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Não era minha intenção escrever mais sobre a Selecção Nacional até ao próximo jogo, mas encontrei-me a ler uma breve entrevista de Jose Manuel Oliva - jornalista da rádio espanhola Cadena COPE - cuja missão durante todo o ano é acompanhar o dia-a-dia do Real Madrid e, neste Mundial, de dar cobertura à equipa das quinas.
 
Diz ele, não sem uma boa dose de razão, que "Portugal tem uma série de problemas para resolver da baliza ao ataque" e que pela ausência de garantias com os avançados, "Portugal poderia jogar de outra maneira com Varela e Nani nas alas e Cristiano Ronaldo na posição nove, para tentar aproveitar da melhor forma as bolas que chegam lá à frente".
 
Esta sugestão não é nova e terá algum mérito, muito pela condição física do «capitão». Sobre isto, Jose Manuel Oliva afirma que Ronaldo "chegou ao Mundial como à final da Champions, ou seja, nos limites. Tentou fazer coisas, mas não está bem, está limitado fisicamente.»
 
Numa análise aos outros dois jogadores do Real Madrid, o jornalista espanhol lamenta a lesão de Coentrão, "é uma má noticia porque fez uma boa época", e reprova a atitude de Pepe, "a expulsão é rigorosa mas ele tem de entender que não pode ir ao encontro do jogador alemão e dar motivo ao árbitro para uma decisão deste tipo".
 
Acredito que a esperança é mesmo a última a morrer, e muito embora mantenha um raio dessa esperança, sinto cada vez mais menos optimismo pelos múltiplos problemas que afligem a equipa de todos nós. Desde a muito discutível convocatória, às opções e estratégias de Paulo Bento, às lesões e aos jogadores que foram para o Brasil fisicamente condicionados, entre outras adversidades, temo que o percurso de Portugal esteja condenado ao insucesso.
 
Mesmo assim, deploro a atitude tão típica portuguesa - que outros façam o mesmo é irrelevante - de criticar impiedosamente quando as coisas não correm bem. Atitude esta que é liderada pela comunicação social, bem recheada de pseudo-jornalistas que preenchem as páginas de jornais e o espaço televisivo com um autêntico massacre de críticas sobre aqueles que num abrir e fechar de olhos passaram de bestiais a bestas: "resultado trágico" - "demolição por suicídio" - "o défice de QI volta a atacar" - "este violento 4-0 traduz uma demolidora colecção de erros" - Portugal desagregou-se por culpa própria" - "as lesões musculares não podem deixar de merecer um explicação cabal" - "chocante submissão ao poderio germânico".
 
Pela frente temos agora os Estados Unidos, que depois da mais do que milagrosa vitória sobre Gana, irão jogar com "dois autocarros e meio bem estacionados" contra Portugal. Fica a dúvida se os jogadores lusos irão recuperar física e animicamente o suficiente para ultrapassar mais este obstáculo, já para não invocar novas "invenções" de Paulo Bento. 
 

publicado às 04:55

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9 comentários

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De comentador desportivo a 18.06.2014 às 09:47

Qual é o problema?
Eles foram mais felizes!
Porquê este tipo de postura?
Jogamos contra uma das melhora equipas!
Que teorias sem sentido porque eles ganharam, chama-se a isso falta de humildade, de espírito desportivo. Demos os parabéns a eles, e apoie-mos a nossa equipa.
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De Miguel Martinho a 18.06.2014 às 12:01

Bem, o comentador desportivo fala como se tivéssemos jogado olhos nos olhos com a Alemanha e no fim tivesse ficado 2-1 ou um resultado semelhante. Nada disso. Entrámos mal preparados, assistimos a um volume de lesões que nenhuma outra equipa sofreu até agora, e a desculpa do elevado número de jogos nas pernas por parte de alguns jogadores peca por escassa, pois há muitos jogadores de outras selecções com épocas também muito desgastantes e que se apresentaram a níveis muito melhores. Além disso, foi visível a impreparação clara que estava estampada na cara dos jogadores para defrontar uma equipa como a Alemanha. Um jogo que requeria dos jogadores máxima concentração e profissionalismo que não souberam ter. Um plantel que fica claro que agora oferece poucas soluções no caso de infelicidades como as que sucederam. Zero laterais esquerdos para além de Coentrão. Um guarda-redes titular com baixos níveis de confiança e que importa perceber a razão para isso, sendo que no Sporting nada denunciava isso. O preterimento de jogadores com Danny, Antunes, Quaresma, em favor de outros com qualidade discutível para estarem na selecção. Um Pepe totalmente perdido da cabeça - relembro que era o Quaresma que ia dar mau ambiente à selecção. Enfim, com isto tudo, e a derrota com a Alemanha foi só por falta de sorte e um árbitro hostil a Portugal, não é? Gostava muito de ver as reacções se fosse um Carlos Queiroz à frente da Selecção... Parece que Paulo Bento tem uma almofada enorme, até entre sportinguistas.
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De Carlos N.T. a 18.06.2014 às 12:07

"Portugal desagregou-se por culpa própria" - " O líder é fraco, fraquíssimo (P.Bento)

"já para não invocar novas "invenções" de Paulo Bento." Essa é a resposta

Comentador desportivo.

