e, em abono da verdade, não havia necessidade de sofrer tanto, durante e agora pós-jogo.
Para ser sincero, não sei bem que ilações se pode retirar desta derrota e, sobretudo, do afastamento precoce da prova que o Sporting conquistou na época passada. Talvez... menos euforia/fanfarrice e mais humildade/realismo, reconhecendo que ainda há uma muito longa campanha pela frente.
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