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Troféu que foi oferecido a Jorge Jesus por Rui Santos, porventura

por ser o melhor treinador do Planeta e arredores

 

 

Confesso que não sei bem como começar a comentar a entrevista de Jorge Jesus no programa Tempo Extra, da SIC Notícias, com o incomparável Rui Santos. Avançou com algumas considerações que me incomodam, a exemplo de referências suas a "croquetes", "boa gravatinha" e algo mais do género, que me faz pensar que estamos perante uma inédita parceria na cadeira da presidência de Alvalade ou, então, que Jorge Jesus está completamente inoculado e foi promovido a "soldadinho da falange". Evidentemente que não é um "soldadinho" qualquer, tendo em consideração os seus não sei quantos milhões de salário, prémios e afins. Gostei especialmente da parte em que ele afirma que fica preocupado (palavras para o efeito) quando não vê o presidente no banco ao pé de si. Isto vai dar um bom cartoon !

 

A entrevista foi longa e não dá para referir tudo, mas está disponível aqui e, neste post, damos destaque a algumas das suas principais considerações:

 

Presidente Bruno de Carvalho no banco


«Eu lidei com vários presidentes, Pimenta Machado, Bartolomeu, Salvador, aqueles mais polémicos. Cada um tem as suas características. O presidente do Sporting gosta de estar no campo, é um apaixonado pelo futebol. Eu vou explicar: ele nunca jogou futebol. A melhor forma de ele perceber os conteúdos do jogo é estar próximo da equipa. Ele senta-se, não se mete no trabalho do treinador. Qual é o problema? Eu até gosto. Quando não o vejo até pergunto ‘onde está o presidente? Quero-o ao pé de mim'».

Regressar ao Benfica?

«Acho que essa porta fechou-se de vez. Arranjou-se uma forma de me quererem crucificar que fez com que os adeptos entrassem nesse sentimento. Mas ao fim de 10 meses nunca tive um adepto do Benfica que me insultasse. Pelo contrário, pedem para tirar fotos e agradecem-me.

Toda a gente sabe que começou com os SMS, o processo de 14 milhões, quiseram crucificar-me. Eu sou Jesus, quiseram meter-me na cruz mas eu tenho muita força, ressuscitei sempre.

A comunicação quis transportar para a opinião pública que eu não tinha muito êxito na Europa. Chegámos e o Benfica era 27.º na Europa, quando saí era 5.º. Isto consegue-se com vitórias na Europa. O Benfica foi a duas finais da Liga Europa, uma meia-final, uns quartos-de-final da Champions».

O jogo fora das quatro linhas

«O Sporting nunca percebeu esse jogo. É uma luta muito difícil, de 10 meses contra 7 anos, de 10 meses contra 25 anos. Beneficiado por esse jogo no Benfica? Nalgumas situações sim, mas não estou a falar em árbitros. Estou a falar em comunicação».

Octávio e Vítor Pereira

É preciso mudar, tudo no futebol tem de mudar. O Sporting não foi campeão e não tem nada a ver com arbitragens. O Vítor Pereira foi um excelente árbitro, agora já chegou o tempo dele, tem de dar lugar a outro.

O meu amigo Octávio... Tudo o que ele afirmar estou com ele. É um conhecedor profundo de arbitragem e comunicação, tem uma experiência muito grande, tem sido uma ajuda muito importante para mim. Estamos em sintonia.

Perda de 7 pontos e a comunicação leonina

«Quando perdes pontos é porque não tiveste qualidade nesses jogos. Pontualmente tens jogos onde não estiveste bem. Vários factores fizeram com que perdêssemos pontos.

Arbitragens? Não quero entrar por aí, o campeonato já acabou. Ao longo da minha carreira no Sporting, temos assessores de comunicação mas eu disse 'xau', eu falo sempre pela minha cabeça. Tu és mais respeitado quando tens poder, e o poder é ganhar. Alguém tem dúvidas de que o Sporting este ano foi muito mais respeitado em todas as áreas?

Assumimos essa pressão alta, não se pode ter outra visão se não se souber trabalhar sob pressão. Vai haver um discurso objectivo que o presidente achar que seja o melhor.

Excessos? Também há… Quando se tomam decisões há sempre excessos. Só não tem excessos quem não diz nada, quem está em casa. Treinadores ou presidentes que quando os jogos acabam, não se passa nada, boa gravatinha, os croquetes e os anos iam passando, e o Sporting a 10 ou 15 pontos».

Gauld e Academia

«É um miúdo que ainda não se conseguiu afirmar. Teve uma lesão complicada, uma pubalgia. Hoje está recuperado, vai fazer a pré-época connosco, vamos dar-lhe essa oportunidade. Há outros que vão regressar, como o Palhinha, o Iuri Medeiros… O Wallyson chegou com uma lesão e vai ser operado na terça-feira. Mas são miúdos com talento, é um prazer trabalhar com eles.

