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O vírus da mudança não é este

Rui Gomes, em 13.04.20

A pandemia não gerou, até ao momento, nenhuma acção inédita, nem surpreendente, nem revolucionária.

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A Selecção Nacional de futebol doou há dias metade do prémio de qualificação para o Euro'2020 ao fundo de apoio aos "amadores" da FPF. Ronaldo e Mendes compraram ventiladores. Multimilionários americanos financiaram pesquisas de uma vacina. Ficámos agora a apreciar os enfermeiros e médicos (não tanto, se calhar, o imigrante que nos traz comida a casa a dois ou três euros de custo que terá de partilhar com uma multinacional). A FIFA diz que o futebol tem de dar um passo atrás. O jornal Financial Times reflecte, em editorial, sobre as fraquezas do capitalismo e a necessidade de procurar novos caminhos.

Centenas de figuras públicas escrevem e dizem todos os dias coisas sensatas, mesmo sobre a inflação demencial no futebol de elite. Outros fazem contas e garantem-nos que nunca mais haverá transferências como aquelas de Neymar ou João Félix, até conseguem dizer ao cêntimo, usando uma ciência obscura qualquer, quanto vale agora cada jogador. No jornal Público, o filósofo José Gil tira a conclusão obrigatória deste contexto... o vírus não mudou nada de significativo.

O gesto da Selecção de nós todos não me surpreende, Cristiano Ronaldo e Jorge Mendes já tinham feito acções do género, os multimilionários americanos têm por hábito financiar sempre pesquisas, por uma questão de marketing, e o facto de simpatizarmos mais agora com o pessoal clínico não nos fará valorizar mais amanhã os professores e muito menos ainda mudarmos de opinião sobre os funcionários públicos. A FIFA fala em passos atrás e à frente desde que o FBI lhe caiu em cima. O "Financial Times" é um farol do capitalismo, mas sempre fez jornalismo decente e as figuras públicas que dizem coisas sensatas já as diziam em 2008, 2011, etc.

Aos poucos descobriremos, sem doutoramento em bioquímica nem surpresa, que o vírus não deixa boas sequelas.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

Nota: Uma visão muito cínica de José Manuel Ribeiro em que todas as acções em prol do combate à pandemia em curso, indiferente da razão de ser, são vistas com elevado grau de descrença. Porquê... o Mundo estaria melhor sem elas?

O facto destas acções não serem "inéditas", "surpreendentes" ou "revolucionárias" - se de facto assim são - nega o benefício das mesmas?

publicado às 16:30

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26 comentários

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De João F. a 14.04.2020 às 16:17

"Acreditar que um continente com cerca de 2 biliões de habitantes tem números tão baixos relativamente a pessoas infectadas e fatalidades, é pura fantasia."

Uma boa parte desses cerca de 2 biliões de habitantes é controlada por regimes não direi que são todos ditaduras, mas sim autoritários, que pela sua forma de governarem, se impõem por vezes com violência às suas populações, que são por natureza muito mais disciplinadas. Veja-se o caso de Singapura, que tal como outros seus vizinhos, impuseram logo no inicio medidas bastante duras, que se fossem aplicadas na Europa, dariam motivo para guerras internas com o "apoio" duma certa imprensa e que levaria à queda de governos nos próximos meses. Alguém aceitaria que em Portugal se instaurassem as medidas aplicadas na China, aos que foram apanhados na rua durante a quarentena, tendo sido presos para a cumprir e que noutros países era agredidos sem dó nem piedade? O Costa e o Marcelo seria imediatamente insultados com todos os nomes feios nas redes sociais e acusados de ditadores.

Os resultados da China e dos outros países, têm muito a ver com a mentalidade, com o passado, com as tradições e a forma de viver dos povos daquela região. Não podemos comparar a mentalidade e a forma de ver dum asiático, com a nossa. Eu nunca por lá vivi, mas lidei com alguns cá na Europa e vi a forma como reagiam a certas coisas que se passavam na vida quotidiana, tanto na vida politica como na vida social.

Como se duvida que tenham feito testes aos cerca de 1.300 milhões de chineses, o que seria praticamente impossível em tão pouco de tempo, acredito bem que os números anunciados por eles são, não direi propositadamente falsos, mas baseados apenas nos testes realizados.E como os outros países também não os podem realizar na totalidade às suas populações, mesmo em Portugal com cerca de 10 milhões de habitantes, toda a gente anuncia apenas os números que conseguiu, que são somente os exactos num determinado momento.

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