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Para além das aparências

Naçao Valente, em 29.01.18

 

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Aleluia! Depois de uma seca prolongada chega finalmente um título. Pode ser um título menor mas não deixa de ser um título. Um título amaldicionado pelos grandes, e que permitiu a que, em 11 edições, três  clubes de pequena dimensão o conseguissem vencer. Nesse sentido, é a prova mais democrática possível, e que os mais poderosos não  hegemonizaram. E mesmo o nosso Clube, para além da taça que nos foi expurgada, podía ter ganho outras, não fora a birra infantil do senhor (digo-o por educação e não por me parecer ser um Senhor) Bruno Miguel, que por causa de questiúnculas de uns minutos de diferença num jogo, obrigou o treinador da época seguinte , a disputá-la com os juniores.

 

Durante os mandatos do senhor Bruno Miguel, o clube ganhou, até agora, para sermos rigorosos, três títulos: a Taça de Portugal, a Taça Cândido de Oliveira, e agora a CTT. Exceptuando a Taça de Portugal, o mais importante na hierarquia interna, os outros são de menos monta. Mas volto a insistir, valem mais estes que nada. Uma das razões na minha perspectiva têm a ver com a jactância "infantil" do Presidente que, sem experiência de vida e sem conhecimento da realidade desportiva, considerou  que bastava a sua prosápia para vencer. Leva a pensar que, com as devidas reservas, em termos mentais, não saiu da creche.

 

Daí a contratação de um treinador, extremamente caro para a nossa situação financeira e demasiado endeusado como um treinador de top. Daí a convicção de que bastava isso para ser campeão. Os problemas não se resolvem deitando-lhes dinheiro, que não se tem, para cima. Um pouco de bom senso permitiria verificar que a nível nacional há muitos outros treinadores do mesmo nível, alguns já reformados e que não têm os mesmos títulos, porque nunca tiveram as condições excepcionais internas e externas de que o "mestre" dispôs no Benfica. O seu trajecto no Sporting comprova-o.

 

As aparências mostram que o Sporting está mais competitivo e que joga melhor futebol. Até pode estar, mas para além das aparências não está. Falta-lhe apenas um bocadinho, mas esse é o bocadinho fundamental que faz a diferença. Se assim não fosse, já teria ganho um campeonato nacional, aproveitando o período de eclipse do Porto, e até numa época transacta, o mau começo do clube da Luz. E não ganhou porque para além das aparências lhe faltou a solidez que têm as equipas campeãs. Essa solidez constrói-se de dentro para fora, com trabalho, inteligência e humildade. Dispensa atitudes de altivez, de arrogância, e que contribuem para à primeira dificuldade se naufragar sem remissão. Esta tem sido a história dos últimos anos.

 

  1. Este campeonato irá ser disputado pelos três crónicos clubes até ao fim. O campeão será aquele que mostrar maior maturidade. Para lá das aparências a equipa actual tem fragilidades. Embandeirar em arco, como aconteceu noutras alturas, pode ser fatal. Volto à velha questão, que para mim é fulcral, um ponto fraco está nas lideranças. Exércitos mais poderosos perderam batalhas em função de tácticas avulsas e desleixadas. Até agora as lideranças não mostraram ter a capacidade para levar o barco a bom porto. Sem timoneiros adultos, bem preparados e com clarividência, não vai ser fácil ganhar títulos.

 

P.S.: Quando estava a concluir este texto, vi imagens do senhor Bruno Miguel a exercitar artes circenses, como alguém que precisa de palco. Lembrei-me do escultor Apeles da Grécia Antiga, quando disse a um sapateiro que "não subisse acima do chinelo", por ter colocado um defeito no joelho da estátua. Este senhor, ao contrário, parece que não sabe subir acima do chinelo.

 

publicado às 06:34

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2 comentários

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De Leão Zargo a 29.01.2018 às 19:30

Caro Nação Valente

Um texto muito oportuno a propósito da importância de ter os pés bem assentes na razão. Muito bem. É que a obsessão por vencer não implica necessariamente a vitória. Todos querem ganhar, mas apenas vencerá quem criar condições para tal. Este é um princípio bem antigo.

Aliás, a obsessão perturba o discernimento como foi bem visível durante esta época. Não é o folclore de uma voz rouca que trará o título. De resto, Bruno de Carvalho é um gestor de vão de escada que se refugia na oratória para levar a água ao seu moinho.

Um abraço leonino
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De Naçao Valente a 29.01.2018 às 19:48

Sintetiza o que eu quis transmitir, caro Leão Zargo. Melhor, Classifica em meia dúzia de palavras, o Presidente que temos "gestor de vão de escada". Oxalá os sportinguistas acordem enquanto é tempo.
Abraço amigo

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