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O último Conselho Leonino ?

Leão Zargo, em 19.04.16

 

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O Conselho Leonino reúne-se hoje, tendo na agenda a discussão e deliberação sobre a cessação antecipada do mandato de Rui Barreiro. O presidente do referido órgão, Jaime Marta Soares, alegou que o conselheiro "violou um conjunto de regras através de intervenções públicas altamente insultuosas" para com Bruno de Carvalho e confirmou que sua a expulsão será discutida no ‘ponto seis’ da ordem de trabalhos. Por sua vez, Rui Barreiro garantiu que estará presente e que se limitou “a dar opiniões sobre factos em defesa do que considera serem os interesses do Sporting."

 

Não conheço Rui Barreiro, mas o que ele tem dito ou alertado desde há dois anos é motivo de larga conversa entre os sportinguistas e não constitui grande novidade, a não ser a afirmação de que para ele “seria uma honra ser presidente do Sporting". Bruno de Carvalho cumpriu o sonho de criança, já para o conselheiro a presidência leonina seria uma honra.

 

A entrevista à revista Sábado (19 de Novembro de 2015), que acelerou as críticas de Marta Soares, não constituiu motivo de surpresa. Parece-me consensual dizer-se que “o Sporting é um clube democrático e temos de aceitar que as pessoas tenham opiniões diversas. A Bruno de Carvalho fazia-lhe bem ter algumas noções da importância da democracia e do confronto.” Desafio quem discorde desta consideração.

 

Na referida entrevista, garantiu que “há aspectos negativos, como o belicismo permanente, que causa desunião entre os sportinguistas". Todos nós temos consciência deste facto, embora alguns considerem que daí resultam vantagens, enquanto outros receiam o contrário.

 

Ou, afirmou que "é sempre bom que o Sporting dê lucro, mas não é apenas avançar no tempo, com algumas responsabilidades, é preciso consolidá-las. Espero que as condições financeiras melhorem.” Tenho dificuldade em encontrar um sportinguista que não pense assim.

 

Opinou, ainda, que “tratar mal um trabalhador, seja o porteiro seja Carrillo, é sempre mau.” Uma banalidade, pois o esclavagismo e os escravos, e mesmo o feudalismo e os servos da gleba, há muito que foram devorados pela evolução histórica, pelo menos na Europa Ocidental.

 

Provavelmente, o grande engulho decorreu da consideração de que “ou ele muda de comportamento, relativamente àquilo que é o mundo do futebol, ou os sócios terão de ponderar se não é necessário mudar de presidente.” Ora, isto não se afirma relativamente a alguém que se supõe um ser providencial e só assim se entende a reacção à martelada de Marta Soares, acusando Rui Barreiro de "falta de ética e sentido de responsabilidade". E, logo, deixou a pairar a ameaça do processo de “cessação” de conselheiro.

 

Critica-se Rui Barreiro por falar em público, não o fazendo nas assembleias gerais. Reconheço que, em teoria, a Assembleia Geral constitui o lugar por excelência para os sportinguistas intervirem no contexto interno leonino. No entanto, nunca foi nas reuniões magnas que decorreu o essencial do debate sobre o Sporting, essencialmente porque são um território organizado por e para quem preside ao Clube.

 

É que, se os estatutos do Sporting garantem o seu carácter de representatividade, a realidade do funcionamento da Assembleia Geral anula a democraticidade e a possibilidade efectiva de participação. Quem conhece o seu regimento (e dos grandes clubes portugueses) sabe que assim é, se considerarmos o tempo de intervenção para cada sócio e principalmente o direito ao contraditório. As únicas excepções que se verificaram resultaram do facto do poder estar apodrecido e já não ter capacidade para preparar o “ambiente”. Talvez por essa razão, a acção de Bruno de Carvalho quando estava na oposição decorria noutros espaços, nomeadamente nas redes sociais e nos jornais, e não propriamente nas reuniões magnas do Clube.

 

Confesso que hesito perante a conveniência para o Sporting do funcionamento de um órgão como o Conselho Leonino. Em princípio, vejo vantagens pela sua composição através do método de Hondt, o que pressupõe a existência de um órgão consultivo de excepcional representatividade sportinguista. Mas, se é para ser aquilo que se tem verificado, como que uma caixa de ressonância da “voz do dono”, então o melhor será a sua extinção.