O Sporting tem um historial muito grande pela sua formação, mas atenção: as fornadas têm sido muito boas mas elas são contabilizadas neste ano mas o produto vem de há cinco anos. O Sporting tem de começar a pensar que hoje os nossos rivais já são tão fortes ou se calhar mais fortes do que nós em termos financeiros.

O presidente tem consciência de que é preciso investir na academia e vai tentar fazer isso».

Bryan Ruiz

«O Bryan é um senhor em tudo, um exemplo para os mais novos. Pode ser um dos capitães porque tem perfil, tem tudo. O Sporting teve sorte também, porque quando contratas jogadores não conheces a sua inteligência, nem emocionalmente. Só depois de trabalhar com os jogadores.

Como o próprio Barcos, jogadores mais velhos mas com sentido profissional muito grande. Chegou ao Sporting com o comboio em andamento, era difícil entrar nas carruagens. Slimani e Teo a fazer golos… Não é fácil.

Alan Ruiz e Barcos já fizeram dupla no Grémio, mas agora não sei. O que gostava era que o Slimani não saísse.

É a área do presidente. Claro que o treinador tem uma palavra a dizer e ele sabe a minha opinião. Sei que um avançado como Slimani neste momento, 30 milhões, é zero».

Os jogadores intocáveis

«Eu gostava que fossem intocáveis. São jogadores de qualidade e de referência, que saíram da formação do Sporting, têm paixão e são exemplo para os mais novos terem objectivos e saberem quanto é difícil chegar à equipa principal do Sporting».

Avaliação dos reforços

«Em Janeiro adquirimos o Schelotto. O Rúben tinha feito a pré-época comigo, nunca o tinha posto a central. Disse-lhe que ia deixá-lo jogar num clube que acreditasse nele e que podíamos ir buscá-lo em Janeiro. O Coates foi um achado, já referenciado por nós quando estávamos no Benfica. É um jogador com muito valor, que se tem adaptado muito bem às ideias da equipa. O Ezequiel também tem confirmado isso, apesar de que o João Pereira estava a fazer um campeonato muito bom.

Fomos criando uma equipa muito mais forte do que a equipa de quando cheguei. O Bruno César foi uma aquisição extraordinária, sabia que podia resolver o problema do Carrillo. E não me enganei, os golos e assistências que ele fez…».

Montero

«Compreendi porque foi uma decisão minha e do presidente, tal como a questão do Carrillo. O Montero ajudou nalgumas situações, um miúdo muito bom, mas vocês não sabem o que se passa no dia a dia. Tinha propostas da China e a pressão era muito grande, e os treinadores muitas vezes têm de abrir mão.

Sabia que tinha muitas soluções para essa posição. Desportivamente achei que não ia prejudicar a equipa e financeiramente era bom. A cabeça dele não estava cá, todos os dias queria falar comigo».

Saídas no início da época

«O Sporting parte para um campeonato onde perde três dos seus melhores jogadores: William, Carrillo e Nani. Ao longo da época fui arranjando forma de poder dar conteúdo de qualidade à equipa.

A partir de Janeiro, do onze habitual, só jogam quatro do ano passado. Isto é que é difícil. Chegar a uma equipa e transformar tudo. Se chegar ao Barcelona com aquilo tudo direitinho, não custa nada. Agora se tiver de chegar ao Real Madrid e tiver de mudar tudo, aí é que se vê».

Momento em que perdeu o campeonato

«Houve dois jogos decisivos. Um foi Guimarães. Não tivemos a sorte do jogo, tivemos várias vezes a possibilidade de vencer e não vencemos. Logo a seguir tivemos o jogo com o Benfica e também não ganhámos.

Este é o período a que muita gente não dava muita importância ao Teo, mas ele lesionou-se, esteve fora da equipa, e neste período a equipa teve de modificar a forma de jogar.

Se tivéssemos empatado com o Benfica ficávamos à frente. Com sorte ou sem sorte, o Benfica ganhou. Isto é que é a história.

O futebol é cruel por vezes, e foi-o nesses dois jogos para com o Sporting.

No seis clássicos ganhámos cinco. Os dois ao FC Porto e fizemos quatro jogos com o Benfica e perdemos um. O facto de ganhares aos rivais é um momento de demonstrar o teu poder. Ganhar ao Arouca, ao Tondela, com o qual empatámos em casa… os pontos são os mesmos...».

Luta pelo título na próxima época

«O próximo objectivo é fazer melhor. Melhor do que segundo é o quê? É primeiro. Fomos segundos com 86 pontos, nunca o Sporting tinha feito isso. O máximo era 86 pontos pelo FC Porto do Mourinho, o Sporting igualou e não foi campeão. Aqui deve-se também ao campeonato que o Benfica fez.

O Sporting bateu todos os recordes e não chegou. Para o ano temos de fazer melhor do que 86 pontos. Somos ambiciosos, confiamos nas pessoas que trabalham connosco. Acima do segundo, só o primeiro».