Qual é o problema? ---- Nenhum.

Eles foram mais felizes! ----- É o fado, tá tudo bem.

Porquê este tipo de postura?---- Para nada, pá proxima é que é.

Jogamos contra uma das melhora equipas! ---- Que azar, tocano-nos sempre os melhores

Que teorias sem sentido porque eles ganharam, chama-se a isso falta de humildade, de espírito desportivo. Demos os parabéns a eles, e apoie-mos a nossa equipa.------ Apoiar, sempre. Incondicionalmente.
Espírito desportivo foi o que faltou e por isso estamos todos tristes e zangados, nao é a derrota em si mas, como foste derrotado. Ex. MEXICO.....

Por ultimo, Comentador........ No teu post, nao mostras o minimo de AMBICAO aquilo que os teus antepassados ao mundo mostraram. Pequenos!!! mas valentes e sábios.
Zanguei-me com o teu post porque é um reflexo do mundo portugues...




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De iorda9 a 18.06.2014 às 12:36

Não sou o maior apoiante de Paulo Bento, mas acreditei (e ainda acredito) que podemos passar o grupo e face às selecções que nos podem calhar nos oitavos de final - pensei mesmo que chegariamos aos quartos de final

Acho que não faz qualquer sentido a forma como a CS tratou a selecção antes do mundial e agora na derrota

Antes são tudo rosas, sonhos, ilusão, ao ponto de não se questionar as escolhas de PB, agora que perdemos, já não valem nada

Portugal ( que se pode considerar à justa uma das 10 melhores selecções) perdeu com a 2ª ou 3ª selecção mais forte

Foi uma má derrota, mas o arbitro também deu uma mãozinha e jogamos mais que 1 hora com 10 jogadores

Mas na teoria este jogo era para perder, tal como os proximos dois são para ganhar

E Portugal (que funciona melhor a responder à adversidade) tem simplesmente que encarar os proximos 2 jogos como favorito e fazer a sua obrigação que é ganhar

É obvio que agora se vêem as debilidades deste grupo - principalmente porque não há uma alternativa real a Coentrão, depois porque os avançados que ja não são nada de especial, estão todos (Eder não sei, mas o historial não é famoso) com problemas fisicos

Mas nada está perdido - é ganhar já no Domingo - de perferencia por 2 ou 3 de diferença
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De Carlos N.T. a 18.06.2014 às 13:08

"Foi uma má derrota, mas o arbitro também deu uma mãozinha e jogamos mais que 1 hora com 10 jogadores"----- Sao circunstancias do jogo e nao devem servir de desculpa. Nao sao argumento nenhum.. ...Fomos infelizes, foi a citacao do Comentador Desportivo

"Mas na teoria este jogo era para perder, tal como os proximos dois são para ganhar"------ Que pequeninos!!!!Todos os jogos sao para ganhar senao nao entres em campo.

Onde anda a AMBICAO???? Nas ruas da amagura..


P.S........ Alemanha vs. USA. Sao todos eles germanicos.
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De Rui Gomes a 18.06.2014 às 13:27

Meu caro, peca pelo exagero. Não há desculpas para a nossa insuficiência , agora, mesmo tendo estas em conta, eu gostava de ter visto, ou ainda ver, a Alemanha sofrer um penálti (não existente) logo aos 10 minutos e depois jogar com 10 unidades durante mais de um hora, com um árbitro pouco ou nada receptivo a critérios equilibrados.

Têm surgido grandes penalidades (por faltas não existentes) pontuais em determinados jogos: o do primeiro jogo do Brasil que foi decisivo - o do jogo entre a Holanda e a Espanha, que visava lançar a Espanha e, claro, o do jogo de Portugal.

Gostamos muito de crucificar os nossos. Pepe reagiu mal, indiscutivelmente, mas todos os observadores imparciais concordam que a expulsão é injustificada. Se tivesse sido ao contrário, Muller teria sido expulso ? Garanto-lhe que não !!!