 

publicado às 14:45

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9 comentários

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De Gonçalo a 19.04.2016 às 16:39

Concordando inteiramente com o que aqui escreve, acrescento mais uma reflexão sobre a já mais do que reconhecida inabilidade na gestão de conflitos de BdC (tendo em conta que 90% são provocados por ele próprio, muito por aqui se pode concluir sobre a a competência do senhor para o cargo).
Hostilizar Rui Barreiro - que como diz no post já confessou a sua vontade de ocupar a presidência - é empurrá-lo para figura de proa da oposição interna. Também eu não conheço Rui Barreiro pessoalmente, não conheço a sua obra, as suas competências, nada. O que interessa aqui é perceber que BdC mais uma vez exerce de autoritarismo gratuito sem um mínimo de pensamento estratégico a médio prazo (veja-se o caso Doyen do qual hoje saíram mais revelações assustadoras sobre jogadores em saldo, desmentidas por BdC na altura, e os danos a todos os níveis que essa birra nos causaram e vão continuar a causar). E assim se oferece um rosto visível à oposição, alguém que com certeza saberá mais sobre este direcção do que o comum adepto - e que terá uma enorme vontade de partilhar o que sabe. No fundo, BdC cria exactamente aquilo que mais teme - um opositor nas eleições, seja o próprio Rui Barreiro ou alguém saído do mesmo grupo de oposição. Não sei se BdC tem ou não noção disto, mas sei o que o motiva: dizer "aqui quem manda sou eu", tal como o puto estúpido com quem todos jogámos e que por mau-perder interrompia peladinhas de rua a meio e ia embora com a sua bola debaixo do braço. Que triste egocêntrico.
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De Leão Zargo a 19.04.2016 às 17:12

Caro Gonçalo
Nunca tinha ouvido falar de Rui Barreiro enquanto sportinguista, nem me apercebi da sua presença na lista pde BdC para o Conselho Leonino. Ouvi referências dele como presidente de Câmara Municipal e secretário de Estado. E era tudo.

BdC tem uma grande dificuldade em relacionar-se com quem o critica, mas ainda mais se saiu das suas fileiras. Aí torna-se mais intolerante. Naturalmente, ao insistir-se no nome de Rui Barreiro atribuiu-se-lhe um perfil que desconheço se corresponde à realidade. Não imagino com quem do Sporting ele se relaciona, nem o que pensa para o Clube.
Uma coisa é certa, tornou-se “presidenciável”. Mas, talvez BdC precise de “rostos” opositores como do pão para a boca. Então, nesse caso, percebe-se a estratégia.

O caso Doyen é terrível para o Sporting, com consequências financeiras e de imagem institucional. Mas, BdC cometeu muitos erros assim, como o conflito interminável com Carrillo. No caso dele, em concreto, tudo é prejudicial para o Clube, até por o atleta estar a receber o vencimento e arrastar-se desde Setembro ou Outubro um incrível processo disciplinar que não há meio de estar concluído.

Tem efeitos perversos nos restantes elementos do plantel, na medida em que existe uma individualidade grupal em todas as equipas. Competem entre si enquanto desportistas, mas são solidários entre si enquanto profissionais de futebol.
As renovações com William e Adrien nunca poderiam falhar e os jogadores sabiam disso. E esse conhecimento pelos atletas condicionou toda a negociação. De certeza, que fizeram valer os seus interesses.
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De J.Pinto a 19.04.2016 às 17:19

Acha mesmo que é necessario BC criar como diz um opositor para ele aparecer ?

que se estivesse caladinho, concorria sozinho ?

O Sporting é neste momento um clube bastante mais apetecivel do que 2011 ou 13 - tenho a certeza que surgirão varios candidatos mas duvido que algum seja Rui Barreiro, porque não é esse o seu objectivo

O Sporting não tem há muito tempo (e isso tem sido o facto determinante para pedemos competitividade para outro) um empresario e um conjunto de clubes e treinadores para vender de forma inflacionada os seus jogadores como o Porto e Benfica, mas creio que com uma ou outa excepção o Sporting não tem feito maus negocios
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De Leão Zargo a 19.04.2016 às 17:32

J.Pinto
Confesso que frequentemente sinto-me confuso com a estratégia de BdC. Por vezes pergunto-me se ele tem alguma estratégia ou se tudo decorre de comportamentos intuitivos ou instintivos. Não sei, mas no que se refere a Rui Barreiro utilizei um "talvez" para exprimir o que penso.

Também penso que haverá candidatos muito fortes à presidência do Sporting. BdC sabe isso e procura que eles "saltem". Em parte por isso, já apresentou a sua recandidatura.

Neste xadrez não imagino qual é a posição de Rui Barreiro. Mas, a presidência de uma Câmara como a de Santarém deu-lhe capacidade para determinados voos. No entanto, desconheço o pensamento dele para o Sporting e isso, para mim, é essencial.

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De jose a 19.04.2016 às 18:32

Caro Gonçalo,
Quais foram os reais danos provocados pelo caso Doyen?
De facto houve danos face ao contrato celebrado pelo GL, isto é, qualquer que fosse o preço dado pelo Rojo, o sporting receberia migalhas, este é o verdadeiro dano.

Quanto ao que o sporting tem que pagar a Doyen, não me parece que a diferença entre ter pago na altura da transferência e agora seja superior a juros, caso o sporting tivesse recorrido à banca para pedir semelhante emprestimo.