Ser campeão nos três grandes?


«Um treinador não tem uma certeza absoluta do que pode ser a sua carreira no futuro. Se me perguntassem há um ano se esperava ser treinador do Sporting, eu diria que não. Hoje sou treinador do Sporting. Portanto não posso pensar nesse objectivo. As circunstâncias da vida fazem-nos mudar.

Eu sou um apaixonado pela minha profissão. Aquilo que me tem de qualificar é em função da profissão. Treino que equipa for com paixão. Não sou um treinador de clube, mas sim de quem quiser e de quem estiver satisfeito comigo.

Dá impressão que era treinador de um clube e que não tinha o direito de sair dali. Mas agora estou noutro clube, focado, extremamente satisfeito com o apoio à volta, mas sei lá o dia de amanhã».

"Alavancar" o Sporting como fez na Luz

«Primeiro fui protegido por mim e pelos meus jogadores. Apresentaram qualidade e para o ano queremos ser mais fortes. A componente humana é fundamental, é preciso saber trabalhar com pessoas.

Não foi só termos chegado a competir com os rivais. Quando treinava o Benfica, o Sporting ficava a 10, 15 ou 20 pontos. Mas o Sporting habituou os seus adeptos a ser uma das referências máximas em Portugal pelos títulos que ganhou no passado e estamos a tentar fazer essa recuperação.

Porque já a fizemos do outro lado. Quando lá chegámos não eram campeões há cinco ou seis anos. Estamos a tentar alavancar o Sporting».

Director desportivo

«Cada clube, treinador e presidente tem uma organização com pessoas em função da sua ideia porque nem todos somos iguais. Estamos a falar de pessoas, pô-las nos sítios certos. Os nomes que lhe possa dar são insignificantes. Para mim, o Octávio é um director geral.

Alterações vão ser feitas como é normal. Isso é que é o crescimento. Como diz o professor Manuel Sérgio: quem repete não evolui».

FC Porto


«Contactos? Não, nem o presidente do FC Porto nem ninguém da estrutura portista me contactou. É uma norma, todas as épocas o meu nome aparece sempre como possível para o FC Porto. O FC Porto tem um excelente treinador, um presidente que fez história no futebol português e ninguém se pode esquecer disso e tem amanhã uma final muito importante.

Directamente comigo… Não é verdade.

Quando cheguei ao Benfica a hegemonia era do FC Porto. E começou a perdê-la. Passou de primeiro para segundo e agora já está em terceiro. Para o ano vai estar forte e continuar a ser um dos três candidatos ao título».

Estrutura


«O Sporting tem pessoas com muito valor, chegámos e aproveitámos os recursos humanos que o clube tinha. A pouco e pouco eu e o presidente temos estado a estruturar a organização do futebol. A melhorar? Vários aspectos. É natural que o Sporting tenha recuperado algum tempo que perdeu. A equipa demonstrou este ano que chegámos ao nível do melhor, que era o Benfica que tinha sido bicampeão. Disputámos o campeonato até ao último segundo. Estivemos várias vezes em primeiro. É verdade que o coração é a equipa de futebol, mas para teres resultados desportivos precisas de ter uma estrutura à tua volta que te ajude a ser melhor».

Conversações da renovação

"É verdade que nunca prometi o campeonato, mas sim intrometer-me na corrida. Esse foi o nosso primeiro desafio. Os adeptos foram incansáveis e eu deixei de ter dúvidas do sentimento dos adeptos. Ao fim de 10 meses as pessoas terem uma confiança enorme em ti... tens de saber valorizar isso. A partir daquele momento [o presidente] ganhou mais pontos comigo.

Não vou discutir aqui as minhas condições contratuais. As coisas têm de ser como são, como é óbvio. As melhorias passam por vários factores, não é só o factor financeiro que está em causa.

Todas as ideias que tenho partilho com o presidente. Toda a gente sabe que eu não sou só um treinador de campo e portanto partilho com ele as ideias mas é sempre ele que decide, porque é o presidente».
 

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Os motivos para a renovação de contrato


«As motivações foram em função de um projecto desportivo que o presidente quis reforçar. Convidou-me para ficar mais um ano, ou seja um contrato de três, baseado nesse projecto que ele tem com o Sporting.

Ao longo destes 10 meses tudo cresceu muito rápido. Também para me demonstrar que tanto ele como a SAD tinham muita confiança no trabalho que estávamos a desenvolver. Fez-me esse convite quando faltavam 7 ou 8 jornadas para o fim do campeonato.

Tinha dito uma semana antes que praticamente não tinha dúvidas, independente de o Sporting ser ou não campeão. A nossa chegada de Braga só reforçou a ideia que eu já tinha, que era o melhor para mim e para a minha equipa técnica. Continuarmos a seguir um projecto que o presidente abraçou connosco».

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publicado às 06:02

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