E a grande penalidade por falta sobre Éder que ficou por marcar. Num jogo de futebol tem de se ter tudo em consideração, não podemos meramente escolher algumas partes e ignorar o resto.
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De Carlos N.T. a 18.06.2014 às 14:15

Rui, com um sorriso (simpático) lhe respondo.... Essa resposta é um alibi. Por exemplo, melhor exemplo. Portugal: Benfica e Porto, às vezes Sporting favorecidos. Boavista, Braga, Setúbal, Belenenses e outros para ganhar. Espanha: R.Madrid e Barcelona. Alemanha: Bayern Munique.... etc,etc. FIFA: tá claro, Brasil e Alemanha. Em determinadas circunstancias,Itália, Espanha ou Franca sao e sempre foram favorecidos......

O que fazer: lutar com inteligencia e muita, mesmo muita sabedoria..e um pouco de malandragem.

P.S..... Nao demora muito que até o patocínio da NIKE deixe a selecao. E sem eles, nao há C.Ronaldo que nos valha... Voltaremos ao tempo do Eusébio. Apuramentos nem ve-los
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De Rui Gomes a 18.06.2014 às 14:49

Meu caro, não podemos ser ingénuos e pensar que não há aqui muitos interesses sobre a mesa. Concordo que não reagimos bem perante as adversidades que surgiram, mas este facto não as anula, nem a forma comno surgiram.

Além da nossa incapacidade de reacção, existiu uma arbitragem que nos condicionou ao máximo. Infelizmente, e isto não é novidade alguma, os jogadores lusos deixam-se enervar muito pelas arbitragens. Enquanto que a arbitragem em questão não explica tudo, a realidade é que foi decisiva, porque até e depois do penálti não havia grande diferença entre as equipas. Houve de facto erros nossos a mais, mas a expulsão condenou prontamente o jogo.
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De jose guinote a 18.06.2014 às 13:05

Talvez que o maior problema seja o de a equipa não ser uma equipa mas apenas um amontoado de individualidades. Esta equipa coleciona apuramentos in-extremis e isso deveria ter sido motivo de reflexão. Algo que nunca irá acontecer tendo Paulo Bento como líder. Um homem que preza as fidelidades e que se habituou a teimar contra a realidade. A convocatória foi um desastre e a preparação decorreu num nível de festa cujo grau de profissionalismo deixa muito a desejar. Chegar em cima do dia do jogo a S.Salvador, prolongar a estadia em Campinas num ambiente de feira popular, não terá sido a melhor opção.
A verdade é que a equipa se apresentou sem confiança, sem qualquer ideia de fio de jogo, sem solidariedade e, a partir do primeiro golo alemão, sem vontade. Uma não equipa.
Um Paulo Bento que fosse um anti-Paulo Bento teria apostado num meio-campo diferente. Teria colocado William Carvalho ao centro e Moutinho e Meireles/Ruben Amorim - já que estupidamente não levou Adrien - teria previsto que a batalha do meio-campo era crucial, como se veio a revelar. Teria apostado num trio de ataque em que Ronaldo jogasse no centro já que o seu nível físico torna-o menos eficaz deslocado para as alas. Ronaldo sendo muito mais do que um ponta-de-lança é, de longe, o melhor ponta de lança. Teria jogado com Nani e Varela já que estupidamente não levou Quaresma. Teria jogado com Neto e Bruno Alves no centro da defesa - porque Pepe não estava em condições físicas e nessas situações torna-se um jogador vulgar e agressivo, como mostra a sua história desportiva. Quando Coentrão se lesionou teria feito entrar Antunes - que estupidamente não convocou - da mesma forma que se por hipótese João Pereira fosse expulso ou se lesionasse deveria recorrer a Cédric, que pelas mesmas razões não convocou.
Tudo começa no acto de escolher. É a sensação de justiça que se transmite que vai ajudar a aglutinar os jogadores. Paulo Bento falhou estrodosamente nesse momento. Não irá conseguir ir muito longe e colocará em causa a justeza da sua continuidade como selecionador. Mas, com Ronaldo, mesmo um sub-Ronaldo, ainda nos resta alguma esperança. Como aqui já se disse os Estados Unidos são uma equipa banal. Igual a muitas que enfrentámos no pauramento e contra as quais estivemos a um nível deplorável.
Patrício fez-me muita impressão. Não jogou nada, ou melhor, jogou muito mal. Desde aquele lance caricato em que trasnformou um atraso horrível do Pepe num passe para golo, ao desajeitado Kedira, ao desvio com a palma da mão para o pé do Muller, foi uma péssima exibição. A sua cotação caiu em flecha num Mundial em que abundam os excelentes guarda-redes, como o que joga no México. Uma pena a forma como malbaratou esta oportunidade de mostrar a sua classe.

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