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De J.Pinto a 19.04.2016 às 16:47

A popularidade de BC enquanto opositor a GL, caiu muito devido às criticas que ia fazendo no FB, mas também é verdade que nunca deixou de ir e falar nas AG's e o clima não era mais favoravel

Aliás se Rui Barreiro ou outro qualquer possivel candidato tentar falar e tiver algum tipo de problema (principalmente a nivel de integridade fisica), não tenho duvida que isso jogaria e muito a seu favor - (o outro à conta das bolachadas que levou foi presidente da republica)

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De Leão Zargo a 19.04.2016 às 17:22

J.Pinto
O ambiente nas AGs nunca foi favorável para os opositores, pois o desenvolvimento dos trabalhos é sempre controlado para que a situação não saia do controlo. O próprio regimento favorece isso.
Aliás, nestas duas últimas dezenas de anos, a única AG que teve um registo diferente foi a de 2013 que convocou eleições presidenciais.

Rui Barreiro ou outro sportinguista mesmo que crítico não terão dificuldades se pretenderem intervir na AG. Isso é desejado por BdC precisamente para apresentar essa intervenção como exemplo de que todos podem falar e que existe democraticidade interna.
O problema é outro. Não adianta por aí além intervir, até porque logo a seguir BdC arrasa como entender o que o opositor afirmar.
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De Schmeichel a 19.04.2016 às 17:56

Caro Leão Zargo,

Algumas considerações:

"tratar mal um trabalhador, seja o porteiro seja Carrillo, é sempre mau."

Então e o trabalhador abusar e mentir à entidade patronal?! parece-lhe melhor?

"é sempre bom que o Sporting dê lucro, mas não é apenas avançar no tempo, com algumas responsabilidades, é preciso consolidá-las. Espero que as condições financeiras melhorem"

Gostaria que me indicasse um período temporal de 3 anos na nossa História, onde um mandato fizesse tanta consolidação de custos, investimento no clube e nas modalidades, e mesmo assim com um resultado acumulado positivo ao nível de custos. Se isto não é consolidação da melhoria das condições financeiras, então não sei o que será.... não existe uma varinha mágica que apague por magia, o acumular de décadas de incompetência e má governação, logo os problemas existirão no futuro, mas hoje estamos melhor do que estávamos... logo consolidação positiva!

"o Sporting é um clube democrático e temos de aceitar que as pessoas tenham opiniões diversas. A Bruno de Carvalho fazia-lhe bem ter algumas noções da importância da democracia e do confronto."

Concordo! Tanto BdC como a oposição deveriam respeitar mais a democracia.... BdC deveria respeitar mais a oposição, já que o faz crescer, e deveria aproveitar os ataques dessa oposição, para unir mais os sportinguistas, e neste aspecto tem de melhorar.
Mas o que eu queria ressalvar é a constante designação pelos anti-BdC de que este não é o verdadeiro Sporting... como se o Sporting não fosse um clube democrático, logo dinâmico, onde os sócios têm o poder de decisão quanto ao rumo do clube, podendo alterá-lo, e podendo reescrever a sua história... é isto a base da democracia! o respeito pelo voto da maioria, e o respeito pela execução de um mandato mandatado pela maioria dos sócios.
Sinceramente quando leio posts a atacar este Sporting rejuvenescido e quando leio pessoas a falar do Sporting de antigamente, no fundo é o mesmo Sporting..., já que o Sporting somos todos nós, o Sporting sem adeptos não existe!
Portanto se querem fazer criticas ao novo Sporting, critiquem os sportinguistas, porque esses sim, mudaram, ficaram fartos de perder constantemente, ficaram fartos de ser enganados pelas constantes direcções, no fundo deram um murro na mesa.... democraticamente! E isso tem de ser respeitado!

SL
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De Leão Zargo a 19.04.2016 às 19:22

Caro Schmeichel
Não sei a que é que se refere quanto a essa história de alguns considerarem que o Sporting não é um clube democrático. Falo apenas por mim e nunca me referi nem de perto nem de longe a essa atoarda. O Sporting é um clube democrático e os que nele participam estão obrigados ao comportamento democrático.

Mas, já que estamos com a mão na massa, acrescento que numa democracia a parte mais vulnerável é a minoria e nunca a maioria. No caso do Sporting, a maioria governa sem qualquer impedimento, mas quem pertence à minoria está sempre sob ameaça de purgas.

O caso Carrillo é confrangedor e paradigmático da incapacidade de Bruno de Carvalho de resolver uma renovação contratual mais complicada. A história de um processo disciplinar que ainda não teve e que se arrasta penosamente desde Outubro ficará para como exemplo extremo dessa trapalhada.

Tenho opiniões muito definidas sobre a pretensa consolidação de custos. Houve até ao Verão passado, já não há desde essa altura. Não há investimento nas modalidades do Sporting, que, aliás, quase todas enfrentam dificuldades competitivas.
Isso que refere é mais um mito que a máquina de propaganda da direcção pôs a circular nas redes sociais e que é repetido pelos apoiantes até à exaustão..

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